• O que a ginástica reserva para 2016 - Parte 8


    HOLANDA

    A equipe fez a melhor competição da vida no último mundial. Em momentos importantes, sempre tinham falhas em alguns elementos, mas na classificatória olímpica resolveram acertar tudo. E deu certo: qualquer erro teria sido fatal, já que menos de 0.5 separaram o país da equipe brasileira. Foram perfeitas quando precisaram ser e colocaram o país com uma equipe completa dentro das Olimpíadas.

    Kirsten Polderman

    Única estreante oficialmente convocada para a seleção adulta deste ano, Kirsten Polderman é uma ginasta longilínea e apresenta bons elementos nos dois aparelhos mais fortes da equipe: barras e trave – no primeiro, stalder carpado, Maloney + shootover, Jaeger e Tsukahara de saída, tudo com ótima postura, e no segundo, estrela sem mãos + flic, ilusion, split ring, tour jeté com meia e saída em steingruber –. Suas outras duas provas são mais simples e não passam/passavam dos 5.0 de partida. Enquanto juvenil, não obteve resultados internacionais de muita expressão, mas foi de longe a melhor dentre as integrantes do trio que representou o país no Festival Olímpico da Juventude Europeia de 2015. A base holandesa, conhecida por sua linearidade e uma constante revelação de talentos, tem tido anos de pouco destaque, o que deve mudar a partir do ano que vem com as promessas nascidas em 2002.



    Eythora Thorsdottir

    Talvez a maior revelação do país no ano passado, Eythora contribuiu muito para a equipe holandesa durante toda a última temporada. Muito consistente, é dona de uma das séries de trave mais originais da atualidade. Considerando todas as ligações e exercícios que a série se propõe, pode chegar a 6.3 de nota D. A ginasta tem o artístico muito bem trabalhado, assim como a maioria das ginastas da equipe, tanto que sua belíssima série de solo conta apenas com duas passadas e consegue nota final em torno de 13.700. Suas séries de trave e assimétricas são muito eficientes, conseguindo acima de 14 na trave e em torno de 13.600 nas assimétricas. Seu ponto fraco, assim como toda a equipe atual da Holanda, é o salto. Em um vídeo de treino recente, Eythora foi vista executando uma saída de tripla pirueta na trave, exercício que aumentaria a nota de partida da série, aumentando, também, suas chances de conseguir uma final importante.



    Lieke Wevers

    É uma ginasta extremamente polida e que tem os giros sobre um pé como sua principal arma. Lieke é bastante equilibrada nos quatro aparelhos, tendo a capacidade de tirar notas muito próximas em três deles: barras assimétricas, trave de equilíbrio e exercício de solo. Nas barras, Wevers apresenta belíssimas linhas, excelente extensão de quadril, de joelhos e dos pés, além de voos altos e limpos. A série, que começa com uma sequência de Church (tkachev do giro de sola) seguido de um Pak, bonifica em dois décimos e é o ponto mais alto da série de 6.000 de dificuldade que, consistentemente, rende notas entre 14.500 e 14.300. Na trave, abusa dos giros, realizando um duplo giro simples, além de um giro e meio com a perna na horizontal (elementos de dança de valor D). Uma original sequência de duas estrelas sem as mãos é o destaque da série, que alcança um 5.900 de nota D quando tudo é feito corretamente. Mas é no solo que a ginasta holandesa consegue explorar ainda mais a sua facilidade com giros: a série contém três elementos com rotações, sendo todos de valor D ou E. O trabalho coreográfico é simplesmente perfeito, mas a execução também é algo que chama muito a atenção. A série tem apenas duas passadas, o que diminui as chances de descontos em aterrissagens, esses que costumam ser os mais aplicados pelos árbitros. O salto é o seu aparelho mais fraco - yurchenko com pirueta -, mas ainda assim com execução bastante correta.



