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Vanessa Ferrari renasce pouco antes dos Jogos começarem



Depois de sofrer com lesões e se apresentar com performances bem fracas durante esse ano, Vanessa Ferrari surpreendeu. A equipe italiana em nada se parecia com a equipe do ano passado, principalmente por conta do baixo rendimento de Vanessa mas, inesperadamente e bem próximo dos Jogos Olímpicos, a ginasta praticamente renasceu e vai direcionar a equipe por um bom caminho no Rio de Janeiro.

No começo do mês, no Nacional Italiano, Vanessa apresentou performances incomparáveis com as que vinha conseguindo desde o Mundial de Glasgow. Algumas até melhores do que as que conseguia antes da lesão, como é o caso do yurchenko com dupla pirueta no salto. Recuperada e com suas séries mais difíceis, novamente se coloca entre as melhores do mundo.

No solo, voltou com o duplo com dupla grupado e com o duplo esticado. Na trave, está com elementos de dança de alto valor, além da sequência de flic + flic + pirueta grupada; no geral, toda a série nesse aparelho está bem montada. Nas assimétricas, seu pior aparelho, parece ter apresentado uma melhora na postura dos trocos e giros. Ao que tudo indica, será a melhor italiana no individual geral.

Além de liderar a equipe, Vanessa vai ao Rio também com chances de finais por aparelhos: já foi finalista mundial de trave e finalista mundial e olímpica de solo. Com séries cravadas, é provável que consiga vaga em alguma final além de conduzir a equipe a um bom resultado. Quem não contava mais com uma boa disputa da Itália nos Jogos, pode começar a repensar suas ideias: Vanessa Ferrari voltou com tudo!

Confira as performances executadas pela ginasta no começo do mês.

Salto



Assimétricas



Trave



Solo



Post de Cedrick Willian

Foto: Divulgação

Mantendo a esperança em Rebeca Andrade


Depois da lesão séria que teve no joelho no ano passado, ficou uma grande dúvida se Rebeca Andrade voltaria, pelo menos, ao nível técnico que tinha antes. O treinamento e as séries estavam em um nível crescente e muito alto, que colocava a ginasta como peça principal no Mundial de Glasgow, tanto para a conquista da vaga olímpica como para possíveis medalhas individuais.

Entretanto, como a recuperação era lenta e difícil, o Mundial estava perdido, mas outra dúvida consumia a todos: será que vai dar tempo de Rebeca se recuperar antes dos Jogos? Ela vai poder ajudar a equipe? Claro que, sem a lesão, ela estaria em um nível muito melhor do que se encontra agora, mas é impossível negar que é uma grande surpresa ela voltar com tudo que está apresentando hoje, praticamente o mesmo nível técnico de julho do ano passado.

A ginasta já voltou a saltar o amanar, algo surpreendente por si só. Nem Aliya Mustafina conseguiu voltar com esse salto depois de se lesionar como Rebeca, e a nossa ginasta já está saltando com uma certa facilidade. Na trave, perdeu um pouco da dificuldade que tinha, mas com uma série inteligente e muito firme consegue tirar notas acima de 14 pontos. Nas assimétricas, melhorou o nível de dificuldade: está ligando o pak com o van leween como se fizesse há anos. A dúvida de todos ainda era o solo, onde a ginasta poderia ter uma chegada perigosa por falta de resistência e fôlego.

E é nesse último aparelho que Rebeca pode voltar a ter uma série competitiva antes dos Jogos começarem. No treino de anteontem, no CEGIN em Curitiba, a ginasta apresentou uma série de solo com dois tsukaharas grupados: um na primeira e outro na terceira passada. As outras diagonais foram de dupla e meia de costas + pirueta de frente e duplo carpado na última. Treinando na chegada macia, fez o tsukahara com meia volta, indicando que o exercício pode entrar na série e ainda levar seu nome se executado corretamente nos Jogos.

Ainda nesse treino, foi a única ginasta a não cair na trave de equilíbrio, apresentando todas as sequências com segurança e um duplo carpado de saída muito alto. Também foi bem firme no salto e nas assimétricas, mostrando que pode sim continuar lutando por uma ótima posição no individual geral olímpico, além, é claro, de ajudar a equipe a conseguir uma colocação histórica.

