• Regra desnecessária


    No ano passado entrou em vigor o novo código de pontuação, cheio de novidades, valorizações, descontos e etc. Enquanto tudo parece funcionar perfeitamente bem na ginástica masculina, a ginástica feminina ainda trabalha para encontrar regras que deixem bem claro o que a Federação Internacional de Ginástica procura.

    Na procura pelo melhor, inventar coisas sem nexo não é a melhor saída. Os árbitros e ginastas ainda conseguem engolir todas as regras coreográficas propostas no novo COP, mas uma regra específica da trave de equilíbrio tem feito muitos questionarem se a subjetividade não será colocada em xeque durante uma competição.

    Resumindo, a regra fala que (humor á parte) se a ginasta não fizer o mortal esticado como uma chinesa, o júri D deve validá-lo com um valor a menos. Ou seja: o mortal esticado, originalmente de valor E, que não for feito como uma chinesa, deve valer D.

    Entenda:

    mortais esticados que valem E



    e mortais esticados que valem D.



    Desde que a ginástica existe, sempre houveram 3 posições fundamentais de mortais: grupado, carpado e esticado (ou estendido). Nunca houve um meio termo. Nunca houve o grupado A e o grupado B. Ou o duplo esticado F e o duplo esticado E. Grupado é grupado, carpado é carpado e esticado é esticado. Por que complicar?

    O júri D deve entender e julgar se o mortal é grupado (C), carpado (C) ou esticado (E). Os descontos para as posições dos mortais já existem nas regras de execução: pouca altura, postura insuficiente durante o mortal... Não há como negar que os mortais esticados das chinesas realmente são os melhores. Então deixe que o júri E seja agraciado com a performance excelente e não as despontuem! Guarde a caneta para as ginastas que não executam o mortal esticado tão bem!

    Esse post foi inspirado depois de assistir o vídeo da série de trave da canadense Ellie Black, compartilhado na nossa página do Facebook. O mortal dela foi incluído no vídeo da FIG como exemplo dos mortais esticados que valem D, o que é uma injustiça. O mortal dela deveria ser descontado (pelo júri E) porque não tem uma boa altura, mas ele mantém a postura esticada durante a maior parte do movimento e ela consegue chegar em pé! Outro exemplo é o mortal da Daniele Hypólito, que antes dessa regra foi julgado e avaliado corretamente em nossos campeonatos como carpado (valor C), mas ao longo do tempo e treinos ela melhorou a execução e o mortal atingiu a posição correta para ser considerado esticado.

    Tudo indica que essa regra é completamente desnecessária, principalmente por ser muito subjetiva. Com certeza isso abrirá caminhos para que uma ou outra ginasta seja prejudicada. Não pela execução do mortal em si, mas talvez pela bandeira que a ginasta representa.

    Última questão: qual é o mortal executado pela Jade Barbosa na foto desse post?
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    12 comentários:

    1. Pela foto o mortal executado pela Jade e esticado !! galera alguém sabe quais são os saltos que Jade esta treinando atualmente ?

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      1. Lopez e DTY, com certeza. Eu espero a anos tempo mustafina, mas já perdi minhas esperanças :/

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      2. Sinceramente o Mustafina não vai ajuda lá em nada! Todas as especialistas em aparelho se preocupam com a nota D dos seus elementos, mas os técnicos de Jade Parecem não se preocupar!

        As americanas estão treinando o cheng e Amanar ! E as outras ginastas dos demais paises se utilizam de saltos que partem de 6.2 e 5.8(dupla pirueta) como segundo salto.

        o Mustafina. Vale 6 apenas!

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    2. Fabiano Araújo02 junho, 2014 17:34

      Eu concordo que essa regra é totalmente desnecessária. Na maior parte dos mortais executados no vídeo de mortais que valem "D", fica clara a falta de postura e os erros de execução na maioria deles. Eu considero um contrassenso criar mais uma categoria de elementos, sendo que o próprio Cop tem mecanismos específicos para descontar nesses casos - descontos severos, inclusive. A maioria dos exemplos do vídeo teria o mortal rebaixado para carpado (C) e receberiam descontos por falta de postura, altura e até mesmo aterrissagem, falta de ponta de pé e pernas flexionadas/separadas. Só na nota E os descontos desse elemento específico beirariam os 0,5 pontos, isso se não haver queda. Na nota D, perder-se-ia 0,2 com o rebaixamento do elemento e mais 0,1 da ligação (b+c não bonifica). Ou seja, na nota final, a priori, a ginasta perderia 0,7, quase UM PONTO!
      Acredito que existem critérios específicos no código que habilitam os árbitros a descontarem determinado elemento, oque é absolutamente necessário para o exercício de qualquer arbitragem. Mas no caso dessa regra, a falta de um parâmetro claro e objeto dá a impressão que tal desconto acontecerá à revelia, sem qualquer tipo de método que não seja as preferências individuais dos árbitros por determinada ginasta ou seleção. E isso é o mais preocupante.
      É desanimadora a ideia de que, além de existirem regras questionáveis como essa, a aplicação de tais regras se dá de forma duvidosa... Um exemplo disso é a regra de não poder ficar sobre dois pés mais de três vezes nas quinas no solo ou a regra de que a mesma diagonal do solo não pode ser usada para tumbling mais de uma vez seguida... Na prática, eu não vejo essas regras funcionarem. Certas ginastas que infringem tais regras continuam tirando notão.

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      1. Admiro-te pelo português correto.

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    3. Ufa, que bom que alguém concorda comigo... Já tinha visto o vídeo há algum tempo e acho absurdo um movimento receber diferentes nota D se a execução for diferente...
      Adorei o "como uma chinesa" kkkk De fato, os mortais esticados delas são os melhores

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    4. Concordo que abrirá margem à subjetividade, mas no vídeo, no qual, mortal esticado vale D, todas ginastas carparam o corpo quando os pés atingem a altura máxima até a chegada. Pra mim foram todos carpados msm.

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    5. Hehehe até o fofão americano e o brasileiro entraram na briga..... Kkkkk

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    6. O segundo vídeo os mortais são carpados msm!!!

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    7. desnecessario como assim , esticado é esticado e carpado é carpado e ponto , '' DESNECESSARIO'' entao vamos so ver as americanas ganharem e as chinesas etc que executão corretamente descartadas haha, é o fim do mundo. O melhor exenplo é a RAISMAN na trave isso sim comparea com uma chinesa ou romena ...

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    8. Alexandre Vieira Charles05 junho, 2014 15:36

      Pela foto não podemos afirmar se o mortal da Jade é esticado, mas analisando o vídeo da competição podemos afirmar, de acordo com essa nova metodologia, que o mortal de Jade neste caso também valeria "D".
      Na foto Jade aparece com posição correta na primeira fase do mortal, a questão levantada aparece justamente na segunda fase, em que a Jade, apesar da boa altura, angula o corpo a menos de 180° para completar a aterrisagem.
      A ginástica sempre foi subjetiva, mas este tipo de abertura do novo código abre um precedente para mais casos de favorecimento, prefileção e INJUSTIÇAS.

      P.S.: Os mortais esticados de Daniele e Jade são belíssimos!

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      1. Alexandre Vieira Charles06 junho, 2014 10:06

        Errata:

        "prefileção" leia-se predileção

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