Análise e resultados do Mundial de Ginástica Artística 2014 - Finais por aparelhos


Confira os resultados e análise das finais por aparelhos do Mundial de Ginástica Artística 2014.

MASCULINO

Solo

3 anos depois de sua última medalha, o brasileiro Diego Hypólito volta aos pódios de um Campeonato Mundial. De reserva da equipe ao posto de 3º melhor do Mundo, Diego considerou esse o melhor resultado de sua carreira fora sua primeira medalha de ouro em 2005. Pra quem pensou que o japonês Kenzo Shirai nunca erraria, sua performance dessa madrugada não foi dourada: apesar das piruetas mais limpas da atualidade, Kenzo terminou com a prata. A surpresa do dia, ainda mais depois da péssima atuação no ano passado, foi o russo Denis Ablyazin terminar com o ouro. Não que seja uma surpresa uma série como a dele ser do campeão, mas o bom desempenho que ele apresentou nessa final foi o que mais impressionou. Série para isso ele sempre teve, mas número de acertos...não.

Jacob Dalton quase conquista outra medalha para os Estados Unidos nesse aparelho. Com uma série muito limpa ficou apenas 0.1 atrás de Hypólito. Fora o espanhol Santa Zapata, todos os concorrentes tiveram excelentes performances nessa final.

Resultados completos: http://gymnasticsresults.com/worlds/2014/mag/af1fx.pdf

Cavalo com alças

Final disputadíssima, tendo o húngaro Krisztian Berki com campeão. Filip Udi conseguiu um excelente resultado para a Croácia conquistando a prata. Udi e Berki conseguiram as notas E mais alta da competição, seguido pelo também croata Robert Seligman, que acabou em 5º lugar. O francês Cyril Tommasone fechou o pódio em 3º lugar, um dos melhores resultados da carreira do ginasta. O britânico Daniel Keatings teve alguns erros grandes durante a série e, apesar de passar dos 15 pontos, terminou na última competição. Max Whitlock, compatriota de Keatings, era um dos principais candidatos ao ouro nesse aparelho, mas não conseguiu passar da fase classificatória.

Confira os resultados completos: http://gymnasticsresults.com/worlds/2014/mag/af2ph.pdf

Argolas

Com uma série limpíssima, o chinês Yang Liu conquistou o ouro nas argolas. Excelente em todas as posições e ângulos, Yang ainda cravou a saída. O brasileiro Arthur Zanetti terminou com a prata. Com uma série de 6.8 de nota de partida, Zanetti cometeu errinhos fora de costume: teve alguns balanços de cabo e não cravou a saída. Independente dos erros, Zanetti perdeu para uma série espetacular. A disputa pelo ouro era acirrada e o chinês levou a melhor. Fechando o pódio, outro chinês Hao You e o russo Denis Ablyazin empatados em 3º com 15.700. You teve uma série com nota de partida 7, a maior da final.

Essa foi outra final muito disputada. com a estreia do britânico Courtney Tulloch, que chegou a tirar 15.700 nas argolas na final por equipes, e com os já conhecidos Samir Ait Said (França) e Eleftherios Petrounias (Grécia). Nikita Ignatyev, da Rússia, fechou a competição com uma participação discreta de 15.266.

Resultados completos: http://gymnasticsresults.com/worlds/2014/mag/af3sr.pdf

Salto

Hak Yang Seon, ginasta da Coréia do Sul classificado em 1º para essa final, decepcionou errando os dois saltos na final. Seon tem os saltos mais difíceis e bem executados do Mundo e caiu nos dois nessa final. Deixou o ouro para o ginasta da Coréia do Norte Ri Se Gwang, que saltou uma reversão com duplo carpado com meia volta e um tsukahara com duplo mortal com pirueta. No segundo salto Gwang teve uma chegada forçada que machucou seu tornozelo, mas que não o impediu de levar o ouro. O ucraniano Igor Radivilov melhorou o desempenho na classificatória e levou uma medalha para casa. Radivilov acertou os dois saltos e terminou com a prata, enquanto o americano Jacob Dalton ficou com o bronze. O brasileiro Sérgio Sasaki terminou em 5º lugar, sem grandes erros, repetindo a colocação obtida no último Mundial.

