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Resumo das ótimas competições do fim de semana


Mais duas Copas do Mundo de Ginástica acontecendo quase simultaneamente: a individual geral em Birmingham e a por aparelhos em Doha. O Brasil participou, com o ginasta Lucas Bittencourt, em Birmingham, campeonato que também tinha a ginasta Thais Santos escalada para competir mas que acabou sendo poupada. Infelizmente, pouquíssimos vídeos das competições estão disponíveis dessa vez.

Birmingham

O brasileiro não fez uma boa participação nesse competição, ficando em 8° lugar (77.698). Na barra fixa, entretanto, apresentou uma ótima série e foi o melhor nesse aparelho. Lucas tem linhas bonitas, séries firmes e uma ótima ginástica, mas começou a deixar o rendimento e constância em campeonatos cair gradativamente. Espera-se que o ginasta firme suas séries em competição e volte a apresentar bons desempenhos.

A competição masculina foi vencida pelo japonês Shogo Nonomura, numa disputa acirradíssima com o russo Nikita Nagornyy: as nota finais foram 84.797 de Nonomura contra 84.731 de Nagornyy. O britânico James Hall subiu ao pódio em casa e finalizou em terceiro com 83.531.

No feminino, finalmente Angelina Melnikova acertou uma competição sem quedas, fato que por si só já deu o ouro à ginasta. A ginasta ainda não teve suas séries acertadas, e os treinadores insistem em erros e colocam mais e mais dificuldades enquanto Melnikova custa a acertar o básico. Enquanto isso acontecer, continuará contando com a sorte, o que é uma pena. Margzetta Frazier ficou com a prata, com uma passagem ruim pelo salto e trave. Também subindo no pódio em casa, Alice Kinsella ficou com o bronze, com séries limpas (seu ponto forte) nas assimétricas e trave.

Resultados completos.

Doha

A Copa do Mundo de Doha foi marcada por finais disputadíssimas e muito interessantes. Havia muito tempo que as finais - principalmente as femininas - não era tão disputadas em etapas de Copa do Mundo como foi agora. Uma prévia de como serão as etapas da Copa do Mundo de Ginástica a partir do final do ano, quando começarão a valer como eventos classificatórios para os Jogos de Tóquio.

Feminino

As final de salto foi vencida por Oksana Chusovitina, que apresentou, novamente, sua reversão com pirueta e meia estendida para frente (chusovitina) além de um tsukahara com pirueta e meia de costas cravado: dois saltos belíssimos que lhe renderam o ouro e podem render uma final no Mundial também em Doha. A Coréia do Norte apareceu agora com a saltadora Rye Yong Pyon, com um yurchenko com dupla pirueta e um ótimo chusovitina, e acabou terminando com a prata. Nas assimétricas, Nina Derwael deu um show de brilhantismo e consistência. Com uma série limpíssima (8,900 de execução), teve nota final de 15.300, muito distante da segunda colocada, a russa Uliana Perebinosova, que conquistou, também com uma bela série, a prata com 14.566. A final de trave foi vencida pela francesa Melanie de Jesus, com uma série muito cravada, limpa e bem montada; a ginasta também conquistou o bronze nas assimétricas, mostrando também nesse aparelho muito precisão e limpeza. A final de solo demonstrou o bom nível de disputa que se encontrava a competição: empatadas em primeiro lugar, a italiana Elisa Meneghini, a coreana Su Jonng Kim e a belga Axelle Klinckaert conquistaram o ouro com 13.333, mesma nota de dificuldade e execução. A sétima colocada da final - que contou com nove ginastas por conta de um empate já nas classificatórias - foi Marine Boyer, que teve nota final 13.033, mostrando que a diferença entre ela e as campeãs foi muito pequena.