Treino das outras ginastas

Daniele Hypólito se mostrou muito consistente na trave e caiu apenas uma vez na entrada de dois layouts. Ligou a sequência de mortal esticado ligado a um wolf jump e treinou uma sequência de duas estrelas sem mãos. No solo, treinou o duplo esticado, as duas sequências de piruetas e o duplo carpado vindo do flic sem mãos, mostrando que essas podem ser as acrobacias de sua série.

Flávia Saraiva demorou um pouquinho a pegar ritmo na trave e depois acertou a série inteira. No solo, está com a mesma série de Anadia, mas fez vários duplos esticados depois da série. Jade Barbosa apresentou o duplo esticado na primeira passada da série de solo, flic sem mãos + tsukahara na segunda passada, pirueta e meia+ pirueta na terceira e terminou de duplo carpado. Fez séries de trave consistentes e ligou o mortal para frente com wolf jump e o giro de pernas C com o giro simples, duas ligações de um décimo. Nas assimétricas, está com a série bem firme e apenas com o tkatchev um pouco baixo.

Lorrane dos Santos fez um treino normal, com todas as coisas que já vinha apresentando e uma melhora nos lançamentos à parada nas assimétricas. Julie Kim treinou trave, paralela e algumas acrobacias no fosso. Milena Theodoro fez uma série interessante nas assimétricas, com ligação de maloney + pak e giro de solo + van leween, além de um jaeger.

Post de Cedrick Willian

Foto: Ivan Ferreira / Gym Blog Brazil

Vasiliki Millousi muda sua série de trave e aumenta as chances de um bom resultado


Todos conhecem a ginasta grega Vasiliki Millousi por seu estilo e originalidade nas séries, principalmente na trave, onde tem boas dificuldades e bons resultados. Apesar de estar com frequência nas finais desse aparelho, principalmente em Copas do Mundo de Ginástica, Millousi sempre acaba falhando em algum elemento e ficando fora do pódio.

O momento da série onde a ginasta tem falhas mais comuns costuma ser na saída. Aparentemente não consegue ter fôlego para segurar a rotina até o fim. Quase sempre você a assiste fazendo uma série cravada e no final... uma queda! Talvez por tentar uma saída mais difícil (a última foi de duplo carpado, valor E) para pontuar mais, só que o efeito acaba sendo contrário.

Dessa vez, para os Jogos do Rio, Millousi aparentemente trocou sua saída: no Instagram a ginasta postou a saída de pontapé à lua esticado, de valor D. Simples, porém funcional: cumpre com o requisito máximo da série (0,5 para saídas de valor D ou mais) e tem apenas um décimo a menos que o duplo carpado problemático. As chances de ter uma queda com a nova saída são infinitamente menores, então a substituição não reduz um décimo na nota D e sim aumenta um ponto na nota final.

Com uma série toda cravada e com a beleza autêntica que possui, é provável que a mudança traga resultados ainda melhores para Millousi. Seu resultado mais importante, fora as várias medalhas em Copas do Mundo, é o ouro na trave no Evento Teste de Londres em 2012.

Millousi teve sua estreia nos Jogos Olímpicos em 2000, Austrália, no mesmo ano de Daniele Hypólito. Entretanto, não participou das edições de 2004 e 2008, retornando em 2012. Daqui a poucas semanas estará nos Jogos do Rio, sua terceira participação nos Jogos, e tentando acertar sua série completa mais uma vez. Será que agora vai?

Vídeo com a saída.



Vídeo do começo da série.



Post de Cedrick Willian

Foto: Getty Images

Sobre a acusação de abuso sexual contra técnico da seleção


Caiu na mão da imprensa a notícia de que Fernando de Carvalho Lopes, treinador da seleção masculina e do Clube MESC, está sendo acusado de abuso sexual. Um procedimento está instalado no Ministério Público do Estado de São Paulo contra o treinador em segredo de Justiça. A acusação foi feita por pais de um ginasta menor de idade que até recentemente treinava com Fernando.