Resultados: http://www.nanning2014gymnastics.com/iframe/gym/pdf/GAM002100_C73J_1.0.pdf

Paralela

Com uma série beirando à perfeição, Oleg Verniaiev conquistou mais uma medalha para a Ucrânia nesse Mundial. O ginasta pontou 16.125 para a conquista do ouro, com uma das séries mais agradáveis de se assistir dos últimos tempos, fazendo jus ao país que representa, mostrando que a escola ucraniana passa por dificuldades mas não está morta. Danell Leyva ficou com a prata, também com uma série muito boa, conquistando mais uma medalha para os Estados Unidos. Vale lembrar que Leyva foi campeão mundial nesse aparelho em 2011 e ainda se mantém entre os principais candidatos à medalha nas finais. O japonês Ryohei Kato fechou o pódio deixando o chinês Shudi Deng, maior nota D da competição (7.1) na 4ª colocação.

Resultados: http://www.nanning2014gymnastics.com/iframe/gym/pdf/GAM003100_C73I_1.0.pdf

Barra fixa

Epke Zonderland conquista mais um título para sua coleção, O holandês passou dos tímidos 15.600 que lideraram a classificação para um 16.225 na final. O japonês Kohei Uchimura não podia ficar sem conquistar uma medalha para a única final por aparelho que se classificou e terminou com a prata. Uchimura aumentou sua nota de partida para competir a final e obteve nota final de 15.725. Mais uma medalha para a Croácia nesse Mundial: Marijo Moznik foi o 3º colocado, aproveitando os erros de ginastas importantes que erraram, como o chinês Zhang Chenglong e o colombiano Josimar Calvo.

Resultados: http://www.nanning2014gymnastics.com/iframe/gym/pdf/GAM004100_C73I_1.0.pdf

FEMININO

Salto

6 anos depois de ser campeã olímpica, a ginasta norte-coreana Hong Un Jong sobe ao lugar mais alto do pódio novamente. Com sua Federação sancionada pela FIG, Jong ficou fora das competições por 2 anos. Imagina-se quantas medalhas poderia ter ganho nos Mundiais que se passaram, já que Jong mantém a execução de dois saltos que ainda estão entre os mais difíceis do código. A americana Simone Biles executou dois saltos quase perfeitos (os juízes deram 9.600 de execução em ambos) e levou a prata. Sua compatriota MyKayla Skinner conquista o que pode ser o maior resultado de sua carreira e termina com o bronze. Alexa Moreno (MEX), Alla Sosnitskaya (RUS) e Phan Thi Ha Thanh (VIE) tiveram erros grandes e saíram da disputa. Giulia Steingruber (SUI) e Claudia Fragapane (GBR) não erraram, mas a dificuldade baixa foi insuficiente para a conquista de medalhas.

Resultados: http://gymnasticsresults.com/worlds/2014/wag/af1vt.pdf

Barras assimétricas

Finalmente Yao Jinnan conquista sua tão sonhada medalha de ouro nesse aparelho. Competindo em casa, Yao Jinnan e Huag Huidan deram um show, conquistando o ouro e a prata nessa final alegrando o público chinês presente. A russa Daria Spiridonova consegui ser melhor que Aliya Mustafina e ficou com o bronze. Pouquíssimos centésimos atrás fica o Estados Unidos em 4º lugar com sua melhor "barrista", a ginasta Ashton Locklear. Apesar de não ter ganho uma medalha, Locklear tem a melhor paralela americana e pode assegurar sua vaga novamente no Mundial do ano que vem. A campeã européia Rebecca Downie (GBR) acertou sua série cheia de largadas e retomadas, mas acabou ficando na 5ª colocação.

