• Ghent 10 anos depois...

    10 anos atrás acontecia em Ghent, na Bélgica, o Mundial de Ginástica. Quanta coisa mudou, não?

    Código de pontuação

    Tínhamos um código de pontuação em que o máximo que um ginasta podia conquistar era a nota 10! Saudades desse código? Não sei...Apesar do código atual ter falhas, acho que temos que ter paciência. Mais cedo ou mais tarde conseguirão indentificar todas as falhas dele, e assim dosar dificuldades e execução. Gosto de ver coisas mais difíceis sendo apresentadas, mas sinto saudades da expressão artística que havia na ginástica. O único código que eu definitavemente não quero de volta é o de 2008, ano em que a ginástica perdeu, praticamente, toda a beleza que possuía. O solo, por exemplo, tinha virado um "tumbling"...

    Dois vídeos, dois bons exemplos. Confira abaixo.

    Até 2008 o código estava muito novo e fora de controle. Aí a ginástica ficou assim:



    Poxa, 5 passadas acrobáticas? Se você garimpar, você vê o mínimo de coreografia nessa série da Vanessa Ferrari. Em compensação, não dava mais pra ficar do jeito que era em 2000...



    Liu Xuan foi quarta colocada no individual geral das OLIMPÍADAS com essa série. Dá pra crer nisso? E, diga-se de passagem, o salto dela era um yurchenko com meia volta. Ela tirou mais nota no solo do que meninas que competiram com um duplo esticado, por exemplo. Ah! Não venham querer me corrigir, dizendo que Liu Xuan foi bronze. Pra mim, o ouro nunca deveria ter sido tirado de Andrea Raducan...

    Cavalo agora é mesa?

    Em Ghent tivemos a estréia da mesa de salto! Ahhhh...que alívio! Taí uma coisa que eu não sinto saudades: do cavalo! Senhor do céu, eu ainda era ginasta nessa época e como eu tinha medo do cavalo!!! Saltar na mesa foi um presente de Deus pra mim, rsrsrs. E acho que para os ginastas do mundo inteiro, e espectadores do esporte, também. Só uma curiosidade??? Uma ex-ginasta da seleção, que se chama Jéssica Marinho, tinha ido pra esse Mundial só pra saltar! Ela tinha o melhor salto na época, mas o Brasil ainda não tinha uma mesa de salto. Resultado: Jéssica chegou lá, não se adaptou ao novo aparelho e ficou sem saltar.



    Eu fico pensando: se eu, que saltava com o cavalo na longitudinal, tinha medo, imagina as meninas, que tinham que saltar com eles na transversal! Fazer um yurchenko era o quê? Uma aventuuuura! Na verdade, eu tinha um pouco de medo de assistir. Toda vez que eu via, torcia muito para que todo mundo acertasse a mão na hora de saltar de costas. Assista o vídeo abaixo e veja quantas quedas ocasionadas pela falta de apoio no cavalo...



    O salto mudou mesmo por causa das ginastas, que saltavam na transversal. Apesar do meu medo, no masculino não haviam sérios problemas.

    Primeira medalha do Brasil em mundiais

    Para nós brasileiros o que nos marca nesse Mundial é a prata de Daniele Hypólito no solo. A primeira medalha brasileira em mundiais. E além disso, Daniele foi quarta colocada no individual geral. Sem contar que Daiane dos Santos também esteve na final de solo nesse Mundial, com uma das séries mais lindas que eu já vi. Apesar de anteriormente Luisa Parente ter nos presenteado com várias medalhas em campeonatos pan-americanos, foi Daniele quem colocou a ginástica no cenário internacional e abriu caminhos para que a ginástica do Brasil chegasse onde está. Ainda temos problemas sim, mas o investimento atual da ginástica nem se compara com o de 10 anos atrás...Relembre esse momento lindo da ginástica brasileira.





    Por que Daniele não foi ouro? Porque ela não completou o salto grupado com duas piruetas. Mesmo tendo errado o duplo twist, com um décimo a mais (que ela perdeu ao não completar o salto grupado) ela teria ganho de Raducan.
    Por que Daiane não foi prata ou bronze? Porque o mundo não estava preparado para ver duas brasileiras no pódio. Mal sabiam que mais tarde Daiane viria a ser a primeira negra campeã mundial de ginástica. Todas as conquistas do Brasil em Ghent são resultado do trabalho desenvolvido pelos técnicos do Brasil! Daniele e nem Daiane haviam passado pelas mãos de qualquer treinador europeu nessa época ou ao menos ficaram confinadas numa seleção permanente.

    Campeões

    Os campeões gerais foram...

    Svetlana Khorkina



    Feng Jing



    Agora assista as séries dos campeões!

