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Brasil conquista mais duas medalhas nas finais por aparelhos em Jesolo


Flávia Saraiva continuou o sucesso do Brasil nas finais por aparelhos que aconteceram hoje em Jesolo. Finalista de solo e trave, conseguiu o ouro no primeiro e a prata no segundo, mesmo empatada com duas outras concorrentes.

Sem conseguir sua melhor série na trave, Flávia poderia ainda ter ganho essa final com uma margem alta de vantagem. Pontuando 14,100 e empatada em 2° com a francesa Marine Boyer, a ginasta teve desequilíbrios e ainda perdeu a ligação de reversão sem mãos + sheep jump + flic, que bonifica em 0,2 que seriam suficientes para o ouro. No solo, evoluiu para uma série melhor, cravando o tsukahara carpado, elemento novo em série. Pode completar mais os saltos de dança para não dar margem de dúvidas aos árbitros, que na dúvida muitas vezes optam por desconsiderar o valor do elemento.

Rebeca também esteve nas mesmas finais que Flávia, entretanto ficou fora do pódio. No solo foi muito bem nas acrobacias, mas pode ter tido elementos de dança desconsiderados. Na trave fez uma boa série, mas falhou na saída, chegando com o tronco muito baixo e passo largo para frente. Na paralela teve um erro grande ao tocar os pés na barra durante a transição do elemento van leewen, o que comprometeu sua nota final, 13,800, e que poderia ter passado dos 14 pontos. Finalizou em 4° no solo, 5° nas assimétricas e 6° na trave.

Ambas se encontram muito bem no cenário internacional, principalmente se tratando do novo código de pontuação. Nenhuma vez na história o Brasil conseguiu ficar à frente da Rússia numa competição por equipes, essa é uma final para ser lembrada. O Brasil competiu contra equipes titulares da Rússia e dos Estados Unidos, se portando muito bem e mostrando ginástica atualizada e de qualidade.

Shallon Olsen (CAN) levou o ouro no salto e Elena Eremina (RUS) levou o ouro na paralela. Riley McCusker ficou com o ouro na trave (USA) e Abby Palson (EUA) acabou empatando com Flávia no primeiro lugar do solo.

As notas finais do Brasil nas finais por aparelhos foram:

Rebeca Andrade - Solo (13,550), trave (13,350) e paralela (13,800).
Flávia Saraiva - Solo (13,900) e trave (14,100)

Confira os resultados completos.

Post de Cedrick Willian

Foto: Divulgação

Seleção feminina conquista duas pratas em Jesolo


A seleção feminina, competindo com Rebeca Andrade, Flávia Saraiva, Thais Fidelis e Carolyne Pedro, competiu hoje no primeiro dia do Trofeo Cittá di Jesolo, conquistando a prata por equipes e individual geral. Com uma competição firme e poucos erros, as ginastas mostraram que podem dar conta do recado durante todo o ciclo.

Com Rebeca a Flávia mais maduras, a competição fluiu muito bem. Começaram no salto, onde Flávia surpreendeu mantendo o seu yurchenko com dupla pirueta. Rebeca conseguiu uma nota 15 também no yurchenko com dupla, com impressionantes 9,6 de nota de execução. Thais e Carolyne competiram com simples, porém limpos, yurchenkos com pirueta, sendo que Thais já competiu com a dupla.

Passaram bem pelas assimétricas, mesmo com alguns probleminhas: Rebeca não conseguiu ligar o pak com o van leween, sequência que acertou brilhantemente nos treinos, enquanto Flávia teve um desequilíbrio grande depois do pak. Carolyne Pedro cravou bem suas paradas e teve boa nota de execução apesar da nota D mais baixa. Thais manteve suas linhas lindas, mas sem conseguir chegar na parada em alguns momentos da série e, com a saída um pouco baixa, acabou finalizando com a nota mais baixa da equipe.

A trave foi o único aparelho que o Brasil teve quedas, mas mesmo assim as meninas conseguiram se manter com boas notas devido à dificuldade, principalmente, das séries de Flávia e Thais. Finalizaram no solo, com boas notas de Flávia e Rebeca, mesmo com os juízes desconsiderando a nota de dificuldade de alguns elementos de dança.

