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O que a ginástica reserva para 2016? - Parte 2


Segunda parte da série "O que a ginástica reserva" de 2016.

CHINA

Liu TingTing

Principal estreante chinesa esse ano, foi apontada como a melhor ginasta juvenil chinesa entre 2012 e 2015. Possui boas séries em todos os aparelhos e tem boas dificuldades. Sua especialidade é as barras assimétricas, onde faz uma saída de tsukahara esticado (E) e tem 6.6 de dificuldade alinhada uma execução formidável. No salto faz um yurchenko com dupla pirueta com boa postura. Tem 5.7 de dificuldade no solo, onde o artístico domina: duplo giro em L e um semenova (duplo giro em atittude) estão presentes em sua série. Na trave (seu segundo melhor aparelho) faz 6.5 de dificuldade contando com uma saída de rondada + tripla pirueta (F). TingTing lembra muito a Jinnan Yao em 2011, mas tem tudo pra ser ainda melhor. Se continuar evoluindo assim irá fazer sua estreia nos Jogos Olímpicos do Rio como a principal "all-arounder" da equipe.



Luo Huan

Também estreante na categoria adulta, possui boas dificuldades e ótima evolução ao longo da carreira, essa que realmente começa esse ano. Huan é campeã nacional individual geral de 2013 e também campeã de trave e solo. Possui como melhor aparelho as barras Assimétricas, que parte de 6.6 e tem potencial enorme para ser ainda mais difícil. Sua série de trave parte de de 6.5, além de saltar yurchenko com dupla pirueta e partir de 5.7 no solo, onde tem uma parte artística bem interessante.


Tan Jiaxin

Uma das melhores ginastas chinesas desde 2013, Jiaxin possui boas séries em todos os aparelhos, exceto trave. Tem como especialidade as barras assimétricas, onde parte de incríveis 6.9. Tinha grandes chances de ser finalista nesse aparelho no último mundial, mas uma queda em um dos trocos da série acabou por deixá-la fora. Nesse aparelho, a ginasta tem movimentos muito difíceis como um Hindorff (E) e a saída de valor máximo nas assimétricas: um Ray (G), que consiste em um duplo mortal esticado com duas piruetas. A ginasta tem um ótimo yurchenko com dupla pirueta (5.8), tanto que no teste interno que aconteceu em setembro de 2015 a ginasta tentou um amanar, mesmo com uma pequena lesão no ombro que a incomodava. Seu solo parte de 5.7 e é muito interessante. Com certeza será uma das chinesas mais expressivas à disposição dos técnicos chineses para integrar a equipe olímpica.


Wang Yan

Melhor saltadora chinesa do ciclo e ótima ginasta de solo, com certeza pontos muito fortes a favor dessa ginasta, pontos que fazem o seu nome ser praticamente garantido na equipe olímpica. Desde 2008 a equipe chinesa sofre com a falta de ginastas fortes de perna e, finalmente, Yan é uma ginasta que contribui bem nesse quesito. Além desses dois aparelhos, é muito boa na trave, aparelho em que foi finalista em Glasgow (5º) e campeã olímpica da juventude em 2014. No salto, também foi campeã olímpica da juventude e finalista em Glasgow (6º). Sua trave parte de 6.4 e seu solo parte de 6.2; no solo apresenta acrobacias muito fortes, como um silivas (duplo com dupla grupado), e a sequência de pirueta e meia ao passo para a tripla de costas seguida de mortal para frente. Entretanto, seus elementos de dança ainda tem execução muito fraca. Contribui bem para a equipe em tudo, exceto nas barras assimétricas, onde tem uma série fraca principalmente se tratando de uma chinesa. Felizmente esse não é um problema para entrar na equipe, essa que conta com excelentes barristas.


Shang Chunsong

Excelente all-arounder, fica faltando apenas um salto mais forte para uma medalha nessa final. Chungong tem séries fortíssimas no solo, trave e barras assimétricas, mas no salto, seu ponto fraco, apresenta apenas um yurchenko com pirueta esticada. Um upgrade nesse aparelho para um yurchenko com dupla pirueta a colocaria como uma forte candidata ao pódio olímpico individual geral, já que terminou em 4º no Mundial de Glasgow. Foi ainda finalista de solo e barras assimétricas, onde terminou em 4º e 6º lugares respectivamente. No ano passado, na Copa do Mundo de São Paulo, foi campeã de trave. Validou toda a dificuldade da sua série, conseguindo 6.7 de dificuldade e 15.400 de nota final, mostrando a sua potência e força para a equipe.



