• O retorno de Simone


    Talvez o maior talento de todos os tempos da ginástica artística feminina, Simone Biles continua espetacular. Perguntei para as crianças da turma baby do meu ginásio se elas sabiam quem era Simone Biles - se elas soubessem quem era, já seria um fato feliz -, ao passo que a Manu, de 5 anos, respondeu: "Ela pegou a ginástica toda pra ela!". Não podia haver definição melhor do que essa! E ontem, no U.S Classic, foi praticamente isso que aconteceu: Simone voltou para pegar a ginástica toda de volta pra ela.

    Apesar do espetáculo, a ginasta parecia um pouco apática comparada ao que vimos no ciclo passado. Com a energia um pouco baixa, Simone parecia mais feliz nas redes sociais do que no ginásio competindo. Mas, depois de ficar parada tanto tempo e ter retornado em apenas sete meses, não dá para cobrar tanto: o que ela apresentou já foi incrível, mesmo sem os tradicionais sorrisos. Talvez o nervosismo e a apreensão do retorno a deixaram um pouco mais séria.

    No salto, compete agora com um cheng no individual geral. É a primeira ginasta a fazer isso, utilizando um salto mais difícil que o amanar. Uma escolha inteligente para ela que é muito forte, já que o salto tem menos giros e uma chegada de costas, diminuindo o risco de lesões. Nas barras, o que vimos foi quase um milagre: conseguiu melhorar muito sua nota de partida e execução, mesmo com a queda. A queda, inclusive, pareceu um pouco ocasionada pela técnica de pirueta cravada na parada (o giro começa um pouco mais cedo para terminar na parada), mais uma melhora considerável na série. No fim das contas, a nota D é de 6.2.





    Na trave, em comparação aos Jogos do Rio, acrescentou apenas um mortal pra frente carpado, e manteve o restante praticamente igual - o que não deixa de ser incrível. Apesar da nota inflada (15.200 para uma série de mais ou menos 14.500), ainda assim teria sido campeã individual geral e talvez nesse aparelho.



    O solo foi a maior surpresa do dia: sua última passada foi um duplo com dupla extremamente bem executado. Nesse aparelho não existe concorrência para ela: a série que está fazendo é absurdamente difícil! Qualquer linha acrobática de sua série seria a primeira linha acrobática de qualquer ginasta no muito boa de solo. Em modo comparativo, a russa Elena Zamolodchikova, campeã olímpica de solo  dezoito anos atrás, começou sua série com o duplo com dupla, acrobacia que a Simone termina a sua atualmente. É muito impressionante.



    Riley Mccusker ficou com a prata na competição individual geral, sem deixar de impressionar. A ginasta era promessa para o ano passado, mas acabou lesionada e sem apresentar um resultado expressivo. Nesse retorno completo, mostrou muita beleza e graciosidade na sua ginástica, ficando também com o ouro nas assimétricas, onde apresenta uma linha corporal muito bonita e técnica apurada. A campeã mundial Morgan Hurd ficou com o bronze apresentando vários upgrades em suas séries.





    Agora é só aguardar pelo Campeonato Americano, onde várias ginastas prometeram upgrades com séries mais seguras. E a gente fica aguardando o "comeback" do sorriso da Simone: esse foi o único detalhe que faltou ontem.

    Resultados completos aqui.

    Texto de Cedrick Willian
    Foto: Alex Livesey
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