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Análise do Campeonato Brasileiro de Ginástica Artística


Terminou hoje o Campeonato Brasileiro de Ginástica Artística, que definiu as equipes que competirão no Sul-Americano Juvenil e Infantil e que ainda guarda um suspense quanto à convocação da categoria adulta, de onde serão selecionados os ginastas que representarão o Brasil no Mundial.

O campeonato começou com baixas importantes: Diego Hypólito e Flávia Saraiva não participaram da competição. É provável que Diego não se apresente no Mundial esse ano, já que teve pouca participação competitiva, mas ainda terá mais uma chance de ser avaliado. Flávia precisa avaliar a gravidade da lesão nas costas e, se não conseguir competir no Mundial (provavelmente ela não viajará para o Pan de Especialistas essa semana), será uma baixa extremamente infeliz para o Brasil: a ginasta tem chances reais de medalhas em Montreal.

Arthur Nory está de volta. Apesar de não ter competido no individual geral, conseguiu ajudar o Pinheiros em cinco aparelhos para a conquista do título, com folga, de campeão brasileiro por equipes. O pódio foi completado pelo SERC, que ficou com a prata, e a equipe de São Bernardo com o bronze. Arthur Zanetti não competiu nas argolas, seu melhor aparelho, se apresentando somente no solo e salto (as duas melhores notas desses aparelhos na classificatória), mas também ajudando sua equipe, o SERC São Caetano, na conquista da prata. Rebeca Andrade, voltando dos cuidados de uma lesão, competiu apenas na paralela e conquistou a maior nota nesse aparelho. Jade Barbosa voltou com tudo, competindo no individual geral e, mesmo com falhas, apresentando boa parte de seus antigos elementos.

Os destaques da competição masculina ficaram por conta de Caio Souza, campeão brasileiro individual geral e detentor das melhores notas em quase todos os aparelhos. Mesmo competindo com uma série mais fraca no solo, esse pode ser o ciclo olímpico do Caio, que apesar de muito esforçado e talentoso, acabou fora dos Jogos do Rio. Nory também está com boas séries e é provável que vá para o Mundial do Canadá, ao lado de Caio, como "all-arounder".

No feminino, Thais Fidelis mostrou muita evolução desde o Trofeo Jesolo na Itália. Lá, talvez por ser início de temporada, não conseguiu mostrar todo seu potencial, que foi altamente explorado no brasileiro. Faltando apenas a saída de mortal nas barras assimétricas, Thais está inteira, com boas dificuldades nas séries e grandes chances de competir bem no Canadá. Liderou o CEGIN ao lugar mais alto do pódio na final por equipes, que teve o Pinheiros em segundo lugar e o Flamengo em terceiro.

Daniele Hypólito, contrariando a muitos, mostrou mais uma vez que contra fatos não há argumentos. Foi bronze no individual geral e teve a segunda melhor nota de solo e de trave. Também se firma como um possível nome na equipe que representará o Brasil no Mundial em outubro. Fabiane Brito, apesar de ainda juvenil, foi prata no individual geral com uma forma incrível. Teve uma lesão no ano passado e se recuperou muito bem, mostrando extrema segurança em suas séries. A ginasta entra pra categoria adulta no ano que vem e é, sem dúvidas, a principal adição do Brasil em 2018. Impensável uma equipe no ano que vem sem sua presença!

A comissão técnica não definiu os ginastas convocados para a seleção, afirmando que os ginastas passarão por mais uma seletiva e que os nomes serão divulgados nas próximas semanas. Levando em consideração os resultados do Campeonato Brasileiro - como também a participação em campeonatos anteriores -, uma boa seleção para o Mundial seria formada com:

Flávia Saraiva (individual geral), Thais Fidelis (individual geral), Rebeca Andrade (recuperando de lesão, faria apenas salto e barras assimétricas, sendo que no salto tem chances reais de ser medalhista) e Daniele Hypólito (trave e solo) no feminino;

Caio Souza (individual geral), Arthur Nory (individual geral), Arthur Zanetti (argolas e solo) e Francisco Barreto (cavalo com alças, paralela e barra fixa) no masculino.