No individual geral, Rebeca terminou em 2° com 56,000 (15/13,8/13,55/13,65) e Flávia (14,3/13,6/13,65/13,85) acabou em 5° com 55,400. O resultado é excelente, visto que o Brasil ficou atrás apenas da maior potência - Estados Unidos - e à frente da Rússia, tanto por equipes como no individual geral.

A seleção realmente surpreendeu para uma primeira competição de um ano pós-olímpico. As séries, principalmente de Flávia e Rebeca, foram muito bem atualizadas com os exercícios que elas já executavam antes, rendendo boas notas no novo código de pontuação. As sequências na trave foram valorizadas e na paralela, apesar da nota D ainda estar um pouco abaixo do que elas realmente podem fazer, estão com séries mais curtas. Como consequência, ficam menos tempo em cima do aparelho e acabam por terem menos descontos.

Carolyne Pedro manteve a firmeza e segurança de sempre, sua principal característica. Thais Fidelis não conseguiu demonstrar todo seu potencial, competindo com séries mais simples em todos os aparelhos exceto trave. É impossível saber qual o real motivo da simplificação, mas o importante é que ela cresça até o fim do ano e consiga o auge do treinamento no Mundial do Canadá, onde pode contribuir para um belo resultado brasileiro.

Confira os resultados

Equipes

1 - EUA - 167.950
2 - Brasil - 164.650
3 - Rússia - 164.600

Completo.

Individual geral

1 - Riley McCusker (EUA) - 56,600
2 - Rebeca Andrade (BRA)  - 56,000
3 - Abby Palson (EUA) - 55,800
4 - Elena Eremina (RUS) - 55,750
5 - Flávia Saraiva (BRA) - 55,400
6 - Angelina Melnikova (RUS) - 54,675

Completo.

O campeonato continua amanhã com as finais por aparelhos a partir das 10 da manhã, horário de Brasília.

Post de Cedrick Willian

Foto: Divulgação

Com Marcos Goto, ginástica feminina tem a chance de se reinventar


Desde o fim dos Jogos Olímpicos do Rio, a ginástica feminina do Brasil tem passado por momentos complicados. Sim, nas classificatórias olímpicas a seleção feminina fez uma excelente competição, mas nas finais terminaram sem a tão sonhada medalha olímpica como também sem superar os melhores resultados do Brasil em uma edição dos Jogos. Desde então, queda nos investimentos e a partida de bons treinadores deixaram o futuro incerto.

Finalizado os Jogos - e depois de um investimento nunca visto na história da ginástica do país -, fomos obrigados a ver Alexander Alexandrov se despedir do Brasil. Até aí tudo bem, pensando que ficaríamos com os treinadores que mais tiveram acesso aos ensinamentos dele (restrito apenas a alguns), mas o que aconteceu foi que esses treinadores também foram embora, deixando a chama da esperança ainda menor.

Idealizando sobre a nova direção, é necessário falar sobre os treinadores que deixaram o país - principalmente Alexandre Cuia, Keli Kitaura, Ricardo Pereira -, assunto amplamente questionado e que divide ideias entre muitos do meio da ginástica. Alguns acham um absurdo o que aconteceu; outros, nem tanto. Fato é que, se foram embora, é porque as coisas aqui não iam bem. Se a oferta fosse boa, se o futuro parecesse próspero, por que desejariam abandonar todo o trabalho feito? O questionamento é maior e aponta um pouco mais de desespero na situação: se Alexandre Cuia, ex-treinador da Flávia Saraiva, finalista olímpica de trave, preferiu deixá-la e procurar novos rumos fora do país, qual a perspectiva dos treinadores que estão começando a carreira agora? Já pensou que existem vários estudantes de Educação Física, ex-atletas ou não, que sonham com uma carreira profissional como técnico de ginástica e, logo após os Jogo Olímpicos, enxergam uma situação dessas?