Resultados: http://gymnasticsresults.com/worlds/2014/wag/af2ub.pdf

Trave

A pior final feminina do Mundial. Uma boa final de trave acontece quando todas as ginastas acertam suas séries e realmente vence que é a melhor. Entretanto, nem só de acertos se faz a ginástica, e o público pode se deparar com finais como estas. Simone Biles levou o ouro, acertando sua série de forma excelente. A chinesa Yawen Bae ficou com a prata, sendo que foi a primeira ginasta a competir na final. Pode ser que teria passado Biles caso competisse entre as últimas. A partir daqui, só erros, exceto pela japonesa Asuka Teramoto que terminou em 4º. lugar. Para se ter uma noção da tristeza que foi essa final, Aliya Mustafina ficou com o bronze com uma série que não cumpriu a exigência de uma sequência acrobática. Nem dá pra acreditar... Queda de Larisa Iordache (ROM), Ellie Black (CAN) e Yao Jinnan (CHN)... Desequilíbrios grandes de Kyla Ross... Definitivamente não foi uma final agradável.

Resultados: http://www.nanning2014gymnastics.com/iframe/gym/pdf/GAW008100_C73I_2.0.pdf

Solo

Como já era esperado, Simone Biles foi a melhor. Dificilmente Biles perderia esse ouro. A ginasta consegue executar uma série muito difícil com uma facilidade surpreendente. Larisa Iordache, com vários pequenos errinhos nas chegadas, conquistou a prata. Explorando a artisticidade e os elementos de dança do código de pontuação, Aliya Mustafina passou sua melhor série nesse Mundial e levou o bronze mais inteligente de todos. MyKayla Skinner passou muito perto de mais uma medalha nesse Mundial, e apesar de ter acrobacias muito fortes ainda peca um pouco nos saltos de dança. Vanessa Ferrari (ITA) também passou muito perto do bronze, mas a ginasta parece não se importar com as novas exigências artísticas do código atual. Talvez isso tenha tirado a medalha da ginasta nessa final... Decepção: queda da ginasta Claudia Fragapane. Surpresa: a australina Larissa Miller com seu melhor resultado individual, terminando em 6º lugar.

Resultados: http://www.nanning2014gymnastics.com/iframe/gym/pdf/GAW001100_C73I_2.0.pdf

Foto: Site Oficial Mundial 2014

Análise e resultados do Mundial de Ginástica Artística 2014 - Final individual geral feminina


Termina a final individual geral feminina do Mundial de Ginástica Artística 2014 e a americana Simone Biles sagra-se bicampeã Mundial de Ginástica Artística, conquistando o título de campeã pela segunda vez consecutiva. A última vez que isso aconteceu foi em 1993 e 1994, com a ginasta também americana Shannon Miller. A romena Larisa Iordache fechou a sua participação com a prata e americana Kyla Ross terminou com o bronze.

Simone Biles competiu muito bem, mas não tão bem quanto no ano passado. Pela primeira vez Simone se mostrou um pouco nervosa na trave, onde errou bastante comparada consigo mesma, além de ter tido pequenos errinhos na paralela. Extremamente boa no salto e solo, compensou os erros nesses aparelhos. Simone Biles repetiu uma história rara no Mundial desse ano, conquistando o título de campeã pela segunda vez seguida, e chega no ano que vem com as chances de conquistar o ouro mais uma vez e fazer algo inédito.

Larisa Iordache finalmente acerta um individual geral importante. A romena cotada para uma medalha nessa final em 2012, quando competiu com uma lesão no pé, ficou fora do pódio. No ano passado, uma queda na trave, seu melhor aparelho, também a deixou fora da briga. Esse ano finalmente Iordache conseguiu sua medalha de forma brilhante: apenas 0.466 atrás de Biles. Iordache tem séries difíceis na paralela, trave e solo, sendo o salto o seu único aparelho com nota D abaixo de 6. Um salto amanar a teria colocado como campeã na final de hoje.

