• O que a ginástica reserva para 2018? - Parte 4 - Japão e Grã-Bretanha


    Dois grandes países e com um desenvolvimento crescente na ginástica continuam produzindo boas ginastas e mostrando que o trabalho é duradouro: Japão e Grã-Bretanha, equipes 4ª e 5ª colocadas, respectivamente, na final por equipes dos Jogos Olímpicos, apresentam duas ginastas com grande potencial de bons resultados esse ano.

    JAPÃO

    No ano passado, Mai Murakami perdeu, por pouco e numa emocionante disputa, uma medalha no individual geral no Mundial do Canadá. A ginasta se redimiu nas finais por aparelhos e acabou sagrando-se campeã mundial de solo com uma série belíssima. O país foi 4° e 6° colocado na final individual geral e ainda teve duas representantes na final de trave. Embalado pela sucesso no Mundial e pelo 4° lugar na final por equipes olímpica em 2016, existe a possibilidade do Japão conquistar a vaga olímpica para os Jogos de Tóquio já esse ano? Confira as duas estreantes sem se esquecer que o país ainda conta com boas veteranas.

    Soyoka Hanawa

    Especialista de trave e salto, Hanawa entra na categoria adulta com tudo que o Japão precisa: uma especialista de trave! Sua série de trave é bastante interessante. Partindo de 5.5, a ginasta apresenta duas sequências bem difícieis : flick + layout + layout e flick + flick + mortal estendido, sequências que acrescentam 0.2 de bônus para a nota de dificuldade. Há rumores de que a ginasta já apresenta um mortal estendido com pirueta em cima da trave, de valor máximo no código (G). Seus saltos consistem num yurchenko + dupla pirueta, o famoso DTY, de valor 5.4 no código atual. Seu 2° Salto é uma reversão + 1.5 pirueta estendida, o RUDI, de valor 5.8! Com execuções medianas em seus saltos, a japonesa pode se tornar uma especialista nesse aparelho para a equipe japonesa. Com as séries que apresenta, Soyoka Hanawa integraria a equipe japonesa para fazer salto e trave, já que em termos de dificuldade a ginasta é a que mais apresenta upgrades no Japão.





    Mana Oguchi

    Além de ser uma ginasta muito segura, Oguchi tem um certo carisma durante as competições. Sua série de solo é muito forte - conta com um duplo esticado, sequência de dupla e meia + pirueta e um giro mustafina - e também artística, apresentando uma boa coreografia. Na trave, seu segundo melhor aparelho, tem uma entrada interessante de mortal carpado ligado a mais dois saltos de dança (bonifica 0,2) e uma saída curiosa: dupla pirueta de frente, chamada ARAÚJO, homologada pela ginasta brasileira Heine Araújo. Possui uma reversão com mortal esticado com meia volta no salto e as barras assimétricas são o seu ponto fraco: nesse aparelho, apenas cumpre as exigências e tem baixa dificuldade, mas pode evoluir já que esse aparelho tem um histórico positivo no país.



    GRÃ-BRETANHA

    Desde os excelentes resultados com Beth Tweedle, as equipes britânicas não pararam de crescer. Foram medalhistas de bronze no Mundial de 2015, conquistaram uma medalha olímpica com Amy Tinkler em 2016 no solo e no ano passado mais um bronze mundial no solo com Cláudia Fragapane. Vai lugar contra o Japão para subir uma posição na final por equipes e, quem sabe, lutar por outro bronze por equipes no Mundial que, esse ano, valeria uma vaga olímpica.

    Taeja James

    Taeja é uma ginasta explosiva, forte e segura. Não foge nem um segundo da linha de ginástica que a os britânicos vem trabalhando e, quer goste ou não, tem dado resultado. Seu solo já conta com uma difícil sequência de pirueta e meia ao passo + tripla de costas, muita altura no duplo que pode evoluir para uma acrobacia mais difícil além de ter facilidade com piruetas. Na trave já apresenta com segurança a sequência de rondada + mortal esticado e uma excelente saída de rondada + tripla (0,2 de bonificação). As assimétricas ainda precisam de polimento, mas os balanços são ótimos e abrem espaço para muita evolução em largadas, algo bem característico da maioria das ginastas britânicas. No seu aparelho mais fraco, o salto sobre a mesa, apresenta um yurchenko com pirueta simples, mas explosivo, que pode evoluir para saltos mais fortes. Lembrando que em seu currículo já consta ouro em todas as finais do Campeonato Britânico Juvenil de 2017.



    Zoe Simmons

    Diferente de Teja, Simmons tem um artístico mais bem trabalhado, uma ginasta muito charmosinha. Entretanto, tem menos potência de pernas de sua compatriota, apesar da ótima entrada de duplo de frente no solo que ela liga com um salto stag para bonificação de 0,1. Tem uma linha bonita nas assimétricas, mesmo que ainda apresente apenas uma série básica e que cumpre com todas as atuais exigências. Na trave ainda é um pouco insegura e não apresenta acrobacias fortes; entretanto os saltos são bons. No salto, seu aparelho mais fraco, possui uma reversão + mortal carpado com meia volta como salto mais difícil. Simmons é uma ginasta muito agradável de se assistir e que, se conseguir alinhar mais dificuldade no seu belo potencial de execução, pode surpreender.



    Texto de Cedrick Willian e Lucas Victor.
    Foto:  Ezra Shaw / Getty Images North America
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    Um comentário:

    1. muito bom o post. Isso mostra que as equipes do "segundo pelotão'' estão com atletas competitivas e podem brigar por um lugar no podium. Vejo a equipe japonesa com grandes chances de conquistar o bronze por equipes nesse mundial. É nítida a evolução técnica do time, que conta com pelo menos uma ginasta especialista com prova suficiente pra ir nas finais de todos os aparelhos, além da final do AA, claro.
      ...
      Mudando de assunto, vi no site da FIG que o Brasil enviará na etapa da copa do mundo em Doha 4 ginastas. 2 MAG e 2 WAG... alguém pode informar que são?
      Vi também que Lucas Bittencourt e Thais Fidelis participarão na etapa AA da Copa do Mundo em Birmingham.

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