Masculino

Igor Radivilov foi, ao lado do chinês Jingyuan Zou, a estrela do dia, levando o ouro nas argolas e no salto. Com dois saltos muito difíceis - um dragulescu e um tsukahara com duplo carpado -, bastava apenas acertar bem para a conquista do ouro. Já nas argolas, apesar da boa nota (15.233) a execução se encontra ainda um pouco distante de Eleftherios Petrounias, ginasta do momento nesse aparelho. O chinês Jingyuan Zou venceu a final de cavalo com alças com a nota 15.100, mostrando que a equipe chinesa pode ser a mais forte nesse aparelho na competição por equipes do Mundial. Vários ginastas do país estão com pontuação na casa dos 15 pontos. E, de forma espetacular, venceu a final de paralela, com a nota 16.200! A série do ginasta foi extremamente limpa e a dificuldade mais alta do ano (7.0). O russo Dmitrii Lankin se mostra como mais um possível nome no aparelho solo desse ciclo, com uma série difícil e de boa execução, se aproximando da casa dos 15 pontos. Tin Srbic, campeão mundial de barra fixa em 2017, repetiu a dose de ouro, elevando sua nota de execução em comparação ao mundial. Sua série é bem montada e não apresenta grandes riscos, dando espaço para um trabalho de execução bem feito.

Resultados.

Post de Cedrick Willian
Foto: Divulgação

O que a ginástica reserva para 2018 - Brasil


Sem dúvidas o CEGIN é o responsável pela maior renovação brasileira para esse ano: Fabiane Valentim lidera a lista das estreantes na categoria adulta do Brasil. Seguida de Luiza Trautwein, também do CEGIN, e Isabel Barbosa, do Pinheiros, essas são as três ginastas do Brasil que poderão fazer a diferença e serem incluídas nas competições elites a partir de 2018. A preocupação maior, além da evolução técnica dos pontos fracos de cada uma, é a manutenção da saúde das atletas, afastando-as de lesões.

Fabiane Valentim

Desde a idade juvenil já tinha potencial para chegar em 2018 como uma das ginastas top 10 individual geral do mundo. Apesar das chances, foi impossibilitada de treinar por um tempo por conta de uma lesão ocorrida no Campeonato Brasileiro Juvenil de 2016. Recuperada, voltou a competir no fim do ano passado, no Campeonato Brasileiro de Especialistas Adulto, e garantiu ótimos resultados: na ocasião, foi campeã de solo e trave, com séries firmes e boas notas de dificuldade. Seu ponto fraco é as assimétricas onde, apesar de ter uma série difícil, apresenta falhas de postura bem visíveis. Entretanto, compensa os erros nos outros aparelhos: no solo, apresenta um memmel e a ótima sequência de pirueta e meio ao passo + tripla de costas; na trave, a sequência de cortada + cortada com meia volta + onodi (ligação de bônus 0,4) é o ponto auge de uma série com boas ligações e que pode ter uma saída de rondada + tripla incluída. Fecha seu individual geral com o salto, onde tem um ótimo yurchenko com dupla pirueta e já treinou amanar. Escalada para competir na American Cup esse ano, iniciou a competição no salto, onde sentiu o joelho e, no momento, se encontra em breve recuperação. Fabiane é uma ginasta extremamente importante para o Brasil esse ano e cuidar da saúde e peso dessa ginasta é essencial.









Luiza Trautwein

Das três estreantes, Luiza é a que tem a beleza artística mais impressionante. A ginasta possui características pessoais tão bonitas que é impossível não agradar quem a assiste. Entretanto, é assombrada pelos monstros da inconsistência. Com muita limpeza em todos os aparelhos (sendo as barras assimétricas também o seu ponto fraco), quase nunca faz uma competição sem erros, o que é uma pena. O fato já prejudicou muito seus resultados, inclusive em seletivas juvenis. No solo, apresenta a sequência de flic sem mãos + duplo twist, que bonifica 0.2; na trave, entrada de mortal pra frente bem firme, e mortal pra frente em cima da trave muito seguro também; nas assimétricas possui ótimas linhas nos stalders; no salto, por enquanto ainda apresenta um yurchenko com pirueta simples. Luiza precisa começar a acertar suas séries para conquistar os destaques que sua ginástica indiscutivelmente merece ter.