Não dá para julgar o que aconteceu. Ninguém além dos treinadores, atletas e comissão técnica, estava realmente a par de toda a situação que envolveu a ginástica nos últimos anos para dar uma opinião concreta sobre isso. Mas, analisando com a razão, quem continua no mesmo emprego quando está infeliz? Quem nesse mundo recusa uma oferta de emprego quando ela é muito melhor? Já parou para pensar que a Keli treinou a Rebeca Andrade desde os 6 anos de idade e quando Rebeca chegou nos Jogos Olímpicos, o momento mais sonhado pelas duas, a treinadora não teve a chance de estar com ela na arena? É triste ver todos esses bons treinadores que aprenderam tanto com Alexandrov indo embora, mas não é algo incompreensível. Se há um culpado por essa situação, esse culpado se chama "má administração". Foi ela a responsável por não oferecer condições atrativas, sejam de trabalho, financeiras ou de infra-estrutura, para que esses treinadores continuassem por aqui.

A ginástica feminina ainda vive da glória de Luisa Parente (que até hoje não teve seus ouros pan-americanos superados), Daniele Hypólito, Daiane dos Santos e Jade Barbosa. Entra investimento, sai investimento, e só conseguimos mais do mesmo. Sempre mais do mesmo. Um trabalho a longo prazo nunca é priorizado e toda vez que um ciclo olímpico termina bate um desespero e os questionamentos começam: quem vai continuar? Quem não vai? Onde está a nova safra de atletas e treinadores?

Nesse sentido, a administração todas as vezes deixou a desejar.. Com técnica extremamente apurada (direcionada por Ostapenko e Alexandrov) e método de treinamento antigo e defasado, a ginástica feminina do Brasil a cada ciclo sobrevive com ginastas cansadas, lesionadas, com treinos excessivos e pouquíssimo descanso. Agora, aparentemente, as coisas parecem caminhar para um sentido de mudança. É impossível definir, nesse momento, se a mudança será boa ou ruim, mas continuar do jeito que estava é insistir no erro por mais quatro anos.

Enquanto a ginástica feminina ainda aguarda sua primeira medalha olímpica (sem esquecer de valorizar as conquistas da Flávia nos Jogos Olímpicos da Juventude), a ginástica masculina já possui quatro. É um resultado discrepante se comparado à ginástica feminina, que já consegue competir com equipe completa em todos os Mundiais e Jogos Olímpicos desde 2001. A seleção masculina só conseguiu competir com equipe completa nos Jogos em 2016! Nada mais inteligente, nesse momento de crise, do que começar a analisar o sucesso da ginástica masculina e testar novos caminhos. Não dá pra engolir mais os métodos arcaicos e de sucesso a curtíssimo prazo que direciona a ginástica feminina desde sempre.

Dessa forma, Marcos Goto assume a direção da ginástica masculina e da ginástica feminina. Pode ser que daqui quatro anos todos percebam que, talvez, o melhor seria que tudo continuasse como estava, que aquilo mesmo era o melhor que o Brasil poderia ser. Entretanto, com tantos talentos promissores que já vimos o nosso país ter capacidade de produzir e nunca "chegar lá", testar novas formas e possibilidades é o mínimo que deveria ser feito. Essa é a chance que a ginástica feminina tem de se reinventar, algo que deu muito certo, por exemplo, no Japão.

Nesse momento, uma ponta de esperança no futuro aparece. Não de um futuro a curto prazo - com mais um treinador de altíssimo nível encabeçando a seleção e a promessa de medalhas em Tóquio -, e sim de um futuro que coloque o Brasil no topo para que nunca mais saia, mesmo que o caminho seja mais difícil e demorado. Esse parece ser o destino da seleção masculina e o profundo desejo dos que também admiram a seleção feminina.

Boa sorte Marcos Goto. Temos fé e esperança na mudança, assim como num trabalho bem direcionado.