    Solo masculino - Jordan Jovtchev e Marian Dragulescu





    Paralelas assimétricas - Svetlana Khorkina



    Cavalo com alças - Marius Urzica (um dos melhores no cavalo de todos os tempos)



    Salto feminino - Svetlana Khorkina (sérioooo??? sério.)





    Argolas - Jordan Jovtchev



    Salto masculino - Marian Dragulescu



    Trave - Andrea Raducan (uma das minhas séries de trave favoritas)



    Paralelas - Sean Townsend (não achei a performance no mundial)



    Solo feminino - Andrea Raducan



    Barra fixa - Vlasios Maras (performance de 2002, a mais próxima que eu achei)



    Espero que tenham curtido o post! Pra lembrar um pouco de como era a ginástica de dez anos atrás e mostrar como o Brasil chegou até aqui.
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    10 comentários:

    1. Patrícia Alves31 agosto, 2011 20:07

      Muito bom o post!! Por mais q o novo código eseja sendo muito criticado, prefiro ele em relação ao de 2008 tbm!!
      E é necessário ter paciência mesmo pq a evolução está ocorrendo e a tendência é só melhorar, deixando a ginástica cada vez mais bonita de se ver!!

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    2. No mundial de Ghent, em 2001, o desempenho dos EUA foi bem fraco, principalmente no feminino. Daiane certamente teve a nota de seu solo subvalorizada por ser negra, brasileira e uma ilustre desconhecida. Pena a Daniele não ter repetido a mesma nota da final do solo do individual geral, teria ganho da Raducan merecidamente, mas já foi ótima a prata. Também acho que o novo código é melhor do que os anteriores, tenho a impressão de que é menos discricionário. Que água com açúcar esse solo da Liu Xuan, no AA dos jogos olímpicos de 2000, não sei porque me lembrou a vibe do solo da japonesa Tanaka Rie, no mundial de roterdã, em 2010, http://www.youtube.com/watch?v=wqr5rJLcX_w

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    3. adorei o post! Eu realmente prefiro esse novo código, se querem saber minha opinião, concordo com o Anônimo.. fica mais fácil compreender os pontos bons e ruins das provas dos ginastas com as notas E e D separadas. Mas tem muito aind que melhorar..

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    4. O post ficou muito legal! O vídeo do Urzica me deixou c/ saudades do tempo em que ele competia. Urzica era incrível! Seria tão legal se aquela pirueta que ele codificou na PB fosse feita por algum ginasta atual...

      Só tenho uma ressalva a fazer em relação ao post: o código vigente é melhor que o código de 2008 apenas p/ WAG. P/ MAG, não. A mudança nas regras p/ bonificar ligações em FX deixou as séries desinteressantes e cheias de passadas. E vários descontos relacionados a composição de série em PH e PB são bem estranhos...

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    5. Muita saudade do Urzica competindo mesmo! Ele era mais ou menos o que o Berki é hoje! e o exercício nas paralelas é fantástico!

      Agora falando do código, eu ainda acho o atual melhor para os homens também. Se para o feminino tinha virado um festival de "coloca exercícios até você morrer e qualquer coisa liga pra UTI" imagina no masculino! A série de solo do Zou Kai é uma das piores sériesque já vi. Mais chata, sem variações, emoção, e ainda por cima um pouco suja. Eu achei um absurdo ele ter sido campeão olímpico! E se você observar bem, as séries do código de 2008 tinha mais passadas que o atual...

      Eu queria que na barra fixa os trocos tivessem mais descontos...pros ginastas trocarem na parada mesmo, bem em cima, e não na descida...

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    6. Olha Cedrick, eu sei que você é um cara c/ muito conhecimento em gym e eu tenho bastante respeito pela sua opinião, MAS N-U-N-C-A que no código 2008 tinha mais passadas do que o atual. Em qual competição você viu isso??? O seu exemplo do FX do Zou Kai é péssimo, porque ele foi o único finalista de Pequim cuja série tinha mais de 5 passadas e também o único daquela final c/ 4 passadas consecutivas na mesma diagonal. E a mudança no código não surtiu efeito algum no FX do Zou Kai, pois a série atual dele continua medonha, imunda e codewhore. Só não tem grandes chances de ser campeão novamente, porque, agora, ele já não é tão importante assim p/ o time chinês e, portanto, pode ficar fora da seleção titular da China.

      Atualmente, praticamente todos os ginastas fazem 6 ou 7 passadas. E sempre os mesmo tipos de sequências: dupla e meia + pirueta ou barani, pirueta e meia + pirueta ou pirueta ao rolo, Thomas grupado ou esticado... No final das contas, os ginastas continuam se tacando em série super exaustivas. E mais: em séries muito parecidas umas c/ as outras.