Isabel Barbosa

O Pinheiros dessa vez é o responsável por uma das boas renovações do ano. Isabel Barbosa já competiu em 2018 e conseguiu duas medalhas de prata na Copa do Mundo de Melbourne. Competindo em suas especialidades - solo e trave -, não deixou a desejar: sua trave contém algumas sequências interessantes, como a cortada + cortada com meia volta + mortal pra trás (bônus de 0,3) e uma saída firme; no solo, um bom duplo twist de abertura e firmeza nos duplos. Seu ponto forte é a limpeza de movimentos e saltos de dança que, na maioria das vezes, tem alongamento acima de 180° e não pede descontos. A série de barras assimétricas ainda está incompleta, faltando o requisito de transição de barras, e o salto é muito fraco: talvez por medo, a ginasta corre praticamente da metade da pista, algo que precisa urgentemente ser trabalhado para evoluir na construção de saltos mais difíceis.









Post de Cedrick Willian
Foto: Divulgação

Resumo do fim de semana - DTB Cup, Copa de Stuttgart e Baku


No mesmo fim de semana, acompanhar três campeonatos - um individual geral, um por equipes e um por aparelhos - é uma tarefa difícil. Segue então um resumo e as melhores séries de cada competição, que contou com a participação do Brasil e de várias potências.

DTB Cup


O Brasil brilhou na competição masculina, se classificando em terceiro e terminando a final com a prata. Contaram com apenas uma queda no salto do ginasta Luis Porto, um ginasta novo que está num caminho de progresso muito bom. Francisco Barreto continua sólido na equipe e surge um novo (ou antigo) Arthur Zanetti, que se mostra impecável também no solo e salto. Péricles Silva está se afastando da inconsistência, algo essencial para sua participação na equipe. Dessa vez acertou mais suas séries, passando segurança para equipe e treinadores, além de si mesmo. Lucas Bittencourt não competiu bem e nem participou da final; é nítido que o ginasta precisa encontrar o caminho de volta à velha forma. O ginasta acabou de trocar de clube, está treinando no Minas Tênis, e o clube não tem um histórico bom no sentido de dar continuidade no rendimento dos ótimos atletas que contratam.









A DTB Cup foi vencida pelos russos, mesmo com quedas na barra fixa e paralela. Artur Dalaloyan competiu em todos os aparelhos, exceto cavalo com alças, e está ficando com um individual geral cada vez melhor. A equipe do Japão, que havia se classificado em primeiro, acabou na terceira posição, somando várias quedas.



No feminino, a equipe russa passou vergonha. Contando com grandes ginastas, inclusive a volta de Viktoria Komova, mostraram séries boas mas pessimamente executadas. Uma inconsistência sem limites, salvas apenas pelas boas performances de Liliya Akhaimova no salto e solo. Nem se classificaram para a final, ficando atrás da equipe da Suíça. A competição foi vencida pela Bélgica, com a Suíça terminando em segundo e Japão em terceiro. As estrelas da competição foram: Nina Derwael, com a maior nota final da competição ( 15,033 nas barras); Giulia Steingruber, com a maior nota de solo e trave (13,433 e 12,900); Hitomi Hatakeda, construindo um ótimo individual geral.





Resultados: masculino e feminino.

Copa AA de Stuttgart

A surpresa do dia ficou por conta da chinesa Zhang Jin, que foi a campeã da competição feminina. Zhang tem um ótimo salto (tsukahara com dupla pirueta) e todo o restante de seus aparelhos são bons, exceto as assimétricas, onde tem uma série fraca - apesar de limpa - para uma chinesa.  Elizabeth Seitz fez as honras da casa e com séries limpas e uma barra fortíssima acabou com a prata. Era esperado um confronto mais próximo entre a americana Jordan Chiles e a russa Angelina Melnikova, que erraram bastante (principalmente Melnikova) e terminaram em terceiro e quarto lugar respectivamente. Destaque para série de solo de Chiles, salto de Chiles e Melnikova, assimétricas de Seitz e trave de Jin. Destaque também para a evolução da japonesa Nagi Kajita.









No masculino, David Belyavskiy tinha uma certa vantagem dos demais concorrentes, e finalizou a competição com o ouro. Apresentou ótima série de cavalo com alças e mostrou muita consistência nas outras séries, com destaque para a barra fixa, pior aparelho da Rússia; o ginasta conseguiu dar conta do recado e finalizar com 14.400 nesse aparelho. O confronto pela prata e bronze foi acirrado e interessante entre o japonês Yusuke Tanaka e o americano Akash Modi, que acabou levando a melhor. Ponto a ponto, a competição foi disputadíssima e, mesmo com o erro de Tanaka no cavalo com alças, Akash teve que acertar todas as séries para finalizar com a prata.