Post de Cedrick Willian

Foto: Ivan Ferreira / Melogym / Gym Blog Brazil

O que a ginástica reserva para 2017? - Brasil


Finalmente a postagem sobre os juvenis brasileiros que passam a competir na categoria adulta esse ano. Como esse ano o foco está mais nos juvenis, resolvemos mesclar a ginástica feminina com a masculina, sendo que no masculino a estreia é muito aguardada e poderá ser um destaque da equipe masculina durante os próximos quatro anos. Um fato importante: esse ano aparecem na lista uma juvenil do Pinheiros e um juvenil do Minas Tênis Clube, o que sugere um pouco de evolução da ginástica do país.

Thais Fidelis

Essa sem dúvida é a maior promessa juvenil feminina para esse ano. Thais já está escalada para competir em Jesolo e tem, desde o ano passado, séries bem preparadas para o ingresso na categoria adulta. A ginasta tem linhas lindas, ótimo artístico e ótimos saltos de dança, sendo a paralela seu aparelho mais fraco. No salto, já possui um yurchenko com dupla pirueta muito bem executado e há rumores de que treina o amanar. No solo, possui duas sequências de bonificação valor 0,2: ligação direta de flic sem mãos + tripla pirueta; ligação indireta de pirueta e meia de costas + duplo twist. A trave é seu aparelho mais forte, onde pode ter maior destaque e, provavelmente, uma das séries mais difíceis do ciclo. Com uma sequência de flic + twist (0,2), uma sequência de flic + 2 layouts e vários ótimos elementos de dança, a ginasta tem potencial de 6,4 de nota D no código novo! Com todas as séries cravadas, Thais é um excelente potencial de medalha individual geral e por aparelhos no Mundial do Canadá como também nos Jogos de Tóquio.



Luisa Kirchmayer

Especialista em barras assimétricas, Luisa já competiu internacionalmente e foi até campeã do Gymnasíade no ano passado. Já figurou em finais do brasileiro adulto nesse aparelho, sendo este realmente seu grande destaque, apresentando grandes elementos e treinando boas sequências. No salto, até o ano passado executou o yurchenko com mortal esticado simples, mas muito potente e evolutivo. No solo, tem boa arte artística a bons elementos de dança; entretanto, as acrobacias ainda são um pouco fracas. A trave talvez seja seu segundo maior destaque: tem a sequência de flic + 2 layouts e elementos de dança que podem evoluir e fazer muita diferença na sua nota de dificuldade. Com formação no Fluminense e no São Bernardo, mas sem abandonar seu treinador, desde o começo do ano passou a treinar no Flamengo, e a presença de grandes espelhos do clube deve ser importante na ajuda do processo evolutivo.



Jackelyne Silva

Treinada no Pinheiros, Jackelyne realmente é uma ginasta desse clube que "vingou". Com uma base boa e que sugere potencial de evolução dentro das séries que já possui, Jackelyne entra para a categoria adulta com elementos que cumprem os requisitos em todos os aparelhos. Ainda tem erros para fixar e detalhes a serem acertados, mas sua consistência e acertos na maioria das séries podem fazer dessa novata uma das ginastas de maior sucesso do clube. Possui um yurchenko com mortal esticado bem potente no salto; um ótimo tsukahara no solo (os elementos de dança precisam de melhorias); sequência de maloney + pak e um jaeger altíssimo na paralela; trave básica e ainda contando com elemento de dança de valor A. Sem dúvidas as barras assimétricas é o seu melhor aparelho: com ótimos balanços é possível que a ginasta evolua mais nos elementos de voo, fator que permite boas ligações e notas D mais altas.



Anna Júlia Reis

Anna Júlia é um talento sendo construído. Ainda tem falhas de postura nos saltos de afastamento de pernas e nas barras assimétricas. Entretanto, apresenta muita segurança e firmeza durante suas séries, algo como uma vontade de ser boa. É interessante ver meninas assim, dando o melhor de si, mesmo quando o melhor ainda não é suficiente pra uma medalha. Nem sempre os maiores talentos estão nos campeões: raridade é encontrar talento adicionado de muito trabalho e esforço em um atleta! Anna Júlia parece ser dessas meninas que, de tanto trabalho e dedicação, ainda terão um lugar ao sol. A ginasta já conta com uma sequência de flic + 2 layouts na trave e melhorou muito nesse aparelho nos últimos dois anos. Destaque para 3 bons elementos no solo: um duplo twist, um tsukahara e um giro memmel muito seguro.