Yao Jinnan

Campeã mundial de barras assimétricas em 2014, Jinnan acabou não competindo o Mundial de 2015 por conta de uma lesão no ombro ocorrida quando executava uma saída de duplo esticado com dupla pirueta nas assimétricas. Recuperada da cirurgia feita em 2014 para corrigir a lesão, voltou a treinar em outubro do ano passado. No Mundial de 2014, em alguns vídeos de treinamento, sabe-se que a ginasta já estava executando seu duplo esticado no solo. Também está treinando os giros mustafina e semenova no solo para aumentar sua nota de dificuldade nesse aparelho. Pode chegar nas Olimpíadas como principal "all-arounder" chinesa, já que tem a série de barras assimétricas mais difícil do ciclo, um yurchenko com dupla pirueta no salto e solo e trave bons. Em entrevista recente, a ginasta afirmou que irá aos Jogos do Rio em busca do único título que lhe falta: o de campeã olímpica. Jinnan já foi campeã mundial, nacional, asiática e de copas do mundo, faltando apenas o título olímpico, esse que tem grandes chances de acontecer em 2016. Seu treinador mudou seu nome para Yao Ziyi, com o objetivo de trazer sorte para a ginasta nas próximas competições.



Post de Cedrick Willian e Lucas Victor.

Esse é o segundo texto de 2016 da série " O que a ginástica reserva". Todo fim / começo de ano faremos postagens sobre os maiores nomes que competirão no ano seguinte. O último texto será exclusivamente escrito sobre ginastas do Brasil.

Foto: Divulgação

Retrospectiva 2015


Muitos fatos marcaram a ginástica artística positivamente em 2015. Dentre todos, e para nós, acredito que a inédita classificação olímpica da equipe masculina do Brasil seja o mais marcante de todos. Mas nem só de bons momentos viveu a ginástica esse ano: fatos ruins também pontuaram a trajetória do esporte nesse período.

Para o Gym Blog Brazil, esse foi um ano muito bom e temos muito a agradecer. Começamos o ano bem, cobrindo a Copa do Mundo de São Paulo. Depois fomos ao Brasileiro Infantil, ao Mundial de Glasgow e finalizamos o ano no Campeonato Brasileiro Adulto. O que aconteceu nesse último é uma página virada que, em breve, terá sua história finalizada.

Voltamos de Glasgow com a dúvida se essa cobertura foi a melhor que já fizemos. Isso porque lembramos do Evento Teste em 2012, onde a emoção foi pouca perto do que passamos na Escócia. Mas, falando em recursos e pessoal do blog, Glasgow foi o melhor que fizemos até hoje. Num total de 4 pessoas, tivemos fotos, vídeos, análises, comentários em tempo real e os "score alerts", que deixou a torcida ainda mais emocionante

A boa parte disso tudo foi voltarmos empolgados em querer investir mais, fazer mais, produzir mais, e a impulsão disso tudo é o amor à ginástica, em primeiro lugar, e o retorno de vocês que nos acompanham e estão do nosso lado sempre. Firmamos uma parceria com nós mesmo, 4 amigos que estão juntos e mais dispostos do que nunca a trabalhar expondo opiniões, noticias e ideias, assumindo tudo isso de forma justa e com caráter e dignidade.

Para 2016 temos o Evento Teste, a Copa do Mundo de São Paulo e, finalmente, as Olimpíadas. Além disso estamos com outros projetos e ideias, como estarmos presentes no máximo de Campeonatos Brasileiros possíveis. Como fãs e amantes do esporte, sabemos a importância de cada competição, e isso não exclui as categorias de base.

