• Esporte imprevisível


    Entra ciclo olímpico, sai ciclo olímpico, o código muda e os campeões e o destino da ginástica é sempre incerto. Ginastas mais artísticos, ginastas menos artísticos, ginastas musculosos, outros magros, todos conseguem de alguma forma acompanhar o que o código exige. Ou não.

    Sempre alguma polêmica cerceia a ginástica em seus mundiais. Na opinião de muitos, alguns campeões mereciam ter ganho enquanto outros não. Em alguns momentos, por mais que tenha um código de pontuação bem definido, a ginástica ainda parece ser um pouco subjetiva; atualmente algumas mudanças foram feitas para tentar melhorar isso.

    Em Glasgow, no último Mundial, os árbitros ficaram separados em cabines onde tivessem a comunicação entre eles um pouco limitada. Isso sem contar os árbitros de referência, que julgam as séries sem estarem na banca e que também foram adicionados a pouco tempo. Mas, mesmo assim, algumas notas ainda continuam questionáveis quando comparadas às outras.

    Outros fatores que ainda geram discussão: gosto pessoal, escola de ginástica, linha corporal, favoritismo, etc. Sem esquecer, claro, do código de pontuação. Talvez esse último seja o mais importante. Saber jogar com o código de pontuação - e para quem acompanha a ginástica, saber entender o código de pontuação - é o que realmente deve ser levado em consideração na hora de prever um campeão.

    A série abaixo, da coreana Mok Un-Ju, foi apresentada nos Jogos Olímpicos de 2000 e não entrou para a final do aparelho.



    Acrobaticamente falando, uma ginasta que acerta uma série dessas no código atual está praticamente garantida na final. Num código que exigia menos, Mok fez mais e acabou perdendo. O código atual pede mais mas, mesmo assim, ginastas que fazem menos conseguiram um lugar ao sol, e isso graças ao bom entendimento do código.

    A série abaixo é da ginasta Pauline Schaefer, medalha de bronze na trave em Glasgow.



    Competindo com uma série muito mais simples que Mok em 2000 - mas que cumpriu com os requisitos de composição e teve uma montagem correta -, Schaefer foi medalhista em Glasgow. Arriscou jogar com o código e acabou dando certo.

    Atualmente, vários ginastas arriscam séries simples (ação que vai um pouco contra o COP atual) e estão tendo bons resultados. Não só a equipe feminina da Alemanha como também as equipes da França e Holanda optaram por focar na execução dos elementos visando uma boa nota final no último Mundial. No caso da Alemanha, veio uma medalha na final por aparelhos e da Holanda também, que além da medalha (prata na final de trave com Sanne Wevers) conseguiu uma inédita classificação olímpica por equipes.

    Se você perguntasse para alguém se a Holanda se classificaria para as Olimpíadas ou se sairia de Glasgow com uma medalha, provavelmente diriam que isso não aconteceria. Se perguntasse sobre uma medalha para a Alemanha, diriam que ela poderia vir nas barras assimétricas, mas não diriam que ela viria na trave. Isso é ginástica e, por mais que tenhamos palpites, histórico de acertos e nota de partida das séries, prever algo é muito difícil.

    A foto que estampa esse post é da romena Larisa Iordache. Larisa foi candidata ao ouro na trave nos últimos 3 mundiais, já que tem uma das séries mais difíceis e completas da atualidade. Até hoje não conseguiu nenhuma medalha nesse aparelho, enquanto outras que nem foram mencionadas tiveram seus momentos de glória.

    Um exemplo mais próximo do Brasil esse ano foi a nossa seleção masculina. Toda a torcida estava confiando no ouro de Arthur Zanetti nas argolas, que acabou nem entrando na final. Ao invés disso, tivemos Arthur Nory na final de barra fixa terminando num inédito 4º lugar! Na busca da análise de ginastas e séries que arriscam o máximo que podem em elementos difíceis ou optam pelo mais simples jogando com o código de pontuação, uma ideia deixa de ser subjetiva e se torna extremamente clara: de todos, a ginástica é o esporte mais difícil de se prever.

    Post de Cedrick Willian

    Foto: Ivan Ferreira / Gym Blog Brazil
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    11 comentários:

    1. A final de trave do mundial desse ano foi a grande decepção da competição, tirando Simone Biles foi inaceitável outras ginastas conquistando medalhas com séries tão simplórias.

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      1. depois do FLOP das romenas tá difícil assistir uma final de trave decente.

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    2. Trave de longe o pior aparelho nesse ciclo, uma vergonha, Biles duas vezes campeã com aquela série feia, mas ela n tem competição.

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      1. Vadiva ! Você pode achar a serie de Biles "feia" e um direito seu, com opinião não se discute.

        Agora fala que e uma vergonha ela ser bicampeã nesse aparelho acho um pouco OVER, claro que a trave da Larrisa Mustafina entre outras são mais plasticas,artísticas e etc.