Bernardo Miranda

Simplesmente a promessa masculina mais aguardada na categoria adulta desde Arthur Nory em 2012. Bernardo completa seus 18 anos com uma bagagem extensa de participações em campeonatos internacionais e uma coleção de títulos nacionais. No Gymnasiade do ano passado, conquistou 4 ouros (equipes, individual geral, paralela e barra fixa), uma prata (solo) e dois bronzes (cavalo com alças e argolas). O ginasta tem um leque muito maior de elementos prontos do que usa em séries. Bernardo é realmente muito bom, com postura e execução praticamente impecáveis. Comparado com juvenis de outros países, ele se encontra muito bem no cenário internacional. Um dos fatores que podem fortalecer ainda mais o ginasta esse ano é a presença de Gabriel Faria (ex-ginasta do São Caetano) no Minas Tênis Clube. Gabriel também é muito talentoso e está no seu segundo ano adulto. Na verdade, ambos podem se impulsionar estando dentro do mesmo ginásio todos os dias, produzindo um ganho maior em qualidade de treino e motivação.

No vídeo abaixo, o ginasta é o primeiro a se apresentar no solo.



Post de Cedrick Willian

Foto: Ivan Ferreira / Melo Gym / Gym Blog Brazil

Overdose de ginástica no fim de semana: análise das Copas de Stuttgart e Baku



Com duas Copas do Mundo de Ginástica Artística acontecendo no mesmo fim de semana, uma challenge (Baku) e uma individual geral (Stuttgart), fica difícil acompanhar tanta coisa boa. O retorno de grandes atletas às competições internacionais e a estreia de juvenis na categoria adulta moveram a ginástica nesse sábado e domingo.

STUTTGART

Feminino

Numa competição cheia de erros o inesperado aconteceu: Morgan Hurd, americana estreante na categoria adulta, super cotada ao ouro nessa competição, acabou terminando em terceiro. Entretanto, o fato não pode ser desprezado: Hurd conseguiu o bronze com duas quedas na trave; com uma queda a menos já seria ouro, o que mostra toda a força dessa jovem ginasta.

Enquanto a favorita deixou escapar o ouro, Tabea Alt, dona da casa, errou nas barras assimétricas compensando o erro com acertos em todas as outras rotinas. Teve a melhor nota de trave, cravando uma ótima entrada de mortal esticado, assim como a sequência de estrela sem mãos + 2 layouts, que bonifica em 0,4. O solo também foi muito bem executado, fechando com a melhor nota nesse aparelho também.

A russa Angelina Melnikova ficou com a prata, mas, assim como Hurd, com um erro a menos também estaria com o ouro. A ginasta caiu na trave e teve erros nas chegadas de suas acrobacias no solo. Nesse último aparelho ainda está sem fôlego; entretanto, está bem melhor do que quando competiu no nacional russo, quando fez cada fã de ginástica do mundo morrer de susto nas chegadas perigosas em todas suas diagonais.

Eythora Thorsdottir estava num mal dia e não passou nem perto de seu real potencial nessa competição. Alice Kinsella, britânica estreante na categoria adulta, parecia um pouco apática durante toda a competição, e acabou sem destaque em nenhum aparelho, terminando na última colocação. Zhang Jin fez um bom trabalho no solo - apresentando um artístico quase raro para a China hoje -, e também na trave, mas deixou a desejar nas barras assimétricas e salto.

Masculino

Uma competição acirrada, do início ao fim, mas não que tenha sido exatamente boa de assistir. Com erros de praticamente todos adversários (só o japonês Kazuma Kaya não teve quedas), o ucraniano Oleg Verniaiev levou a melhor no final. E, mesmo assim, quase deixou o ouro escapar para o japonês.