Espero que tenhamos vocês por perto em 2016, acompanhando tudo o que estivermos dispostos a fazer. Afinal, tudo contribui com a boa intenção de difundir o esporte no nosso pais através desse canal. Antigos leitores, novos leitores, críticos, amantes, "haters", ginastas e treinadores: todos vocês, da sua forma, contribuem para o crescimento da ginástica do Brasil. Continuem!

Fatos que marcaram 2015

Janeiro

- Depois de anos sem um ginásio completo para o treino das seleções, o Centro de Treinamento do Rio ficou pronto e finalmente inaugurado.

- Sérgio Sasaki passa por cirurgia para reparar o joelho lesionado na última Copa do Mundo de 2014.

- O ex-ginasta francês Thomas Bouhail, que por conta de uma cirurgia mal-sucedida na perna teve sua carreira como ginasta encerrada, assumiu um dos cargos de treinadores da seleção francesa.

- Os romenos Marian Dragulescu e Catalina Ponor anunciam volta aos treinos.

- Vladimir Vatkin abandona o Brasil e a seleção masculina de ginástica.

Fevereiro
- O americano Jonathan Horton compete mal na Winter Cup e fica fora da seleção americana.

- A campeã olímpica de solo Alexandra Raisman participa dos treinos no rancho da Karolyi e volta para a seleção americana.

- O japonês Kenzo Shirai impressiona o mundo com excelentes exercícios na barra fixa e paralela, se firmando ainda mais na equipe japonesa.

- Novo regulamento do campeonato brasileiro contou com bonificações para o aumento de dificuldades das séries.

Março

- Victor Rosa encerra a carreira de ginasta e inicia a de treinador.

- Simone Biles e Oleg Verniaiev vencem a American Cup.

- Lesionado, Larisa Iordache é cortada do Campeonato Europeu.

- Montreal é escolhida como sede do Mundial de 2017.

- A britânica Gabrielle Jupp se lesiona mais uma vez e fica fora de toda a temporada.

- Sandra Izbasa também anuncia volta aos treinos, fato não concretizado.

- O alemão Andreas Bretschneider sofre uma lesão no tendão de aquiles e fica como dúvida para o Mundial.

Abril

- Rebeca Andrade estreia na categoria adulta como uma medalha de bronze nas barras assimétricas na Copa do Mundo de Ljubljana.

- Falece a ex-ginasta russa Natalia Brovova.

- A suíça Giulia Steingruber sagra-se campeã européia. Oleg Verniaiev vence a competição masculina 15 anos depois do último título ucraniano.

- Doha é escolhida como sede do Mundial de 2018.

- Promessa juvenil se tornando senior esse ano, Milena Theodoro se lesiona seriamente e perde as chances de tentar uma vaga para o Mundial.

Maio

- Brasil recebe a Copa do Mundo de Ginástica Artística em São Paulo.

- Flávia Saraiva conquista 15.150 na final de trave e consegue a prata em sua primeira competição na categoria adulta.

- Equipe olímpica é reduzida de 5 para 4 ginastas a partir de 2020.

- Jade Barbosa se recupera de cirurgia e é completamente liberada para voltar aos treinos.

- O Brasil se revolta com a situação de racismo contra Ângelo Assumpção envolvendo ginastas da seleção.

- Flávia Saraiva conquista o ouro e Rebeca Andrade a prata no Fit Challenge 2015.

Junho

- Depois de quase 2 anos competindo NCAA, a americana Brenna Dowell resolveu voltar à ginástica de elite americana e foi bem sucedida: mais tarde, em outubro, conquistou vaga na equipe que competiu o Mundial de Glasgow.

- Rússia vence a competição por equipes masculina e feminina na estreia dos Jogos Europeus.

- Aliya Mustafina e Oleg Verniaiev conquistam o ouro no individual geral nos Jogos Europeus.

- Corte de gastos acaba com a ginástica do Grêmio Barueri, clube que hospedava Roger Medina e várias promessas juvenis que acompanhavam o treinador.

- John Orozco se lesiona e fica fora de toda a temporada.

- Rebeca Andrade, esperança do Brasil no Mundial, rompe os ligamentos do joelho e fica fora de toda a temporada. A falta da ginasta foi sentida mais tarde no Mundial.