Assim que sair a convocação para o Mundial faremos uma análise sobre as possibilidades de cada ginasta convocado. As chances que o Brasil tem de medalha esse ano, principalmente no feminino, são muito boas.

Confira a convocação das equipes infantis e juvenis para o Sul-Americano.

Feminino

Juvenil: Fabiane Brito (CEGIN), Isabel Barbosa (Pinheiros), Cristal Bezerra (Adeco) e Maria Júlia (Flamengo).
Infantil: Maria Eduarda Tavares (GNU), Ellen Nascimento Ferreira (Adeco), Júlia Moraes Godoi (São Bernardo) e Ana Luiza Lima (CEGIN)

Masculino

Juvenil: Arthur de Freitas (Sesi - SP), Tomas Rodrigues (Sogipa), André Lucas Florindo (Pinheiros) e Vitor Ganancio (SERC).
Infantil: Arthur Rua e Arthur Cardoso (SERC); Ian Camargo e Erick Domingues (Pinheiros).

Resultados: Infantil - Masculino: geral e equipe - Feminino: geral e equipe.

Novidades

O CEGIN melhor do que nunca e digno de muita admiração. Com esforços financeiros recentes para manter o clube, a volta do treinador Roger Medina está fazendo toda diferença. O clube parou com a política do simples e limpinho e, nesse momento, as ginastas que lá treinam estão fazendo séries extremamente competitivas em todas as categorias.

Pode ser que de lá saiam as principais ginastas dos próximos cinco anos: mesmo as infantis já estão apresentando um nível de ginástica e evolução surpreendentes! O clube foi campeão por equipes e individual geral na categoria infantil e adulto. De quebra, Fabiane Brito, que ainda é juvenil, foi prata no individual geral adulto. Também colocaram representantes do clube no Sul-Americano em ambas categorias. Fica a torcida pela continuidade desse belo trabalho.

Mas o que realmente surpreendeu foi a transmissão ao vivo que a Confederação Brasileira de Ginástica fez do Campeonato pelo Facebook. Não deu pra acreditar! Já temos ginástica artística de primeiro mundo, agora começamos a dar um passo para uma organização no mesmo patamar. A CBG está de parabéns, e os fãs de ginástica agradeceriam muito se as coisas continuassem por esse caminho.

Post de Cedrick Willian
Foto: Pedro Kirilos

Jade Carey e o sucesso da metodologia americana


No último fim de semana, durante o U.S Classic, vários momentos, séries e ginastas chamaram à atenção de quem acompanhava a competição. Definitivamente, a ginasta Jade Carey foi foco da atenção de muitos. Mas afinal, quem é essa ginasta?

Carey é fruto do bom trabalho que a ginástica americana desenvolve há anos. Ela treina em Peoria, no Arizona, Clube Oasis Gymnastics, e era apenas uma "level 10" até pouco tempo, quando, juntamente com seus treinadores, foi convidada para o camping de treinamento da seleção. E aí, no U.S Classic, você tem mais uma prova de sucesso do método americano de condução da ginástica: Carey foi a melhor ginasta no solo e na média dos dois saltos.

Dois pensamentos que você teve, com toda a certeza, quando viu as séries dela: o primeiro: "Quem é essa menina???"; o segundo, levemente assustado: "Ela tem condições de ser medalhista mundial!". Lembram da Kyla Willians? Americana campeã de salto em 2009? Mais ou menos a mesma história de Jade.

Se você ainda não viu, assista as séries de Jade no U.S. Classic.

Salto 1 - 




Salto 2



Trave



Solo


Post de Cedrick Willian
Foto: Flogymnastics

Emma Malabuyo e Alyona Shchennikova vencem o U.S. Classic


Uma competição fraca na categoria adulta e forte na categoria juvenil. Assim foi o U.S Classic, que aconteceu na noite de ontem em Illinois. Com 56.750, Emma Malabuyo venceu o individual geral da categoria juvenil, e com apenas 54.950 Alyona Shchennikova venceu a categoria adulta.