O treinador está afastado do clube que treina, da Confederação Brasileira de Ginástica e dos treinos da seleção. É bem provável que ele não esteja em ação nos Jogos Olímpicos que começa em menos de um mês; mais precisamente, a ginástica artística masculina começa sua participação com o treinamento de pódio no dia 04 de agosto.

O Gym Blog Brazil recebeu algumas mensagens, até de contatos fora do país, questionando sobre o caso e resolvemos nos posicionar a respeito.

1) O que sabemos sobre o caso é exatamente o que foi lançado na imprensa. O caso corre em sigilo, então as informações são restritas.

2) Uma acusação é diferente de uma condenação: tome cuidado ao conversar ou divulgar o ocorrido.

3) Até que a acusação seja confirmada através de provas, Fernando, apesar de estar sob investigação, continua inocente.

4) A postura da Confederação Brasileira de Ginástica foi correta e protege a todos, inclusive o treinador que poderia ter sua imagem relacionada de forma negativa num evento esportivo tão grande.

O mais estranho de tudo foi o caso estourar no período final que antecede os Jogos Olímpicos. Se a acusação não for comprovada, ou pior, se for falsa, o treinador terá sido severamente prejudicado, tanto pessoalmente como profissionalmente. Por outro lado, um caso comprovado de abuso sexual de menores é algo muito grave e de uma monstruosidade sem tamanho.

Não queremos tomar partido de nenhum lado nem nos apegar numa investigação que ainda não foi finalizada. Prezamos pelo bem da ginástica do Brasil desde sempre e esperamos que o caso se resolva com rapidez. Se no final houver algum culpado, seja de uma falsa acusação ou de um abuso sexual, que este seja realmente punido.

Post de Cedrick Willian

Foto: Divulgação

Lesões pré-olímpicas e suas perdas


Como sempre, o ano olímpico é um ano recheado de lesões. As mais infelizes são aquelas que acontecem de última hora, exatamente nos meses que antecedem aos Jogos. Algo normal de acontecer mas muito triste para os ginastas que, além de terem participado da conquista da vaga olímpica do país, também batalharam para a conquista de sua vaga na equipe.

Até o momento, nesse mês que antecede os Jogos, duas baixas olímpicas muito importantes já aconteceram: a primeira foi da ginasta belga Axelle Klinckaert, juvenil promissora que chegou à categoria adulta esse ano e foi mais do que importante no Evento Teste, quando suas notas contaram muito para a equipe que conquistou o direto de levar uma equipe completa para os Jogos Olímpicos depois de muitos anos. Axelle estava trabalhando em upgrades e poderia fazer de sua participação nos Jogos uma das mais importantes da história de seu país. Será substituída por Runne Hermans.

A segunda acaba de acontecer: o americano John Orozco acaba de ser cortado dos Jogos por conta de uma lesão no joelho - rompeu o ligamento cruzado anterior. No ano passado o ginasta já havia superado a morte da mãe e uma lesão no tendão de aquiles. Conseguiu se recuperar e voltar a tempo de disputar muito bem os campeonatos avaliativos, conquistando uma vaga na equipe olímpica. O ginasta Danell Leyva será o substituto de Orozco, fazendo dos Jogos do Rio sua segunda participação olímpica.

Espera-se que mais nenhuma lesão aconteça. Não é apenas uma questão de sonhos serem acabados de forma inesperada, mas uma perda para o esporte como um todo. A competição mais importante do mundo acontece depois de uma fina peneirada feita em todos os países até se chegar a conclusão de uma equipe com 5 ginastas. Toda essa seleção faz do esporte mais bonito ainda mais belo! Pensando assim, todos perdem: o ginasta, o sonho de competir nos Jogos Olímpicos; o país, suas chances de um bom resultado; os espectadores, as chances de assistir mais uma excelente apresentação.