Julho

- Oleg Stepko, ginasta ucraniano nacionalizado no Aerbaijão, recebe o referente a 1 milhão e 600 mil reais do governo do país pela conquista de medalhas nos Jogos Europeus.

- Ellie Black é campeão pan-americana e Flávia Saraiva termina com o bronze.

- Fora do pódio no Pan de 2011, seleção feminina do Brasil termina com o bronze enquanto a seleção masculina, campeã em 2011, termina com a prata.

- Seleção feminina do Japão impressiona o Mundo com sua brilhante participação no Campeonato Asiático.

Agosto

- Competição masculina do EYOF é pautada por notas de execuções altíssimas e excelente limpeza das séries.

- Ainda nos EYOF, equipe belga se destaca com duas promessas juvenis com idade para 2016: Nina Derwael e Axelle Klinckaert.

- Sam Mikulak e Simone Biles vencem o Campeonato Americano.

- Brittany Rogers anuncia o desejo de voltar a representar o Canadá em um Mundial, fato concretizado em Glasgow.

- Gabrielle Douglas é selecionada para os treinos da equipe americana visando o Mundial.

- Anunciado o retorno de Larisa Iordache.

Setembro

- Por conta de lesões, Alexandr Balandin e Aliya Mustafina são cortados do Mundial de Glasgow.

- Suttgart é confirmada como sede do Mundial de 2019.

- Thauany Lee conquista seu primeiro resultado internacional, um bronze nas assimétricas em Osijek.

- Em seu retorno às competições, Larisa Iordache vence Nacional Romeno.

- Outra ginasta importante para o Brasil se lesiona: dessa vez a seleção perde Julie Kim.

- Sérgio Sasaki passa por nova cirurgia, dessa vez no braço, e fica fora do Mundial Pré-Olímpico.

Outubro

- Notícias de que Oleg Ostapenko deixaria o Brasil começam a circular e deixam todos apreensivos.

- Enquanto Holanda tem classificação histórica no Mundial Pré-Olímpico, na ginástica feminina o Brasil termina em 9º por equipes e tem que competir o Evento Teste em Abril.

- Brasil conquista inédita classificação por equipes masculina para as Olimpíadas.

- Simone Biles e Kohei Uchimura conquistam mais um título mundial e se tornam lendas da ginástica.

- Campeã olímpica em 2012. Gabrielle Douglas conquista vice no Mundial.

- Japão conquista título Mundial por equipes masculina e China termina com o bronze.

- Dipa Karmakar, ginasta da Índia, conquista feito histórico se classifica para a final de salto no Mundial.

- Com duas medalhas no Mundial Pré-Olímpico, Manrique Larduet coloca Cuba de volta ao cenário da ginástica Mundial.

- Enquanto Zanetti não se classifica para a final de argolas, Arthur Nory entra para a final de barra fixa e termina em 4º lugar.

Novembro

- Lorrane dos Santos vence o Campeonato Brasileiro Adulto e conquista seu primeiro título.

- Daniele Hypólito é diagnosticada com uma bactéria nos rins e abandona o Campeonato Brasileiro de Ginástica.

- Gym Blog Brazil é expulso da área de imprensa do Campeonato Brasileiro de Ginástica Artística, sediado no Minas Tênis Clube em Belo Horizonte.

- Confirmada a saída de Oleg Ostapenko do CEGIN.

Dezembro

- Melhor notícia: Roger Medina e está de volta e assume o CEGIN a partir do dia 4 de janeiro de 2016.

- Anna Pavlova se aposenta e mostra interesse em investir na carreira de treinadora.

- Oksana Chusovitina mostra muita força no fim do ano postando um vídeo onde executa um chusovitina (duplo esticado com pirueta).

- A ginasta belga Lisa Verschueren é diagnosticada com um problema cardíaco, passa por uma cirurgia e é forçada a abandonar o esporte.

Post de Cedrick Willian

Foto: Momento especial capturado por Ivan Ferreira entre Simones Biles e Gabrielle Douglas. campeã e vice-campeã mundial. 2 negras são as melhores ginastas do Mundo na atualidade! Melhor foto de 2015.