Resultados: masculino e feminino.

Copa do Mundo de Baku

O Japão dominou a competição masculina, conquistando o ouro no solo e nas barras paralelas além de um bronze no cavalo com alças. A série do japonês Takaaki Sugino no cavalo com alças merece destaque, apesar do descontrole na saída: sua rotina conta com tripla russa em transporte e também em uma alça! O chinês Weng Hao acertou sua ótima série e foi o campeão nesse aparelho. O segundo país de destaque foi a Bielorrússia, que terminou a competição com o ouro no salto e prata nas barras paralelas e fixa. Andrey Likhovitskiy, responsável pelas duas pratas, foi limpíssimo, e esse é o seu ponto forte, principalmente na paralela, onde conseguiu uma nota final bem alta dada à boa execução. Eleftherios Petrounias continua imbatível nas argolas, conquistando merecidamente altíssimos 15,333 (classificou com 15,400) para a conquista do ouro. O holandês Bart Deurloo fechou a competição com 14.700 na barra fixa, levando o ouro e mostrando grande potencial de final e medalha no Mundial de Doha.









As chinesas Lyu Jiaqi e Luo Huan levaram ouro e prata nas assimétricas e na trave. As performances nas assimétricas foram muito boas, mas na trave deixaram extremamente a desejar, sendo que Luo foi ouro na trave com uma saída de mortal estendido de costas. Oksana Chusovitina foi campeã de salto com os saltos que frequentemente realiza "fora de temporada": reversão com pirueta estendida e tsukahara com pirueta e meia. Também foi bronze na trave, com uma série bem cravada e mais interessante até que a das chinesas. O solo foi vencido pela croata Ana Derek, que optou por jogar com a parte artística e limpeza dos elementos que, merecidamente, renderam uma nota final de 13,533, suficientes para um lugar na final de solo do Mundial de 2017.









Resultados completos.

Post de Cedrick Willian
Foto: Minas Panagiotakis / Getty Images North America

O que a ginástica reserva para 2018? - Destaques


Antes de finalizarmos com o texto sobre o Brasil, fizemos uma compilação dos maiores destaques que estão subindo para a categoria adulta esse ano fora os países com equipe finalista nos Jogos do Rio. As ginastas aqui apresentadas podem fazer muita diferença para seus países, tanto em uma competição por equipes - como é o caso de Denisa Golgota, da Romênia - como nos resultados individuais - como a argentina Martina Dominici, que não tem uma boa equipe mas pode se destacar individualmente. Confira!

ITÁLIA - Martina Basile

Uma ginasta potente e com características um pouco diferentes para uma italiana. Ginastas italianas ou são fortes ou são longilíneas, mas Martina apresenta as duas características ao mesmo tempo, um bom diferencial. Tem acrobacias fortes no solo - como a entrada de duplo estendido e um duplo twist - e bons saltos de dança. Na trave apresenta a sequência de flic + flic + mortal estendido e uma ótima saída de duplo carpado, mas os saltos de dança, apesar de terem boa amplitude, ainda são fracos. Apresenta um yurchenko com pirueta e meia no salto e nas assimétricas tem ótimos voos. Mesmo que sua série de assimétricas precise evoluir muito em dificuldades, o pouco que apresenta ( a ginasta apenas cumpre com as exigências) é feito com boa execução.



Martina Dominici - Argentina

Dominici é diferente de tudo que a Argentina produziu nos últimos anos. Talentosíssima e muito segura, pode segurar as pontas para o país enquanto estiver inteira e praticando ginástica. Tem um yurchenko com dupla potente no salto (talvez a primeira argentina a competir com esse salto) e sua série de barras assimétricas é muito difícil e já conta com duas ligações de 0.2: chow + tkatchev; maloney + giro gigante com pirueta. Nesse aparelho, seu grande destaque, treina nabieva, van leewen, jaeger carpado e saídas mais difíceis (em série apresenta apenas uma saída de duplo grupado). Na trave é extremamente firme, apesar de não ter grandes dificuldades. No solo, possui um duplo twist muito seguro além de excelentes saltos de dança. Já treina tsukahara grupado, duplo twist carpado e duplo esticado. Um talento que merece ser visto e acompanhado durante esse ciclo.