        Mas Biles tem uma serie difícil e com uma ótima execução, ela vai lá e faz o que treinou, já as outras com lindas series muitas vezes não conseguem aguentar a pressão, perdem na execução e dificuldade.

        Felipe Almeida.

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      2. Vadiva! Simone vai lá e faz! Em 2014 Larissa tinha muitas chances de ser a campeã na trave, porém mais uma vez caiu da trave, e o que Simone fez? ACERTOU.

        Em 2015 Larissa também era uma das favoritas, acredito que só ela e Seda teria a probabilidade de vence-la, e o que ambas fizeram? Larissa não se classificou pois sofreu queda, e Seda caiu da trave, Simone foi a ultima a se apresentar e apenas cometeu um pequeno desequilíbrio, foi lá e fez o papel dela, tenho impressão que mesmo com os acertos das outras ela seria campeã esse ano com a serie que apresentou.

        Para 2016 Biles esta atualizando suas series , inclusive a de trave ou seja, a nota de 6.4 ira subir ainda mais, então e bom as outras ginastas acordarem e correm atrás da execução e dificuldade, SE NÃO A SERIE "FEIA" vai medalhar outra vez.

        Marcos Soares

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    3. Sem querer ser chato, mas o pentatlo moderno é mais complicado de prever. Um cavalo ruim para o atleta e pronto, medalha perdida mesmo que ele vá muito bem em todas as outras provas. E como os cavalos são sorteados aleatoriamente, fica impossível prever qualquer coisa.

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    4. Ginástica é hoje um jogo de quem sabe a regra e não de talento ( afinal pra chegar a uma competição desse nível e numa final talento todos já tem).

      Se o jogo tem a regra tem que saber muito bom como usar ela.

      Solo dos últimos anos e em especial esse: pediu artistico, quem entregou se deu razoavelmente bem.

      As competições como um todo tinham que mudar se possível, algo como a Golden league do atletismo ( sei que as copas do mundo eram pra ser algo assim, mas visivelmente não estão valendo a pena).

      As rankings deveriam valorizar mais os atletas, aqueles que passam o ano inteiro se dedicando não só a treinos mas a competições também deveriam ter uma cereja no bolo pra uma final de mundial. Acumulando pontos ao longo das competições pra no final da temporada ter uma super competição final e premiar o melhor daquele ano em cada modalidade.

      Pode ser viagem da minha cabeça e pode até ser fisicamente impraticável para os atletas se manterem o ano todo competindo.

      Sem uma abordagem diferente nunca vamos ter os melhores atletas premiados nas melhores competições.


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    5. Que pena aquelas árbitras fdp não terem colocado a Jade na final de trave, ela está numa boa fase nesse aparelho, bem firme. Vão classificando qualquer ginasta para uma final mundial e dá nisso, séries fáceis e que não empolgam, essa ginasta alemã tem que levantar as mão para o céu, porque com essa série toda desequilibrada e com uma saída dessas... A Simone não teve concorrência, não gosto muito dela na trave mas sem dúvidas mereceu vencer esse ano, diferente do ano passado que não aceito ela ter superado aquela série da Bai Yawen.

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    6. EXCELENTE TEXTO!
      Em minha opinião, a conclusão é que na prática esse mundial de Glasgow (2015) comprovou na Trave (balance beam) que o código valoriza conexao de elemento de dança+acrobacia e de forma geral conexões bem feitas, isto é, com mudança de direção. À primeira vista, a prova da Alemã não tem elementos tão dificies, porém ela fez conexões interessantantes. Por exemplo....ela dá giro duplo....e para e depois faz um giro simples+estrela sem mãos. Outro elemento foi uma cortada + sheep jump. Enfim, temos ginastas no Brasil com capacidade de aproveitar o código trabalhando as conexões de forma mais segura e precisas. Por exemplo...a Flavinha poderia optar ´por não tentar sequência de 3 elementos seguidos. Poderia fazer 2 sequências com 2 elementos D encadeados e pontuar as conexões de ambos. Exemplo.:
      1 reversão pra frente + Side some
      pausa
      1 reversão pra frente + estrela sem mãos
      pausa para a saída.

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    7. Também achei uma decepção a trave desse mundial. Tirando a Biles que faz uma serie bem agressiva, a la Shawn Johnson e de dificuldade, como a da Nastia Liukin (aliás, saudade do ciclo dessas ginastas), o resto foi bem meia boca. Uma pena a Flávia não ter entrado pra final, se ela acerta a serie dela, certeza que levava uma prata. Mas é aquela coisa: SE...Parece que pra Biles não tem o "SE", ela vai lá e sempre acerta.

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    8. Pra essa ganhar o bronze com três desequilíbrios sendo um grande, as outras devem ter sido piores, não acredito que uma série ruim dessa com saída de ponta a pé a lua ganhe uma medalha em mundial aff, o que esperar também de árbitros corruptos que na grande esmagadora maioria não faz o seu dever bem feito

      Luciano Veiga

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