Kyla Ross, medalha de prata no ano passado, competiu com uma lesão nas costas que, com certeza, atrapalhou muito a ginasta. Mesmo assim, com séries bastante sólidas e limpas (sua principal característica), Kyla se manteve no pódio esse ano. Muitos acreditam que Kyla não dura muito tempo na ginástica e que pode não conseguir chegar em 2016 dada à grande concorrência americana. Entretanto, todos os feitos que Kyla consegui até agora, feitos conquistados principalmente por ser uma americana que resistiu a um ano pós-olímpico, já são dignos de uma aposentadoria de sucesso. Mas... qual é a equipe que não gostaria de ter uma ginasta como Ross na equipe? Pode ser muito cedo para pensar que Martha Karolyi abrirá mão dela.

A russa Aliya Mustafina estava correndo atrás da prata juntamente com Iordache, mas entregou as chances quando desequilibrou quase toda sua série de trave. Mesmo assim conseguiu uma boa nota e foi atrás do bronze no solo, onde teve uma queda. Mustafina terminou em 4º lugar colada em Kyla Ross que não teve erros nenhum. Apesar dos erros, Mustafina consegue se manter entre as principais ginastas do mundo, algo louvável para a equipe russa, que vem sendo um peso que Mustafina carrega praticamente sozinha pelo 2º ano consecutivo.

Competindo em casa, a chinesa Yao Jinnan também corria atrás da prata e também perdeu as chances quando errou a saída da sua série de trave. Ela não teve queda, mas a saída baixa pode ter gerado descontos somados de, no mínimo, 0.7. Continuou a competição com chances de bronze mas, assim como Mustafina, também errou o solo. Como já foi dito, a China está muito fraca nessa aparelho. Jinnan quase não apresenta potência de pernas para acrobacias mais fortes e colocar uma tripla pirueta na terceira passada parece loucura de quem montou a série, principalmente para uma ginasta que tem dificuldades de terminar a série em duplo mortal grupado.

Vanessa Ferrari, ginasta italiana na ativa desde 2006, continua impressionando. O 6º lugar conquistado nessa final tem saber de vitória. Ferrari continua muito competitiva, com séries ótimas, principalmente no solo. Recentemente a ginasta voltou a executar o yurchenko com dupla pirueta, salto que fortalece ainda mais o seu individual geral.

A russa Alla Sosnitskaya terminou na 7ª colocação, 0.033 á frente da venezuelana Jessica Lopez que volta a figurar entre as dez melhores ginastas do mundo. Ellie Black representa bem o Canadá terminando em 9º e Claudia Fragapane conquista um 10º lugar para a Grã-Bretanha nessa final.

Outros ótimos resultados: a polonesa Martha Pihan na 14ª colocação e Ana Filipa fazendo história para Portugal e terminando na 16ª colocação. A ginasta espanhola Roxana Popa poderia terminar entre as 10 primeiras, mas acabou errando e pontuando muito baixo na trave e no solo.

Confira os resultados completos: http://gymnasticsresults.com/worlds/2014/wag/aafinal.pdf
Foto: Site oficial do Mundial 2014

Análise e resultados do Mundial de Ginástica Artística 2014 - Final individual geral masculina


Finaliza a final do individual geral masculino do Mundial 2014 e Kohei Uchimura mantém o primeiro lugar obtido na classificatória conquistando o ouro mais uma vez. Yusuke Tanaka acompanhou seu compatriota ficando com o 3º lugar no pódio. Max Whitlock fez apresentações muito melhores que na classificatória e terminou com a prata. Com uma queda, Olega Verniaiev, principal adversário de Uchimura, acabou terminando a competição em 4º lugar muito próximo de Tanaka e Max, o que não deixa de ser um resultado excelente.