Alisson Lapp - França

Lapp tem uma postura bonita e ginástica agradável de assistir. Possui acrobacias boas no solo, com duplos bem executados e até uma sequência de dupla e meia + mortal frente (bonificação de 0.1). Como toda boa francesa, sua parte artística nesse aparelho é primorosa - tem uma série muito expressiva com a trilha sonora de Lago dos Cisnes -, e apresenta bons elementos de dança tanto no solo como na trave. A trave é um de seus pontos fortes e onde pode conseguir mais resultados, com elementos seguros e uma saída firme de dupla pirueta e meia de costas. Ela também treina a sequência de rondada + mortal esticado. Tem chances de desenvolver uma boa série de assimétricas e possui um salto comum para uma francesa: yurchenko com pirueta.



Leonie Meier - Suíça

Leonie Meier é uma ginasta muito forte e que dá a impressão que vai ficar ainda melhor com o tempo. Sua potência está sendo calmamente explorada, caminho parecido com o de Giulia Steigruber. Meier tem tudo para integrar e contribuir para a equipe Suíça esse ano, que pode ter resultados históricos e melhores que no ciclo passado, quando quase conseguiram uma equipe completa nos Jogos do Rio. A ginasta tem um solo potente, com uma bela entrada de tsukahara e bons saltos de dança. A trave é firme, porém os saltos de dança ainda são um pouco sujos. Sobra em explosão no salto, onde ainda apresenta apenas uma pirueta esticada e potencial para medalhas importantes. Nas assimétricas cumpre com todas as exigências; seus balanços e força fazem com que ela realmente voe nesse aparelho nos momentos necessários.



Denisa Golgota - Romênia

Denisa vem trazendo um novo frescor pra Romênia, que sofreu muito sem boas renovações e com decepções histórias no ciclo passado. A ginasta é muito explosiva e representa bem a escola de ginástica romena, com séries firmes na trave e no solo. Sua trave não tem muitas ligações, mas é muito precisa e quase toda cravada, dando a impressão que está no solo. Já o seu solo tem coreografia muito expressiva e dinâmica, sem pausas, e com boas acrobacias, como o duplo twist grupado e a sequência de pirueta de costas com rebote para dois flics e um duplo mortal grupado (bonificação de 0.1). No salto já apresenta um yurchenko com dupla pirueta muito seguro e tem as barras assimétricas como ponto fraco, aparelho onde ainda tem pouca dificuldade e muita falha de postura em alguns momentos.



Ana Padurariu - Canadá

Não só uma adição para a ginástica canadense como para a ginástica mundial. Padurariu tem séries de destaque e chama a atenção por sua ginástica há mais de dois anos. Esse ano, com uma queda no salto, ainda foi vice-campeã do Elite Canada, poucos décimos atrás da primeira colocada Brooklyn Moors. A ginasta tem séries ótimas em todos os aparelhos: no solo, saltos de dança limpos e uma entrada de tsukahara carpado muito bem feita; na trave, um giro triplo cossaco e a belíssima sequência de estrela sem mãos + layout + layout; nas assimétricas abusa dos elementos que partem do stalder inbar (faz até um galante carpado de valor F) e no salto apresenta um yurchenko com pirueta e meia. Com Padurariu a equipe canadense está fortalecida e com boas séries para esse ano, e as chances de conseguir um lugar entre as oito melhores equipes em Doha são grandes.



Post de Cedrick Willian
Foto: Divulgação - ziare.com

Estados Unidos mantém hegemonia na American Cup


Tradicionalmente vencida por americanos, esse ano não foi diferente: mesmo com grandes concorrentes na disputa pelo ouro, Morgan Hurd, no feminino, e Yul Moldauer, no masculino, foram os campeões da American Cup. No ano passado, além de Moldauer a ginasta Ragan Smith, também americana, ficou com o ouro no feminino.