O que a ginástica reserva para 2016? - Parte 1


Primeira parte da série "O que a ginástica reserva" de 2016. Seguiremos a regra de sempre: post sobre as oito melhores equipes de acordo com o ranking do último Mundial (se necessário mais um post de outros países relevantes) e os dois últimos posts sobre a seleção feminina e masculina do Brasil. Acompanhe!

ESTADOS UNIDOS

Lauren Hernandez

É dona da coreografia de solo mais ousada da atualidade, criada por ela mesma. A jovem atleta tem muita personalidade e execução correta em praticamente tudo o que faz. Despontou sua carreira na ginástica em 2013, quando sagrou-se vice campeã nacional juvenil no individual geral. Perdeu grandes chances em 2014, por conta de duas lesões que sofreu quase consecutivamente: a primeira foi uma fratura na mão e a segunda uma ruptura no tendão da patela, resultado em seis meses de recuperação. Chegou em 2015 com sede de vitória e com upgrades em quase todos os aparelhos. Suas principais melhoras vieram nas barras, onde a ginasta tem uma série de 6.1 de dificuldade com muito boa execução, apresentando um Downie (stalder pra tkachev carpado) e uma excelente sequência de Ricna (stalder pra tkachev afastado) ligado diretamente a um Pak (passagem pra barra baixa). No salto, a ginasta realiza consistentemente um belo yurchenko com dupla pirueta. Na trave, o destaque vai para a belíssima extensão nos saltos ginásticos e ótima postura nas acrobacias, o que lhe rende notas próxima dos 15 pontos, mesmo tendo apenas 5.700 de nota de dificuldade. Mas é no solo que a nova sênior mostra sua força. Seu cartão de entrada é um altíssimo duplo twist grupado ligado um salto stag. Mantém boa postura e dificuldade na segunda passada, mortal esticado + Tarasevich (dupla pirueta frontal) + mortal pra frente grupado, rendendo 0.2 de bonificação. Todo essa força nos quatro aparelhos (principalmente na execução) garantiu à Hernandez o titulo nacional juvenil no individual geral em 2015. Alinhando sua boa execução a alguns décimos a mais de dificuldade, suas chances de conquistar uma vaga na equipe olímpica são grandes.



Norah Flatley

Da mesma escola de Shawn Johnson, muita precisão parece ser a principal característica dessa promessa juvenil que se torna sênior em 2016. Flatley não tem um individual geral muito forte, mas melhorou muito suas séries em pouco tempo. Apresenta um yurchencko com dupla pirueta no salto, uma série de barras assimétricas limpa e com potencial de evolução, um bom solo e uma excelente trave. Talvez seja nesse último aparelho que apareça alguma oportunidade de entrar na equipe. Atualmente, a trave talvez seja o aparelho mais fraco da equipe americana e Flatley tem potencial não só para a ajudar a equipe como para garantir uma possível final olímpica nesse aparelho. A ginasta fez um bom trabalho em Jesolo esse ano e, dentre as que se tornam sênior no ano que vem, fica ao lado de Hernandez como uma das principais concorrentes a um lugar na equipe americana.



Gabrielle Douglas

Depois de um hiato de 3 anos, Gabrielle Douglas voltou às competições oficiais em grande estilo. Conseguiu vaga na equipe americana que disputou o Mundial de Glasgow e terminou com a prata no individual geral, atrás apenas de Simone Biles, e ainda foi finalista de barras assimétricas. É tida por muitos como a principal adversária de Biles no individual geral, podendo ameaçar o ouro olímpico da ginasta fenômeno. Reza a lenda que a campeã pré-olímpica nunca consegue ser campeã olímpica! Será que Douglas pode conquistar o ouro olímpico em 2016? Apesar de já ter voltado muito bem esse ano, Douglas tem potencial para evoluir e ainda pode mostrar upgrades em suas séries. Não recuperou seu amanar no salto e pode conseguir séries de solo e assimétricas mais difíceis das que apresentou no Mundial. A diferença entre Douglas e Biles foi pequena, algo muito expressivo para quem ficou parada tanto tempo. A ginasta está numa forma física muito boa, tem a 2ª melhor série de barras assimétricas da equipe e, com tanto potencial e resultado, é certo que veremos Douglas novamente na seleção americana em 2016.