Post de Cedrick Willian

Foto: Getty Images

Dividindo opiniões, Diego vai competir no Rio



Foram anunciados pela Confederação Brasileira de Ginástica os nomes dos ginastas que vão compor a seleção olímpica nos Jogos do Rio. Enquanto era do senso comum que as ginastas selecionadas para a equipe feminina realmente deveriam ser as indicadas, a equipe masculina ainda dividia opiniões. A questão era simples: Diego Hypólito ainda tem chances de medalha? Sua série ainda é competitiva? Mas outra questão maior pairava entre os fãs de ginástica: colocar Diego na equipe prejudica as chances da equipe se classificar para a final? Agora a questão ficou complicada. Vamos por partes!

A divisão de opiniões sobre a participação de Diego era maior por conta da equipe, mesmo a comissão técnica deixando bem claro que o foco do Brasil no Rio é conquistar o maior número de medalhas. Entenda: com Diego nos Jogos, as chances do Brasil se classificar para a final por equipes realmente diminuem; sem Diego, que possui um histórico de duas quedas olímpicas, uma equipe que se classificasse para a final renderia mais 18 apresentações para o Brasil além das 24 apresentações nas classificatórias. O medo é que, com Diego, o Brasil perca suas 18 possíveis apresentações e ele nem se classifique para a final. O risco de perder apresentações do Brasil realmente é menor, mas as chances de medalhas aumentam ou diminuem?

A seleção masculina que o Brasil possui hoje é a melhor de todos os tempos, mas as chances de medalha numa final por equipes são muito pequenas, e ainda menores que as chances de Diego Hypólito conquistar uma medalha numa final de solo. Cortar Diego dos Jogos Olímpicos justificando que ele não possui chances de medalhas é algo injusto, porque, mesmo depois de tantos anos e depois de duas quedas olímpicas (é bom frisar isso novamente), Diego não é mais um favorito à medalha, mas continua entre os melhores do mundo. Se Diego estiver na final, tudo pode acontecer.

Muitos acreditam e citam alguns ginastas melhores e com mais chances de medalhas que Diego, com potencial de nota acima de 15,600: os japoneses Kenzo Shirai – claro –, Kohei Uchimura e até Ryohei Kato; o russo Dennis Ablyazin; o britânico Max Whitlock e algum outro britânico; os americanos; algum chinês que poderia surpreender. Mas vamos aos resultados das competições: no último Campeonato Mundial, Max Whitlock conquistou a prata com 15,566 e o espanhol Rayderley Zapata conquistou o bronze com 15,200; no mesmo Mundial, Diego conseguiu 15,250 na final por equipes, nota que teria dado o bronze para ele na final. No Campeonato Europeu, Dennis Ablyazin nem se classificou para a final, que teve como campeão outro russo nunca citado, Nikita Nagornyy, que conquistou o ouro com 15,566. No Campeonato Americano, Jake Dalton foi ouro com inflados 15,525 e 15,825, maior nota de solo da competição.

Desde o princípio, a comissão técnica masculina já tinha deixado bem claro que a escolha da equipe seria em torno das maiores chances de medalhas e uma medalha por equipes é, de longe, mais difícil que uma medalha para Diego no solo. Não é surpresa alguma que Diego esteja entre os selecionados. Em 2014 e 2015, quando foi cortado da seleção que competiria o Mundial, alegaram que o foco era a equipe; portanto, a decisão de cortar Diego foi correta. Para uma final por equipes temos notas que cobrem os melhores aparelhos de Diego enquanto o contrário não acontece. Mas, como o foco é medalhas, mesmo que Diego ainda não seja o favorito como sempre foi durante muitos anos, ainda há uma chance que ele consiga. Pequena? Sim, mas existe.

Mesmo com Diego na equipe ainda é possível que o Brasil se classifique para a final. Seria lindo e emocionante ver uma equipe completa numa final olímpica, tanto quanto seria ver Diego se classificando e, quem sabe, medalhando na final de solo. Fica uma torcida bem grande para que Diego saia satisfeito dessa competição e exorcize de vez esse fantasma da queda. E, se uma medalha vier, que seja motivo de muita comemoração! No Brasil, como tudo é inverso, mais medalhas significa mais investimento e apoio. E assim, quem sabe, o esporte continue evoluindo e não caia no esquecimento depois dos Jogos terminarem.

Post de Cedrick Willian

Foto: Ivan Ferreira / Gym Blog Brazil