Os títulos não poderiam vir em melhor momento, dado que a Federação Americana precisa praticamente se reconstruir e se reafirmar como uma instituição séria, visto que vários atletas e ex-atletas americanos estão iniciando um movimento para descredenciar a USA Gymnastics do Comitê Olímpico Americano. O movimento é justo mas, antes de descredenciar a instituição vigente, é necessário pensar e criar algo novo que possa substituir com competência o órgão atual.

Problemas políticos à parte, Moldauer conquistou o segundo título consecutivo na competição, se firmando como o principal "all-arounder" americano da atualidade. O ginasta é muito rápido, limpo e preciso, conseguindo compensar, dessa forma, a dificuldade mediana que ainda apresenta em algumas de suas séries. Moldauer é um ginasta novo e pode evoluir bastante na dificuldade de suas apresentações. Na corrida pelo bicampeonato, enfrentou a estrela individual geral em ascensão, o japonês Kenzo Shirai, que acabou errando muito, principalmente no cavalo com alças, perdendo suas chances de favorito ao ouro. Vale lembrar que Kenzo, no Mundial do ano passado, foi bronze na final individual geral, menos de seis décimos atrás do ouro e prata conquistados pela China.

Morgan Hurd pareceu uma ginasta muito madura, principalmente se comparada ao Mundial. Suas séries e acrobacias estão mais seguras, e seu corpo também parece mais forte. Fez uma competição excelente e digna de ouro. Suas principais adversárias realmente eram as ginastas que ficaram com prata e bronze: a japonesa Mai Murakami e a americana Maile O'keefe. Murakami também fez uma competição melhor que no Mundial, com séries muito cravadas. Já O'keefe, que está estreando na categoria adulta, acabou errando nas assimétricas e na trave, perdendo as chances de uma colocação melhor.

A American Cup foi uma competição interessante para início de temporada. Percebe-se que a progressão das séries até o Mundial será bem interessante. No masculino, o ucraniano Petro Pakhniuk já mostrou uma série de paralela difícil logo no começo do ano, e o mesmo aconteceu com o britânico James Hall no cavalo com alças. No feminino, a alemã Elizabeth Seitz - com sua série de barras assimétricas - e a canadense Brooklyn Moors - com sua série de solo - já mostraram que podem novamente ser finalistas mundias em suas especialidades.

Resultados: masculino e feminino.

Sobre a atuação do Brasil


Fabiane Brito começou a competição muito bem, saltando um ótimo yurchenko com dupla pirueta. Aparentemente a ginasta sentiu o joelho e foi poupada de continuar. A decisão de poupá-la é muito sensata, visto que Fabiane pode ser uma peça fundamental para a equipe esse ano.

Francisco Barreto, até o momento de competir o último aparelho - barra fixa -, não havia sofrido nenhuma queda e fazia uma boa competição. Mas foi justamente em seu melhor aparelho que acabou caindo. Mesmo assim teve a maior nota de partida, uma nota D de 6.0, que poderia ter rendido uma boa nota final. Não era esperado um pódio para o ginasta nessa competição, visto que o individual geral não é sua especialidade. A competição foi um teste para Francisco que, apesar de ser especialista de barras (fixa e paralela), precisa começar a contribuir mais nos outros aparelhos. O novo modelo de equipe teoricamente colocaria Francisco para disputar uma das vagas de especialista nas Copas do Mundo. Entretanto, suas séries são muito importantes para a equipe e classificação olímpica. Dessa forma, é mais sábio trabalhar os outros aparelhos com ele e incluí-lo na equipe do que deixá-lo competindo apenas como especialista.

Sobre a lesão de Mao Yi

A ginasta chinesa Mao Yi, logo no começo da competição, apresentou um yurchenko com dupla pirueta no salto, com chegada baixa e girando, o que acabou ocasionando uma grave lesão: a ginasta fraturou o osso da coxa e provavelmente encerrou sua careira na ginástica.

Apesar de que Yi apresenta yurchenkos com dupla pirueta bem executados desde 2015, a lesão coloca em cheque as dificuldades que as chinesas possuem nesse aparelho: uma equipe com biotipo fraco de pernas mas que comumente força um pouco além dos limites. Algo mais do que comum é ver a China arriscando saltos difíceis com execução pobre, colocando em risco a saúde e integridade das atletas.