      Eu NÃO defendo a volta do código de 2008, mas acho que o código atual é pior sim, na medida em que limita muito a composição das séries. É tudo repetitivo. As séries ficariam muito mais plásticas e interessantes caso o código mudasse as regras de ligação, aumentasse o valor de alguns elementos e reformulasse os descontos sobre composição.

      Honestamente, eu estou meio pessimista c/ relação ao novo código que virá em 2013, porque NADA demonstra que a FIG tenha algum pingo de vontade em melhorar a plasticidade da MAG. Isso em todos os níveis, desde Bruno Grandi até arbitragem de mundiais. Por exemplo: em que adiantará codificar mais descontos p/ piruetas e câmbios fora da vertical na HB se os árbitros não estiverem dispostos a aplicar isso corretamente, afinal, já existem vários outros tipos de descontos que não são devidamente aplicados.

      Repito que respeito bastante a sua opinião. Mas, discordo dela baseado nos argumentos que escrevi aí em cima.

      Abraço.

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    7. Lucas!

      Pode discordar á vontade! Não sou o dono da verdade e nem quero ser. Opiniões, na maioria das vezes, em algum ponto são diferentes. Respeito a sua, mas também não concordo completamente com ela.

      Concordo com o fato de que hoje as séries no masculino estarem iguais, e elas estão mesmo. Dá pra você decorar a série básica de solo nível internacional. O mesmo acontece com a trave. Mas não acho que tenham mais acrobacias que o código de 2008...

      E falando da parte artística, a código antigo, o anterior a 2006, era melhor nesse quesito. Alexei Nemov, em 2000, terminava a serie com um duplo carpado, muito lindo. Hoje, terminar com um duplo carpado, acarretaria em nota de partida mais baixa; apesar de ser um exercício bonito de se ver, não é valorizado. As séries tinham mais parte artística, mais "coreografia", mais exercícios fora da diagonal. Agora virou um tumbling.

      Também tenho um pouco de medo do que acontecerá com o código em 2013. Uma coisa é certa: a FIG precisa rever o código, principalmente o masculino, urgente. A ginástica artística feminina está ficando cada vez mais "badalada" e a masculina meio que deixada de lado. Pouquíssimos são os sites que abrem espaço para a ginástica masculina. Sites que falem apenas de ginástica feminina, tem um monte. Agora que falem só de masculino...nunca vi nenhum!

      Uma prova disso, é o recente campeonato americano. O campeonato masculino foi um espetáculo, com pouquíssimos erros, se tratando dos principais ginastas. E a platéia estava escassa... Já no feminino, o campeonato foi menos interessante (se tratando de erros, as ginastas erraram beeeem mais) e os ingressos estavam esgotados! O ginásio estava lotado e não havia ingresso pra mais ninguém...

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    8. Então... Eu acredito que atualmente os solos MAG possuem mais passadas que as séries do código anterior. Você não. Um não vai conseguir mudar a opinião do outro c/ relação a isso. Mas, no resto, pensamos igual. Fiquei até surpreso, pois tive uma outra impressão no seu primeiro comentário. Enfim, nesse seu segundo comentário, você chegou exatamente aonde eu queria: a necessidade de se reformular o código p/ tornar a MAG mais interessante.

      O código atual limita muito a liberdade de composição das séries, porque poucas opções de elementos e sequências são convenientes dentro do aspecto competitivo. Você deu o ótimo exemplo do DC. Assim como o DC, vários outros elementos lindíssimos são ignorados por não agregarem valor significativo na nota. E, também, várias combinações legais de sequências são negligenciadas, por não renderem bônus de ligação.

      NÃO quero que o código anterior ao de 2006 volte, pois acho justo a separação entre nota D e nota E. O problema está em como essa lógica está sendo usada atualmente. O código atual é tão retritivo que coage os ginastas a se tacarem em séries entendiantes, insanamente difíceis e parecidíssimas c/ as séries de outros ginastas.

      Seu exemplo do US Nats foi excelente, pois mostra que a dificuldade de atrair atenção está especificamente na MAG. O nível dos principais ginastas do US Nats foi alto e esse evento teve ampla divulgação nas mídias. E mesmo assim, a MAG não conseguiu nem um décimo do público da WAG.

      Enfim, batemos na mesma tecla: a FIG precisa reformular o código p/ conferir mais plasticidade a MAG. Senão, a MAG vai cair em um total ostracismo.

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    9. Bom, enfim chegamos num acordo! Também não quero que o código anterior a 2006 volte, acho justo separar as notas. Mas a FIG precisa rever o código urgente pra tentar deixar a ginástica masculina com ou pouco de arte que possuía antes.

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    10. Great post.Thanks for sharing such a useful information with us.

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