Verniaiev esteve bem constante durante toda a competição e justamente na barra fixa, último aparelho, teve um erro extremamente dispensável durante um endo, o que ocasionou uma queda. Como tinha aberto uma boa distância dos adversários, principalmente por conta de suas notas de salto e paralela, acabou ganhando a competição. Destaque para a excelente série que executou nesse segundo aparelho conseguindo 15,600 (praticamente um 16,100 no antigo código).

Outros destaques isolados foram: Sun Wei no cavalo com alças; Allan Bower cravando um belo salto; Lukas Dauser e Kaya Zazuma na paralela.

Resultados completos.

Em Stuttgart também aconteceu o team challenge, competição que ainda não foi finalizada, e que terá seu resultado postado direto na página do GBB no Facebook.

BAKU

No masculino, as disputas de finais mais importantes ficaram na paralela, salto e cavalo com alças. Na paralela, os chineses dominaram, com Liu Rongbing e He Youxiao conquistando ouro e prata com nota de partida alta para o novo código: 6,4. Apesar de alguns erros de execução, as séries de ambos os ginastas estão muito boas e, fixadas, podem garantir boas finais. Destaque para o duplo mortal carpado ao apoio braquial da série executada pelo campeão.

Weng Hao, também da China, foi o campeão no cavalo com alças. O ginasta conseguiu vencer o campeão olímpico Krisztian Berki, que terminou com a prata, com muito merecimento. Hao se tornou sênior no ano passado, e apesar das suas chances de finais olímpicas nesse aparelho não foi selecionado para a equipe olímpica que competiu no Rio. Entretanto, Hao está mostrando para o que veio: com uma série levíssima e muito bem executada, é bem provável que esse ginasta esteja sempre entre os oito melhores nas finais mais importantes do ciclo.



O australiano Christoper Remkes, que agora é treinado sob o comando de Vladimir Vatkin - antigo head coach da seleção brasileira -, foi o campeão de salto com dois saltos de muito dificudalde: um dragulesco e um tsukahara carpado. No tsukahara, apresentou uma falha de postura nas pernas que deixou em dúvida a posição do corpo durante o salto. Entretanto, ambos os saltos tiveram ótima amplitude, mostrando muita potência nesse aparelho. Remkes também pode figurar entre os finalistas de salto durante todo o ciclo.



Um destaque à parte das finais foi do grego Eleftherios Petrounias, campeão olímpico que já se adaptou ao novo código de pontuação e segue conquistando os ouros nas competições de 2017.



Catalina Ponor fez uma bela competição e mostrou como pode evoluir em suas notas sem mexer nos seus antigos elementos. Teve uma nota de partida de trave maior do que a que conquistou na final olímpica, isso sem contar a sequência de flic + 2 layouts que vem treinando - e ainda não adicionou à série - e sem o antigo requisito de composição da saída (0,5). Com a nova série cravada, pode retornar aos pódios mais importantes nos próximos quatro anos. No solo já recuperou suas acrobacias, tendo que trabalhar mais nas aterrissagens. Suas séries foram suficientes para ouro nos dois aparelhos.





Oksana Chusovitina começou o ano bem e conquistou o ouro nas finais de salto em todas as competições que participou, mesmo sem ainda recuperar seus saltos mais difíceis. Uma grande surpresa na final de barras assimétricas: com Diana Varinska a Ucrânia volta a conquistar um ouro internacional para a ginástica feminina. Varinska está com uma série muito difícil e cheia de boas ligações. Fica a torcida para o sucesso durante o ciclo e o retorno da Ucrânia aos pódios importantes.

Apesar de não ter conquistado nenhum ouro no feminino, a Austrália levou para casa cinco medalhas (3 pratas e 2 bronzes). Destaque para Emily Little, responsável pela conquista de três delas, e que pode ser o maior destaque individual geral do país esse ano.

Resultados completos.

Masculino: solo, cavalo com alças, argolas, salto, paralela e barra fixa.
Feminino: salto, barras assimétricas, trave e solo.