O que aconteceu pode ter sido um acidente como também pode ter sido irresponsabilidade. Assistindo o vídeo e analisando a potência de corrida da ginasta, não se espera que ela faça um yurchenko com dupla pirueta: a corrida estava um pouco fraca e pesada. Talvez seja o momento de rever as prioridades da equipe nesse aparelho e repensar a preparação física de pernas ao invés de jogar as ginastas em saltos difíceis num momento desapropriado para realizá-los.

Post de Cedrick Willian
Foto: John Cheng / USA Gymnastics

Em estreia, Isabel Barbosa conquista duas pratas em Melbourne


Estreando na categoria adulta, e em sua primeira competição internacional na nova categoria, a ginasta Isabel Barbosa conquistou duas pratas nas finais de trave e solo da Copa do Mundo de Ginástica, etapa de Melbourne na Austrália. Competindo contra australianas e chinesas - as ginastas mais fortes da competição -, Isabel somou 12,600 e 12,600 na trave e solo respectivamente.

Na trave perdeu 0.3 de bônus da nota máxima que poderia alcançar. Validando todas as sequências e elementos que a série propõe, atualmente pode chegar a 5.3. Já no solo, não teve um dos saltos de dança validados, uma cortada com pirueta, e poderia ter aumentado em 0.1 sua nota final. Apesar de pequena, Isabel é forte e tem linhas bonitas, com saltos de dança de boa amplitude, podendo explorar ainda mais essa particularidade.





Os ginastas brasileiros Gustavo Polato e Luís Porto também competirem em Melbourne mas apenas Luís conseguiu se classificar para as finais: se classificou em terceiro lugar para a final de salto sobre a mesa com média de 14.199 e terminou em quinto lugar com média 14.016. Poderia também ter se classificado para a final de solo, onde tem uma boa série, mas alguns erros de aterrissagens, principalmente na sua última acrobacia (um duplo esticado), foram responsáveis pela nota de execução baixa que comprometeu a final.



Na competição masculina, o destaque maior foi para os chineses, que conquistaram ouro e prata nas argolas e paralela, e mais uma prata no solo. Japão ficou com o ouro na barra fixa e no solo além de dois bronzes, um no salto e outro nas argolas. Destaque para o chinês Yue Ma nas argolas, com série difícil e muito cravada, e para o japonês Hitaka Miyachi na barra fixa, que executou uma série com largadas excelentes, tanto em execução como em altura, além de uma saída cravada.





Na competição feminina, o destaque também foi chinês: Du Siyu e Chen Yile, principais revelações chinesas para esse ano, não decepcionaram: Yile foi ouro na trave e prata nas assimétricas enquanto Siyu foi ouro nas assimétricas e bronze na trave. O ouro no solo foi conquistado pela australiana Alexandra Eade e o ouro no salto pela eslovena Kysslef Tjasa.





O trabalho de Mihai Brestyan na Austrália é questionado, já que, aparentemente, ainda não mostra resultados expressivos. Fato é que o treinador não se mudou para a Austrália: ele possui um clube nos Estados Unidos, onde continua sendo treinador. O trabalho que ele presta para a Austrália é à longa distância, de consultoria, e os encontros na Austrália são esporádicos. Independente da distância, é preciso dar tempo ao tempo para que o trabalho se desenvolva da nova forma: é complicado esperar resultados expressivos e tão imediatistas - tem um ano que a parceria começou!

É o mesmo caso do novo formato que o Brasil tenta erguer atualmente: precisa de tempo e muito trabalho para encontrar o caminho novo pelo qual a ginástica brasileira vai seguir nos próximos anos. Paciência é necessária para conseguir abandonar o velho e o novo aconteça. Se nas primeiras dificuldades e necessidades a saída for correr para o modo antigo novamente, a evolução nunca vai acontecer. As conquistas de Isabel, do Clube Pinheiros, podem ser um marco de um novo início da ginástica feminina do Brasil.

Confira os resultados completos da competição: http://gymnasticsworldcup.com.au/results .

Post de Cedrick Willian
Foto: Ivan Ferreira - Melogym / Gym Blog Brazil
Mais vídeos da competição no canal Marcos GymArt