Simone Biles

Essa dispensa comentários. Seus resultados falam por si só: 14 medalhas em Campeonatos Mundiais, sendo 10 delas de ouro. A melhor ginasta do mundo na atualidade - e provavelmente a melhor da história, ao menos tccnicamente -, chega em 2016 como favorita ao ouro olímpico em pelo menos 4 das 6 finais em disputa na ginástica artística feminina. E mesmo conquistando tantos títulos, a ginasta norte-americana não se dá por satisfeita e tenta sempre se superar em relação à dificuldade de suas séries. O que ela apresenta atualmente em competição, apesar de surpreendentemente incrível, ainda não está no máximo de sua capacidade, o que leva a crer que essas não sejam as séries oficiais que ela apresentará nos Jogos do Rio no ano que vem. Ainda existem muitas cartas na manga, como um yurchenko com tripla pirueta (que poderá ser homologado por ela) e um cheng no salto (rondante, meia pirueta pra mesa, mortal esticado com pirueta e meia pra frente); um kip weiler com pirueta (espécie de oitava à parada pra frente com uma pirueta, ainda inédito em competições), uma passagem de Khorkina (oitava de costas com voo pra barra alta e meia pirueta) e uma saída de Fabrichnova nas barras (duplo com dupla grupado); na trave ela ainda treina um twist grupado, um mortal carpado para frente (que ela apresentou em competições nacionais em 2015) e uma complexa e inédita saída de duplo com dupla na posição grupada. No solo, ela ainda é capaz de realizar um Moors (duplo com dupla na posição esticada), um inédito duplo mortal com tripla pirueta (que provavelmente valeria I) e uma saída de duplo mortal esticado. Haja talento e fôlego!



Margareth Nichols

Provavelmente a maior revelação da ginástica artística feminina dos Estados Unidos em 2015. Chegou no Mundial de Glasgow com excelentes chances de garantir a segunda vaga da equipe para a final do individual geral. No entanto, sua oportunidade foi barrada pela forma como a equipe foi montada por Karolyi na fase classificatória da competição. Margareth não pode fazer barras assimétricas e a segunda vaga acabou ficando com Gabby Douglas, uma das 3 ginastas norte-americanas que no geral. Para se redimir da injustiça, Karolyi colocou Nichols nos quatro aparelhos durante a final por equipes e a atleta não desapontou em sua primeira participação em finais de Campeonatos Mundiais. Maggie está na categoria adulta desde 2014, mas devido a uma lesão no tornozelo perdeu sua primeira chance de fazer parte da equipe no Mundial de Nanning. Sua evolução desde então foi absurdamente incrível, sobretudo no salto e na trave, onde a atleta acrescentou ótimo upgrades, como um Amanar (yurchenko com dupla pirueta e meia) e um Grigoras (mortal grupado pra frente com meia pirueta). A ginasta também mostra bastante força no solo, com uma potente entrada de Silivas (duplo com dupla grupado), aparelho onde terminou com o bronze no Mundial esse ano. Suas chances de fazer parte da equipe são muito grandes, devido ao seu equilíbrio nos 4 aparelhos e consistência. Seu ponto fraco é a postura corporal nos elementos acrobáticos, principalmente na posição grupada.



Alexandra Raisman

Assim como Douglas, Raisman também esteve fora das competições oficiais desde 2012, quando fez parte da equipe olímpica campeã. Campeã olímpica também no solo, quase conseguiu uma vaga na final desse aparelho no Mundial, apresentando uma série com ótimas dificuldades e mostrando que os anos sem treino não fizeram nenhuma diferença em seu potencial acrobático. Voltou competindo em todos os aparelhos e com uma melhora considerável nas barras assimétricas, seu pior aparelho. Recuperou seu amanar no salto e fez o individual geral em Glasgow; entretanto, pela primeira vez errou. Marta Karolyi não se abalou e colocou Raisman para se apresentar na final por equipes, e dessa vez ela fez um excelente trabalho. Atualmente, é uma das melhores ginastas na trave, solo e salto, e não deixa outra opção para a equipe americana a não ser incluí-la nas Olimpíadas.



Texto de Cedrick Willian e Stephan Nogueira.

