• O destino de uma quase “rainha”



    Com a hegemonia na ginástica dos países da ex- união soviética nos anos 90, quase tivemos uma repetição de história em 3 Jogos olímpicos. Tatiana Gutsu e Lilia Podkopayeva, ambas da ucrânia, foram campeãs olímpicas: a primeira, nos Jogos de Barcelona em 92, e a segunda, em Atlanta 96. Seguindo esse time de campeãs para as olimpíadas de Sydney, em 2000, o destino reservava uma surpresa não muito agradável. Todos os amantes da ginástica se lembram da seguinte cena: último rodízio de aparelhos e uma das ginastas mais técnicas da competição se apresentaria no solo, uma de suas melhores séries. Logo na primeira acrobacia - duplo twist grupado seguido de mortal pra frente -, tudo foi tão alto e perfeito que a fez tropeçar e cair de joelho e pôr uma das mãos no solo, fora da área. Após a queda, uma rápida recuperação para completar uma linda série de solo, mas não suficiente para atingir o principal objetivo: o sonho de ser campeã olímpica como suas compatriotas tinha ido por água abaixo. Seu nome? Viktoria Karpenko.



    Claro que a vida de Viktoria na ginástica foi muitas vitórias como o próprio nome. Porém, para quem assistiu essa diva competindo, ao se pronunciar esse nome, a cena que vem na cabeça é a descrita acima. Mas vamos ao início de sua carreira ver o quanto essa loirinha pôde oferecer aos nossos olhos a sua perfeição.

    Viktoria Karpenko nasceu em Kherson, Ucrânia, em 1981. Foi treinada pelo já bem conhecido aqui no Brasil, Oleg Ostapenko, e começou a competir no cenário internacional aos 14 anos. Logo veio o Campeonato Mundial de Sabae, no Japão, classificatório para os Jogos Olímpicos de 1996, em Atlanta, nos Estados Unidos. Dê uma olhada e veja se o fato citado acima não foi uma fatalidade, pois a técnica aprimorada desde cedo e a grande elegância fazem parte da ginástica dessa ginasta espetacular, que colocou seu nome no código já na primeira competição internacional, nas barras assimétricas: um giro na posição cubital das mãos com uma pirueta, o conhecido “Karpenko”.



    Porém, após sua estréia no cenário mundial, uma série de lesões a deixaram fora das competições por dois anos: em 1996 ficou de fora dos jogos olímpicos de Atlanta, por uma lesão no músculo posterior da coxa, e em 1997 mais uma vez ficou somente assistindo ao Campeonato Mundial de Lausane, na Suíça, depois de ter fraturado um dedo. Em 1998, um retorno triunfal logo no início do ano: conquistou o ouro na tão famosa American Cup, superando as favoritas Kritsten Maloney e Vanessa Atler.

    Solo



    Trave



    Isso serviu de motivação, já que poucos meses após o American Cup veio o Campeonato Europeu, onde ela conquistou o segundo lugar nas paralelas, atrás da Campeã Mundial, Svetlana Khorkina. Agora ela executa uma largada Gienger, para completar as exigências da série.



    Em 1999, veio sua melhor marca: no Mundial de Tianjin, na China, conquistou nada menos que a medalha de prata no individual geral, ficando atrás somente da romena Maria Olaru, com Elena Zamolodchikova completando o pódio.

    Salto





    Barras assimétricas



    Trave



    Solo



    Mais tarde aconteceu o desastre nos Jogos Olímpicos de Sydney, na Austrália. Mas o final dessa história na terra dos cangurus já foi contada no início como fato principal a se lembrar de Viktoria Karpenko: ela apresentou grandes séries nos Jogos, mas nenhuma lhe rendeu medalha. Em junho de 2002, Viktoria se mudou para Bulgária e tentou duas voltas as competições: uma em 2003 e outra em 2006, mas suas lesões não a deixaram voltar à sua boa forma. Contudo, sua história de quase rainha é um exemplo de superação e suas séries podem ser consideradas grande obras de arte para a humanidade amante da ginástica. Isso está escrito e gravado para sempre. Aproveitem bastante!!!

    Esse post é uma colaboração de Márcio Galdino. O Gym Blog Brazil agradece a colaboração que, com certeza, irá agradar todos os leitores!
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    2 comentários:

    1. Parabéns pelo post. Eu gostava muito mesmo desta ginasta e fiquei muito chateado quando ela errou em 2000. Mas minha chateação foi por ver o quanto ela ficou decepcionada... me cortou o coração.
      Esta ginasta foi muito importante para a história da ginástica e ponto.
      Quantas ginastas podem dizer que foram vice-campmeãs no individual geral de um campeonato mundial?
      A Vitória encantou muitas pessoas em todo mundo. Espero que isso seja o suficiente para que ela se sinta satisfeita com tudo que alcançou na ginástica.

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    2. O Blog está sensacional. Cada dia melhor com esses vídeos.

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