Essa foi a última chance de classificação para o P&G Gymnastics Championships, que por sua vez é a última chance de classificação para a equipe americana de onde saem as ginastas que representarão os Estados Unidos no Mundial. Várias ginastas que já estão classificadas para o P&G usaram a competição para acertar detalhes finais de suas séries. Talvez, por isso, a competição tenha sido um pouco mais fraca.

Ashton Locklear não se apresentou nas barras assimétricas, competindo apenas na trave de equilíbrio. Morgan Hurd se apresentou na trave e solo (13.850, 2ª melhor nota do dia) e Riley McCusker nas assimétricas, trave e solo, com alta dificuldade e baixo desempenho (a ginasta acaba de voltar de uma lesão).

As melhores notas e séries da categoria adulta, em cada aparelho, foram:

Jordan Chiles no salto - 14.700, um dos dois únicos saltos amanar da competição (o outro foi executado por Jade Carey). A ginasta, que quando juvenil era apontada como esperança para esse ano, teve uma competição difícil e aparenta estar um pouco pesada.



Ragan Smith nas assimétricas - 14.550.



Ragan Smith na trave - 15.350



Jade Carey no solo - 13.950.



Malabuyo parece ser a nova Kyla Ross. Muito carismática, segura, limpa e com bom artístico, pode chegar na categoria adulta como uma das principais ginastas do ciclo. Sunisa Lee, que está com uma série de barras assimétricas incrível, acabou na acertando.

Confira as melhores séries e notas da competição juvenil.

Grace McCallum no salto - 14.650



Gabby Perea nas assimétricas - 14.500, repetindo o sucesso que teve em Jesolo. Gabby pode ser uma das "barristas" americanas do ciclo.



Adeline Kenlin na trave - 14.850. Essa ginasta também foi muito bem nas barras assimétricas, onde conseguiu 14.050 e ficou em terceiro com uma série de nota D 5.7.





Emma Malabuyo no solo - 14.300.



As ginastas classificadas para o P&G após a competição foram:

adulto: Luisa Blanco, Frida Esparza, Emily Gaskins, Marissa Oakley, Deanne Souza e Kalyany Steele;

juvenil: Sydney Barros, Addison Fatta, Hannah Hagle, Selena Harris, Jay Jay Marshall, Deiah-Marie Moody e Abigail Scanlon.

Resultados completos: juvenil e adulto. Vídeos: USA Gym

Post de Cedrick Willian
Fonte: USA Gym
Foto: Divulgação

Campeonato Brasileiro de Ginástica Artística 2017 - Adulto e Infantil


Confira a lista completa de participantes do Campeonato Brasileiro de Ginástica Artística - Categoria Adulto e Infantil. A competição acontecerá, na categoria adulta, nas finais individual geral e por equipes. O Campeonato Brasileiro adulto por aparelhos será em outubro no Rio de Janeiro.

Acontecerá, também, as seletivas para compor a seleção adulta, de onde sairão os atletas que vão representar o Brasil no Mundial; juvenil e infantil, que decide quais serão os atletas que vão representar o Brasil no Campeonato Sul-Americano.

Seletiva infantil

Quatro vagas para ginastas infantis, tanto no masculino como no feminino. Será somada a nota do programa obrigatório com o programa livre. Os quatro primeiro colocados conquistam as vagas.

Seletiva juvenil

Quatro vagas para ginastas juvenis, tanto no masculino como no feminino. Será levada em consideração as notas do primeiro dia de competição. Os quatro primeiro colocados no primeiro dia conquistam as vagas.

Seletiva adulta

Doze vagas no total, tanto no masculino como no feminino, sendo seis para "all-arounders", quatro para especialistas e mais duas definidas pela comissão técnica. Os atletas devem atingir uma nota já definida pela comissão técnica. No individual geral serão contadas as notas dos dois dias de competição e, para os especialistas, a nota do primeiro dia será levada em consideração.

Lista adulto


Nabieva vai continuar competindo


Muitos fãs de ginástica ainda sonham com um retorno da ginasta russa Tatiana Nabieva às competições, mas fica uma questão: quando ela realmente parou de treinar? Em uma conversa com as ginastas mais novas de seu clube, postada no Youtube dias atrás, a ginasta disse que tem planos para continuar na ginástica por muito tempo.