Post de Cedrick Willian

Foto: DTB-Pokal

O que a ginástica reserva para 2017? - Parte 8


Mesmo as equipes que não foram top 8 nos Jogos Olímpicos tem suas atletas de destaque entrando para a categoria adulta. Confira outras boas juvenis que debutam esse ano.

Lorette Charpy - FRANÇA

Sem dúvidas a francesa tem as barras assimétricas como seu melhores aparelho, onde executa vários elementos de valor E. Foi nesse aparelho que foi finalista e bronze no Europeu Juvenil no ano passado, quando também foi finalista de trave e terminou em 4°. A trave é seu segundo melhor aparelho, onde apresenta a ousada sequência de reversão + mortal para frente, que bonifica 0,2. No solo, abre as diagonais com um belo duplo de frente, mas acaba pecando nos elementos de dança, que ainda precisam de trabalho técnico. No salto, seu aparelho mais fraco, apresenta um bom yurchenko com pirueta, com espaço para evolução.



Martina Maggio - ITÁLIA

Mesmo que ainda possua uma série de barras assimétricas inconstante, Martina Maggio é provavelmente a italiana mais completa que esse ano chega na categoria adulta. Possui um ótimo yurchenko com dupla pirueta no salto e boas acrobacias no solo, sobrando nos duplo mortais e executando a tripla e o tsukahara com uma certa facilidade, tendo ainda bons elementos de dança nesse aparelho. O mesmo acontece na trave, onde executa uma boa cortada em arco e o sheep jump, além da sequência de flic + 2 layouts. Martina foi campeã européia juvenil de salto sobre a mesa e colaborou com todas as suas três notas (só não competiu na trave) na final por equipes do mesmo campeonato.



Ioana Crisan - ROMÊNIA

Um pouco de alívio para a Romênia que, se trabalhar bem com as novas juvenis, pode ter um pouco de segurança nesse ciclo. Ioana chega na categoria para contribuir muito, com boas séries e bons elementos. Tem uma série de barras assimétricas bem completinha para uma romena, apresentando até uma sequência de stalder com pirueta + tkatchev. No solo, apresenta dois tsukaharas - grupado e carpado - e tem elementos de dança de dar gosto de ver. Já na trave os elementos perdem muita amplitude, mas ela consegue compensar na sequência de 2 flics + mortal esticado como também na saída de 2 flics + duplo carpado; ainda esbanja originalidade na sequência de oitava à parada + flic + layout. O salto ainda é fraco: Crisan até o momento executa apenas um yurchenko com pirueta.




Lynn Genhart  - SUÍÇA

Lynn é simplesmente a vice-campeã européia juvenil 2016 no individual geral e ainda finalista de barras assimétricas, onde terminou em 5° lugar. O que mais chama atenção em Lynn não são os elementos de alto grau de dificuldade ou séries espetaculares, mas sim sua base bem feita. A ginasta ainda tem como ponto positivo sua consistência, fator importantíssimo para a conquista da prata no europeu. Na ocasião, Lynn tinha se classificado para a final em 14° lugar, mas repetiu suas séries com confiança e acabou vencendo outras favoritas. Tem um balanço muito bom na paralela, habilidade que pode ajudá-la a desenvolver largadas mais complexas no futuro. Como a maioria já está acostumada, as ginastas suíças quase nunca despontam em seu primeiro ano adulto. É bem provável que Lynn seja uma surpresa maior para o fim do ciclo.



Maellyse Brassart - BÉLGICA

Maellyse não é tão impressionante quanto as juvenis/adultas do ano passado, que contribuíram de forma crucial para a classificação olímpica, mas ainda assim apresenta uma boa ginástica. Ao lado de Rinke Santy - que apesar de ter tido uma melhor classificação que Maellyse no europeu juvenil do ano passado acabou não aparecendo aqui - é a principal promessa belga para o ano. A ginasta vai acabar contribuindo e evoluindo mais na paralela, aparelho que o país vem se destacando; entretanto, sua segurança durantes as séries de solo e trave deixa sua ginástica bem agradável de assistir.



Post de Cedrick Willian

Foto: UEG Gymnastics