2009, 2010, 2011, 2012, 2013... 2014! 6 anos invicto! Uchimura é o melhor ginastas de todos os tempos. Nunca houve um ginasta de tanto sucesso, que conquistasse tantos títulos consecutivos. Uchimura se mantém no topo e talvez essa seja uma tarefa muito mais difícil do que conquistar mais uma medalha.

Max Whitlock, que inicialmente não competiria, mostrou que realmente era uma melhor escolha do que Nile Wilson. Nile fez uma excelente competição classificatória, mas que o deixaria apenas na décima colocação na final. Seria um bom resultado mas bem distante do que Max conseguiu. O melhor no cavalo com alças com 16.000 pontos, Whitlock compensou nesse aparelho os 14.200 obtidos na barra fixa, seu pior aparelho. O ginasta sem mantém entre os melhores ginastas britânicos, país que ascendeu na ginástica nos últimos anos e aonde agora existe uma briga interna para fazer parte da equipe.

Yusuke Tanaka começou mal a competição conquistando apenas 14.200 no cavalo com alças. Parecia não ser possível uma medalhas mas um aparelho após o outro a nota foi sendo recuperada, principalmente com atuações excelentes nas barras: 15.866 na paralela e 15.500 na barra fixa.

Oleg Verniaiev foi brilhante nessa final. Depois de uma queda na saída das argolas, chegou a ficar apenas 0.5 atrás de Uchimura. Sem dúvidas Verniaiev poderia ter chegado bem próximo de Uchimura nessa final. Alguns errinhos no solo, seu último aparelho, acabou por deixá-lo sem nenhuma medalha, menos de 2 décimos atrás de Max e um pouco menos do que isso atrás de Tanaka.

O chinês Shudi Deng entra na mesma questão de Verniaiev. O chinês talvez não tivesse chances de bater Uchimura como Verniaiev tinha, mas deixou a prata escapar com um desempenho baixíssimo no cavalo com alças. Ver um chinês pontuando 13.833 nesse aparelho é algo impensável nas previsões dos amantes do esporte.

David Belyavskiy fez uma boa competição, sem nenhum grande erro, mas acabou saindo da 2ª posição obtida na classificatória. O ginasta teve desempenhos pouquíssimos décimos inferiores em cada aparelho, o que é absolutamente normal. A estratégia do ginasta para o ano que vem deve ser investindo um pouco mais nos treinamentos de argolas e barra fixa.

Sérgio Sasaki competiu com o melhor de si. Apesar de demonstrar uma chateação por não ter conseguindo uma medalha, Sasaki competiu com um único erro aparente durante uma acrobacia de solo. A final do individual geral esse ano foi claramente mais concorrida e difícil que a do ano passado. Sasaki aumentou sua nota em quase 1 ponto e com os 89.565 obtidos esse ano teria sido medalha de bronze no ano passado. É compreensível a chateação, mas a melhora na pontuação só dá motivos de orgulho.

Fabian Hambuechen, Nikolai Kuksenkov e Josimar Calvo completaram o quadro dos 10 melhores ginastas do dia. Os americanos Sam Mikulak e Donnell Whittenburg decepcionaram nessa final. Mikulak terminou na 12ª posição e Whittenburg ficou apenas na 17ª posição.

Voltando de uma lesão no dedo da mão, que o deixou de fora dos treinos normais por 2 meses antes do Mundial, Arthur Nory se classificou para essa final e terminou na 21ª posição com a 6ª melhor nota do dia no solo: 15.208.

Confira os resultados completos: http://gymnasticsresults.com/worlds/2014/mag/aafinal.pdf
Foto: Site oficial do Mundial 2014

Análise e resultados do Mundial de Ginástica Artística 2014 - Final por equipes feminina


Acaba de terminar a final por equipes feminina e, como era esperado, a equipe dos Estados Unidos foi campeã mundial 2014! Com uma diferença enorme de quase 7 pontos, a equipe deixou a China em 2º lugar. Completando o pódio, Rússia sobrevive em 3º com Mustafina e mais 2 ginastas de gerações passadas.

