• Estados Unidos mantém hegemonia na American Cup


    Tradicionalmente vencida por americanos, esse ano não foi diferente: mesmo com grandes concorrentes na disputa pelo ouro, Morgan Hurd, no feminino, e Yul Moldauer, no masculino, foram os campeões da American Cup. No ano passado, além de Moldauer a ginasta Ragan Smith, também americana, ficou com o ouro no feminino.

    Os títulos não poderiam vir em melhor momento, dado que a Federação Americana precisa praticamente se reconstruir e se reafirmar como uma instituição séria, visto que vários atletas e ex-atletas americanos estão iniciando um movimento para descredenciar a USA Gymnastics do Comitê Olímpico Americano. O movimento é justo mas, antes de descredenciar a instituição vigente, é necessário pensar e criar algo novo que possa substituir com competência o órgão atual.

    Problemas políticos à parte, Moldauer conquistou o segundo título consecutivo na competição, se firmando como o principal "all-arounder" americano da atualidade. O ginasta é muito rápido, limpo e preciso, conseguindo compensar, dessa forma, a dificuldade mediana que ainda apresenta em algumas de suas séries. Moldauer é um ginasta novo e pode evoluir bastante na dificuldade de suas apresentações. Na corrida pelo bicampeonato, enfrentou a estrela individual geral em ascensão, o japonês Kenzo Shirai, que acabou errando muito, principalmente no cavalo com alças, perdendo suas chances de favorito ao ouro. Vale lembrar que Kenzo, no Mundial do ano passado, foi bronze na final individual geral, menos de seis décimos atrás do ouro e prata conquistados pela China.

    Morgan Hurd pareceu uma ginasta muito madura, principalmente se comparada ao Mundial. Suas séries e acrobacias estão mais seguras, e seu corpo também parece mais forte. Fez uma competição excelente e digna de ouro. Suas principais adversárias realmente eram as ginastas que ficaram com prata e bronze: a japonesa Mai Murakami e a americana Maile O'keefe. Murakami também fez uma competição melhor que no Mundial, com séries muito cravadas. Já O'keefe, que está estreando na categoria adulta, acabou errando nas assimétricas e na trave, perdendo as chances de uma colocação melhor.

    A American Cup foi uma competição interessante para início de temporada. Percebe-se que a progressão das séries até o Mundial será bem interessante. No masculino, o ucraniano Petro Pakhniuk já mostrou uma série de paralela difícil logo no começo do ano, e o mesmo aconteceu com o britânico James Hall no cavalo com alças. No feminino, a alemã Elizabeth Seitz - com sua série de barras assimétricas - e a canadense Brooklyn Moors - com sua série de solo - já mostraram que podem novamente ser finalistas mundias em suas especialidades.

    Resultados: masculino e feminino.

    Sobre a atuação do Brasil


    Fabiane Brito começou a competição muito bem, saltando um ótimo yurchenko com dupla pirueta. Aparentemente a ginasta sentiu o joelho e foi poupada de continuar. A decisão de poupá-la é muito sensata, visto que Fabiane pode ser uma peça fundamental para a equipe esse ano.

    Francisco Barreto, até o momento de competir o último aparelho - barra fixa -, não havia sofrido nenhuma queda e fazia uma boa competição. Mas foi justamente em seu melhor aparelho que acabou caindo. Mesmo assim teve a maior nota de partida, uma nota D de 6.0, que poderia ter rendido uma boa nota final. Não era esperado um pódio para o ginasta nessa competição, visto que o individual geral não é sua especialidade. A competição foi um teste para Francisco que, apesar de ser especialista de barras (fixa e paralela), precisa começar a contribuir mais nos outros aparelhos. O novo modelo de equipe teoricamente colocaria Francisco para disputar uma das vagas de especialista nas Copas do Mundo. Entretanto, suas séries são muito importantes para a equipe e classificação olímpica. Dessa forma, é mais sábio trabalhar os outros aparelhos com ele e incluí-lo na equipe do que deixá-lo competindo apenas como especialista.

    Sobre a lesão de Mao Yi

    A ginasta chinesa Mao Yi, logo no começo da competição, apresentou um yurchenko com dupla pirueta no salto, com chegada baixa e girando, o que acabou ocasionando uma grave lesão: a ginasta fraturou o osso da coxa e provavelmente encerrou sua careira na ginástica.

    Apesar de que Yi apresenta yurchenkos com dupla pirueta bem executados desde 2015, a lesão coloca em cheque as dificuldades que as chinesas possuem nesse aparelho: uma equipe com biotipo fraco de pernas mas que comumente força um pouco além dos limites. Algo mais do que comum é ver a China arriscando saltos difíceis com execução pobre, colocando em risco a saúde e integridade das atletas.

    O que aconteceu pode ter sido um acidente como também pode ter sido irresponsabilidade. Assistindo o vídeo e analisando a potência de corrida da ginasta, não se espera que ela faça um yurchenko com dupla pirueta: a corrida estava um pouco fraca e pesada. Talvez seja o momento de rever as prioridades da equipe nesse aparelho e repensar a preparação física de pernas ao invés de jogar as ginastas em saltos difíceis num momento desapropriado para realizá-los.

    Post de Cedrick Willian
    Foto: John Cheng / USA Gymnastics
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