Nabieva disse que não parou de praticar ginástica, mas que continua recuperando de uma lesão no punho que precisou de uma cirurgia. Seu plano atual é competir na Voronin Cup, se estiver pronta. Se não, vai deixar para competir no próximo ano.

Além disso, não tem planos de se aposentar tão cedo. Quando peguntada sobre até quando ela planeja continuar, respondeu: "Até eu morrer". Só vai parar se uma lesão séria a impedir ou se não conseguir se manter mais no alto nível. Quando parar, seu plano é focar 100%  na carreira de treinadora. Sonha em abrir um ginásio próprio na cidade de Daguestão, na Rússia.

Sobre sua ginasta favorita, disse: "Nabieva (risos). Bem, claro que eu tive ídolos na ginástica: quando eu era mais nova, Khorkina era minha deusa. Eu realmente queria ser como ela. Mas, quando eu cresci, alcancei as mesmas coisas que ela... Bem, não exatamente as mesmas coisas, claro, não cheguei perto de ser como ela, mas agora tenho as minhas próprias conquistas, então (nesse momento) você para de idolatrar os outros".

Nabieva fala que agora seu objetivo principal é colocar a vida em ordem. Durante a maior parte de sua carreira como ginasta, sentiu que perdeu muito tempo de sua vida social. Por isso, recentemente acabou saindo muito e se divertindo em festas. Essa fase passou e agora quer focar mais nos estudos.

Perguntada se se arrepende de não ter feito parte da equipe olímpica de 2012, respondeu:

"Esse é um assunto doloroso para mim. Sim, claro, me arrependo muito. Se eu tivesse a oportunidade, gostaria de voltar atrás no tempo e mudar tudo. Faria tudo que pudesse para entrar na equipe e muito mais".

Será que ainda vamos ver Nabieva competindo internacionalmente? Em suas últimas aparições, sempre esteve com salto e série barras assimétricas bons. Resta saber se a equipe russa ainda vai precisar dela. Ou se vai se manter boa o suficiente.

Post de Cedrick Willian
Fonte: Gymnovosti
Foto: Divulgação

Canadá define ginastas que competirão no Mundial


Os ginastas canadenses que competirão no Mundial, dessa vez em casa, foram definidos. Montreal, a cidade palco de um marco histórico da ginástica mundial, será sede do Mundial esse ano, e a equipe canadense pode fazer uma bela competição.

Confira a lista:

Feminino: Ellie Black, Shallon Olsen, Isabell Onyshko e Brooklyn Moors. Reserva - que na verdade deveria ser titular no lugar da Moors - : Brittany Rogers. Segunda reserva: Rose Kaying Woo.

Masculino: Zachary Clay, Scott Morgan, Jackson Payne e Thierry Pellerin. Ainda em consideração: Rene Cournoyer, Kevi Lytwyn e Samuel Paquin.

Na lista feminina, todas as ginastas foram bem escolhidas e apresentam chances de finais mas, talvez, Brooklyn Moors não tenha sido uma boa escolha. Brittany Rogers apresenta mais chances de final e medalha nas barras assimétricas do que Moors no solo e trave (seus melhores aparelhos), sem contar que a equipe já teria chances de final nesses dois aparelhos com Onyshko e Black. Ficaria faltando uma representante forte do país apenas nas barras assimétricas, onde Rogers tem nota de partida 6,1 atualmente. Vamos ver como Rogers vai se apresentar no Universíade no fim de agosto; talvez o resultado faça a equipe mudar.


No masculino, as chances de final aparecem com Scott Morgan no solo e argolas - apresentando séries muito limpas e cravadas - e Jackson Payne na mesma situação de Morgan, só que na paralela. Mas talvez a maior chance de final, e até medalha, esteja com Thierry Pellerin no cavalo com alças. O ginasta de apenas dezenove anos apresenta uma série limpa e de nota de partida 6,1 no novo código. Pode surpreender.

Post de Cedrick Willian
Fonte: Gym Canada
Foto: Divulgação