Foto: Ivan Ferreira / Gym Blog Brazil

Esse é o primeiro texto de 2015 da série " O que a ginástica reserva". Todo fim / começo de ano faremos postagens sobre os maiores nomes que competirão no ano seguinte. O último texto será exclusivamente escrito sobre ginastas do Brasil.

Roger Medina está de volta


Roger Medina, ex-técnico do Grêmio Barueri de São Paulo, está de volta. O treinador havia abandonado a ginástica esse ano por conta da falta de incentivo do clube em que trabalhava e a falta do país como um todo. Agora, ele é o recém contratado do clube CEGIN.

A notícia saiu na página Gymaníacos Fanáticos e foi confirmada pelo próprio Roger. Além da confirmação, Roger ainda disse que começa os trabalhos na segunda-feira do dia 04 de janeiro. O treinador entra para auxiliar o clube nesse momento delicado, quando o CEGIN perdeu as condições de continuar bancando o grande treinador Oleg Ostapenko.

O motivo de Roger ter abandonado a ginástica é completamente compreensível. Depois de tantos anos trabalhando e formando atletas de alto rendimento, passar por situações de abandono, como foi a dele, é completamente desestimulante e um péssimo exemplo para os treinadores que estão começando ou sonham em ter uma equipe um dia.

Esse novo contrato pode ser um recomeço para o treinador e para o clube, que já estiveram juntos durante a seleção permanente e 2 anos após o término dela. Tomara que essa nova parceria dê certo e que o trabalho deixado por Oleg continue a render bons frutos.

Post de Cedrick Willian

Foto: Divulgação

A vida de Lisa Skinner depois da ginástica


A ex-ginasta australiana Lisa Skinner contou como anda sua vida depois de 3 Olimpíadas. Atualmente a ginasta é integrante do Cirque du Solei e foi a primeira ginasta australiana a conseguir uma final olímpica. Confira na íntegra a tradução da colaboradora Marina Aleixo do vídeo abaixo.



"Meu nome é Lisa Skinner e eu treinava aqui na AIS, no ginásio. Quando eu tinha 14 e 15 anos eu morei aqui - isso foi em 95 e 96. Então me mudei de volta para Brisbane mas sempre vinha aqui para acampamentos de treinamento, todos os anos antes de competições importantes.

Algumas de minhas melhores memórias da AIS provavelmente são dos alojamentos juvenis com as outras meninas, era um grupo de atletas e a gente sempre se ocupava com todo tipo de travessuras, tentando driblar os supervisores e coisas do tipo. Era bom e desafiador ao mesmo tempo. Especialmente quando você fica longe da sua família por tanto tempo, e você tem acompanhantes, e sala de estudos, é um mundo completamente diferente do que você está acostumada.

A minha carreira olímpica... Consegui competir em três jogos olímpicos: Atlanta, Sidney e Atenas. Eu tinha 15 anos em Atlanta e acho que foi a minha [olimpíada] favorita. Não havia muita pressão, eu era novinha e não tinha a expectativa de ganhar uma medalha ou qualquer coisa. Acho que você não entende a gravidade de uma coisa dessas quando você tem essa idade. Você sabe que está fazendo algo gigantesco mas a ficha não cai até um tempo depois.

Desde então eu entrei para o Cirque du Soleil e este é meu segundo show com eles. Eu fiz power track em 'Alegria' primeiro, e agora estou fazendo aerial hoop - ou cerceaux (lira) como eles costumam chamar - por aproximadamente 5 anos. Estou em uma modalidade aérea então sempre em um número como este há um fator de risco, porque estou sem cordas de segurança a uma altura de 7 ou 8 metros diversas vezes durante meu número. As minhas mãos são a minha própria segurança.

Um conselho que eu daria para qualquer ginasta jovem ou qualquer esportista é: treine duro, e você sempre se surpreenderá com o quão longe você irá, mas, ao mesmo tempo, você tem que gostar."

Série de solo de Lisa Skinner na final individual geral dos Jogos de Sidney em 2000. Nessa edição dos Jogos, Skinner conseguiu se classificar para a final nesse aparelho.