Os Estados Unidos fez uma excelente competição. Com notas altíssimas no salto e uma média em torno de 14.900 na paralela, a equipe se permitiu alguns desequilíbrios na trave. A nota mais baixa da equipe foi de Kyla Ross no solo, um 13.966. Kyla costuma tirar mais nota que isso, entretanto a ginasta sofre com uma lesão nas costas. Seria melhor um descanso para Kyla depois do Mundial pra que ela possa ter chances de tentar uma vaga no ano que vem. Simone Biles não competiu no individual geral hoje, mas foi a melhor no salto, com 15.866, e no solo, com 15.375. MyKayla Skinner fez o melhor salto cheng de sua vida, conseguindo 15.775.

A equipe chinesa não conseguiu a vantagem que poderia em seus melhores aparelhos: paralela e trave. Shang Chungsong e Yao Jinnan erraram a paralela e enquanto Huang Huidan e novamente Jinnan não deram o seu melhor na trave. Ainda se deram ao luxo de errar no salto, com Chen Siyi, que conseguiu apenas 14.133 num yurchenko com dupla pirueta. Era necessário que a China fosse excelente nesses 3 aparelhos para compensar o solo fraquíssimo da equipe atual. Mesmo assim as chances de bater os Estados Unidos eram muito pequenas, mas a diferença de 7 pontos seria diminuída consideravelmente.

Mais uma vez Aliya Mustafina salvou a pátria. Melhor em todos os aparelhos, exceto trave que ficou em 2º, Mustafina fez uma soma de 58.998 nos quatro aparelhos e se firma como a melhor russa da atualidade. Apenas uma Viktoria Komova completamente recuperada seria capaz de contribuir com a equipe russa da mesma forma que Mustafina, equipe essa que, 6 anos depois, contou com Ekaterina Kramarenko mais uma vez e que não permite a pobre Tatiana Nabieva oficializar sua aposentadoria.

O país que mais surpreendeu nessa final foi a Romênia. Tirando os Estados Unidos, essa foi a melhor equipe em ação nessa final. As romenas realmente cumpriram sua meta na China e se mantiveram entre as 4 potências do Mundo, o chamado G4. Saindo da 7ª colocação na fase classificatória, o país terminou em 4º lugar na final, quase ultrapassando as russas. Larisa Iordache teve apresentações excelentes, que somadas ao desempenho correto do restante da equipe, resultaram em uma grande melhora. As notas das outras ginastas acabaram sendo bem diferentes de Iordache (exceto salto sobre a mesa e Munteanu na trave), mas quem acompanha a ginástica romena sabe que a equipe competiu com o melhor que pode e errou o mínimo possível. Aplausos!

A equipe italiana só teve um desempenho abaixo do esperado, que foi de Giorgia Campana na trave. A equipe britânica contou com uma péssima nota de Hannah Whelan na trave e pode ter perdido a maior chance que já teve como equipe em um Mundial. Austrália fez o pior solo do dia enquanto apresentou bons desempenhos na trave e paralela. Em último lugar a equipe do Japão, que competiu corretamente exceto pela queda de Asuka Teramoto na trave, seu melhor aparelho.

Resultados completos: http://gymnasticsresults.com/worlds/2014/wag/teamsfinal.pdf
Foto: Site Oficial do Mundial

Brasil entre as melhores equipes do Mundo


O Brasil terminou a final por equipes masculina do Mundial em 6º lugar e melhorou uma posição em relação à fase classificatória. A equipe conseguiu superar a Alemanha, que ficou na última colocação, e continuou à frente da Suíça.

Sérgio Sasaki teve a melhor nota do dia no salto, 15.566, Zanetti teve a 3ª melhor nota nas argolas, 15.633, e Diego Hypólito teve a 5ª melhor nota no solo, 15.633. No individual geral, Sasaki foi o 2º melhor do dia, com 89.032. Essa nota de Sasaki na classificatória o colocaria na quarta posição.