    Sanne Wevers

    Sanne Wevers é irmã gêmea de Lieke, mas conseguiu despontar no cenário mundial bem mais cedo que ela. Especialista de barras e trave, Sanne realiza tudo com bastante facilidade e consistência. Dona de um talento sem igual para giros sobre um pé (facilidade que vêm de família), Wevers é a única ginasta do mundo que consegue realizar um duplo giro com a perna na horizontal em uma superfície de 10 centímetros de largura. A série de trave que rendeu a medalha de prata no Campeonato Mundial de Glasgow, tem nota D de 6.0 com todas as ligações consideradas, mas em competições anteriores, Sanne mostrou ser capaz de arriscar muito mais: já apresentou uma entrada de rondante + flic flac com pirueta (valor E) e a sequência de estrelas sem mãos já foi ligada diretamente com a sequência da reversão. Sanne também consegue realizar um triplo giro sobre o aparelho, que adicionado aos outros upgrades somam um potencial de 6.5 de nota D. Nas barras, Wevers abusa dos elementos da família da oitava (giro com o quadril próximo ao aparelho), iniciando a série com uma complexa sequência de shaposhnikova (voo de costas pra barra alta vindo da oitava na barra baixa) seguido imediatamente por uma oitava com pirueta, ponto mais alto da série de 5.600 de dificuldade. Somado a excelente execução, a nota final de Sanne nesse aparelho quase sempre fica na casa dos 14 pontos.



    Lisa Top

    A ginasta de 19 anos foi uma das responsáveis pelos melhores resultados da Holanda na atualidade. No ano passado, na primeira edição dos Jogos Europeus, ajudou a equipe holandesa a terminar com a medalha de bronze, conquistando ainda outro bronze no salto. Fez parte da equipe que se classificou para a final por equipes no Mundial de Glasgow e automaticamente se classificou para os Jogos do Rio. Seus melhores aparelhos são: solo, onde entra com um ótimo duplo mortal de frente e tem boa coreografia, e salto, onde apresenta uma reversão com pirueta de frente grupada. Uma curiosidade: enfrentando muita pressão, Lisa foi a última ginasta holandesa a se apresentar no Mundial. A equipe ainda estava atrás do Brasil nesse momento e, com um salto cravado de Lisa, acabaram se classificando para os Jogos Olímpicos.



    Celine Van Gerner

    Van Gerner é uma ginasta talentosa, mas caiu de rendimento gradativamente por conta de lesões que vem sofrendo desde 2012. O tornozelo de Celine impediu que ela participasse do último Mundial em Glasgow mas, mesmo diante de tantos problemas, pode contribuir pra equipe nos Jogos Olímpicos do Rio, sobretudo nas barras e na trave. Sua série de trave atualmente é composta por uma original sequência de salto longo + estrela sem mãos + cortada com meia pirueta. Esses 3 elementos ligados dão três décimos de bonificação e fazem a série alcançar um potencial de nota D: 6.0  A sua atual série de barras é bastante simples (apenas 5.3 de nota D), mas apresenta uma execução extremamente limpa, além de ter um grande potencial de evolução, caso a atleta consiga recuperar os elementos em stalder que ela realizava na série em 2012, série essa que tinha 6.0 de nota de dificuldade. As lesões fizeram com que Celine caísse de rendimento no solo, um de seus aparelhos mais fortes no auge da forma. Mesmo assim a ginasta mostrou ainda ter pique pra ajudar também nesse aparelho, após recuperar um dos elementos da sua antiga série, a entrada de tsukahara grupado. Celine também treina esse mesmo elemento na posição esticada. Sua antiga série de solo tinha 5.6 de nota D.



    Post de Cedrick Willian, Stephan Nogueira e Bernardo Abdo.

    Esse é o oitavo texto de 2016 da série " O que a ginástica reserva". Todo fim / começo de ano faremos postagens sobre os maiores nomes que competirão no ano seguinte. O último texto será exclusivamente escrito sobre ginastas do Brasil.

    Foto: Divulgação
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