Post de Cedrick Willian

Foto: Thomas Schreyer

Esporte imprevisível


Entra ciclo olímpico, sai ciclo olímpico, o código muda e os campeões e o destino da ginástica é sempre incerto. Ginastas mais artísticos, ginastas menos artísticos, ginastas musculosos, outros magros, todos conseguem de alguma forma acompanhar o que o código exige. Ou não.

Sempre alguma polêmica cerceia a ginástica em seus mundiais. Na opinião de muitos, alguns campeões mereciam ter ganho enquanto outros não. Em alguns momentos, por mais que tenha um código de pontuação bem definido, a ginástica ainda parece ser um pouco subjetiva; atualmente algumas mudanças foram feitas para tentar melhorar isso.

Em Glasgow, no último Mundial, os árbitros ficaram separados em cabines onde tivessem a comunicação entre eles um pouco limitada. Isso sem contar os árbitros de referência, que julgam as séries sem estarem na banca e que também foram adicionados a pouco tempo. Mas, mesmo assim, algumas notas ainda continuam questionáveis quando comparadas às outras.

Outros fatores que ainda geram discussão: gosto pessoal, escola de ginástica, linha corporal, favoritismo, etc. Sem esquecer, claro, do código de pontuação. Talvez esse último seja o mais importante. Saber jogar com o código de pontuação - e para quem acompanha a ginástica, saber entender o código de pontuação - é o que realmente deve ser levado em consideração na hora de prever um campeão.

A série abaixo, da coreana Mok Un-Ju, foi apresentada nos Jogos Olímpicos de 2000 e não entrou para a final do aparelho.



Acrobaticamente falando, uma ginasta que acerta uma série dessas no código atual está praticamente garantida na final. Num código que exigia menos, Mok fez mais e acabou perdendo. O código atual pede mais mas, mesmo assim, ginastas que fazem menos conseguiram um lugar ao sol, e isso graças ao bom entendimento do código.

A série abaixo é da ginasta Pauline Schaefer, medalha de bronze na trave em Glasgow.



Competindo com uma série muito mais simples que Mok em 2000 - mas que cumpriu com os requisitos de composição e teve uma montagem correta -, Schaefer foi medalhista em Glasgow. Arriscou jogar com o código e acabou dando certo.

Atualmente, vários ginastas arriscam séries simples (ação que vai um pouco contra o COP atual) e estão tendo bons resultados. Não só a equipe feminina da Alemanha como também as equipes da França e Holanda optaram por focar na execução dos elementos visando uma boa nota final no último Mundial. No caso da Alemanha, veio uma medalha na final por aparelhos e da Holanda também, que além da medalha (prata na final de trave com Sanne Wevers) conseguiu uma inédita classificação olímpica por equipes.

Se você perguntasse para alguém se a Holanda se classificaria para as Olimpíadas ou se sairia de Glasgow com uma medalha, provavelmente diriam que isso não aconteceria. Se perguntasse sobre uma medalha para a Alemanha, diriam que ela poderia vir nas barras assimétricas, mas não diriam que ela viria na trave. Isso é ginástica e, por mais que tenhamos palpites, histórico de acertos e nota de partida das séries, prever algo é muito difícil.

A foto que estampa esse post é da romena Larisa Iordache. Larisa foi candidata ao ouro na trave nos últimos 3 mundiais, já que tem uma das séries mais difíceis e completas da atualidade. Até hoje não conseguiu nenhuma medalha nesse aparelho, enquanto outras que nem foram mencionadas tiveram seus momentos de glória.

Um exemplo mais próximo do Brasil esse ano foi a nossa seleção masculina. Toda a torcida estava confiando no ouro de Arthur Zanetti nas argolas, que acabou nem entrando na final. Ao invés disso, tivemos Arthur Nory na final de barra fixa terminando num inédito 4º lugar! Na busca da análise de ginastas e séries que arriscam o máximo que podem em elementos difíceis ou optam pelo mais simples jogando com o código de pontuação, uma ideia deixa de ser subjetiva e se torna extremamente clara: de todos, a ginástica é o esporte mais difícil de se prever.

Post de Cedrick Willian

Foto: Ivan Ferreira / Gym Blog Brazil