Os únicos erros aparentes que o Brasil teve foi com Sasaki no solo, uma dedução de 0.3 na nota final provavelmente ocasionada pela saída do limite do aparelho, e com Francisco Barreto na barra fixa, que pela nota E de 7.2 demonstra que ele pode ter tido uma queda. Mesmo com esses pequenos erros o Brasil teve uma excelente participação de todos os atletas.

Agora o momento é de comemoração e aprendizado. Comemoração pelo resultado histórico e aprendizado com as falhas que houveram, para que no ano que vem a equipe continue entre as 8 melhores do Mundo. O Brasil ainda compete as finais do individual geral, com Sérgio Sasaki e Arthur Nory, solo com Diego Hypólito, argolas com Zanetti e salto com Sasaki, com chances de medalhas em todos aparelhos e uma chance menor, mas ainda existente, de uma medalha para Sasaki na final do individual geral.

Que esse Mundial seja não apenas um marco histórico para a nossa ginástica, mas o começo de um caminho de sucesso que a equipe do Brasil começa a trilhar. Que hajam mais investimentos, reconhecimentos e que a atenção nas categorias de base não seja perdida. Sucesso é o que desejo!

Foto: Ricardo Bufolin / CBG

Análise e resultados do Mundial de Ginástica Artística 2014 - Final por equipes masculina


Numa disputa acirrada, que resultou numa diferença de apenas um décimo, China mantém sua hegemonia na ginástica artística masculina, conquistando o ouro em mais um Mundial em cima do Japão. China pontuou 273.369 e Japão pontuou 273.269.

China teve como seu melhor aparelho as argolas, mas tirou mesmo a diferença com relação às outras equipes na paralela. O Japão teve seus melhores desempenhos no solo e paralela. Nos demais aparelhos, O Japão contou com notas boas, mas abaixo de 15 pontos. A aproximação do Japão da equipe da China com certeza foi devido a uma queda que tiveram no solo (acabaram contando com um 14.000) e uma apresentação fraca no cavalo com alças, onde China costuma ter excelentes notas.

Estados Unidos merecidamente completou o pódio da final, fazendo um ótimo resultado para a equipe masculina, que geralmente é ofuscada pela feminina dentro do próprio país. A equipe terminou suas apresentações no solo, onde Jacob Dalton conseguiu 15.900, melhor nota de solo do dia, ficando à frente até de Kenzo Shirai. O único aparelho onde os americanos poderiam ter somado mais é o salto, onde tiveram erros nas aterrissagens, mas isso não afetaria os resultados de China e Japão. Fora isso, uma excelente competição para a equipe.

Grã-Bretanha chegou entre as 5 melhores equipes do Mundo e se mantém. Passaram a competição inteira sem nenhum erro grave. Max Whitlock ainda não conseguiu "cravar" sua série de cavalo com alças nessa final, que pode ter sido sua última chance. Nile Wilson impressionou. Apesar de muito novo, o ginasta acertou todas as suas séries, que contribuíram grandemente para a equipe.

Rússia teve uma competição um pouquinho abaixo do esperado. O ucraniano naturalizado russo Nikolai Kuksenkov foi mal no cavalo com alças e Nikita Ignatyev não foi bem na paralela. No geral os russos também não foram bem na barra fixa, mas provavelmente isso se deve a rigidez com que os juízes arbitraram esse aparelho.

O Brasil terminou em 6º lugar, brilhantemente, com mais de 6 pontos á frente da Suíça, que fez o que pode para mostrar que mereceu estar entres os 8 finalistas. A Alemanha sofreu com a falta de Marcel Nguyen e terminou na última colocação, com uma pontuação de pode ser a pior do país nos últimos tempos.

Confira os resultados completos: http://gymnasticsresults.com/worlds/2014/mag/teamsfinal.pdf

Foto: Site oficial do Mundial

 
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