• Há razão para tanto otimismo com a atuação do Brasil?


    Nos textos e postagens, tanto do blog no Facebook, tenho tido uma fala bastante otimista - mais do que normalmente já tenho - com relação ao Brasil. Muita gente criticando, muita gente acreditando, e assim seguimos a vida: cada um com sua opinião, mas cada um também com o seu direito de defendê-la.

    Não é que de repente o Brasil virou um país espetacular na ginástica que vai entrar em todas as finais em Doha com chances de medalha. É que realmente, no cenário atual, as nossas seleções sem encontram bastante competitivas. Entrar nas finais já seria um bom resultado já que este é o primeiro passo para a conquista de uma medalha. Com uma vaga na final, novas estratégias podem ser feitas com o intuito de conquistar uma medalha. Temos um exemplo bem claro disso no Brasil: o ginasta Arthur Nory.

    Em nenhuma das previsões, de nenhum meio de comunicação, de nenhum treinador ou equipe técnica do Brasil, foi mencionado a possibilidade de uma medalha no solo para o ginasta Arthur Nory. Todos sabem o que aconteceu: Nory se classificou para a final de solo em um dos últimos lugares e, quando viu a oportunidade que tinha, arriscou sua série mais difícil (inclusive com elementos que não executava já tinha um tempo) e conquistou o bronze. É certo que se Nory tivesse repetido a mesma série das classificatórias não teria ficado no pódio.

    Dito isso, vamos às possibilidade de resultados para o Brasil em Doha, com suas justificativas.

    Masculino

    - Final por equipes
    - Final individual geral e salto para Caio
    - Final de argolas para Zanetti
    - Final de barra fixa para Francisco

    O cenário internacional por equipes masculina que se percebe nesse momento em Doha é o seguinte: China soberana; Rússia MUITO bem; Grã-Bretanha bem; Japão lesionado e com erros consideráveis; Estados Unidos carregado por Mikulak e Mouldauer, tendo o restante da equipe suja e inconsistente.

    Nesse cenário, o Brasil se encaixa da seguinte forma: a equipe continua com a mesma característica técnica: boa de solo, salto, barra fixa e barras paralelas; argola mediana (a nota do Zanetti é que faz a equipe subir) e cavalo como ponto fraco, mesmo que tenha melhorado muito desde o ciclo passado. Entretanto, observo mais consistência na equipe do Brasil do que Estados Unidos e até Japão. Na final 3 x 3, prevejo - e espero -, um Brasil acertando todas as séries ao passo que outras nem tanto. Resumindo, o Brasil se encontra na mesma posição técnica, mas pode obter um ótimo resultado devido à consistência. Ainda somos inferiores tecnicamente principalmente se comparados à China, Japão e Rússia, mas nesse Mundial a consistência nas séries pode ser um ponto muito positivo a nosso favor.

    A final de salto para Caio é muito possível e, estando na final, o resultado é inesperado. Sua nota de partida é bem competitiva, e só não é maior, até o momento, do que a do norte-coreano Ri Se Gwang. A maioria dos ginastas que nesse momento se classificam para a final apresentam dois saltos com nota de partida 5.6.

    Zanetti com nota acima de 14.900 já se torna automaticamente um candidato à medalhas, mas vai ter que enfrentar, mais uma vez, o grego Eleftherios Petrounias, que decidiu competir de última hora. O ginasta vai passar por uma cirurgia no ombro esquerdo no dia 5 de novembro, e resolveu competir mesmo com dor.

    Francisco é finalista olímpico de barra fixa e, no Campeonato Brasileiro, conseguiu nota que nesse momento já o colocaria na final. De cara já terá que enfrentar Kohei Uchimura, Sam Mikulak e Epke Zonderland, numa final onde tudo pode acontecer. Mais uma vez, fica a torcida pela consistência, como ele fez para a conquista da 5ª colocação olímpica no Rio de Janeiro.

    Feminino

    - Final por equipes
    - Final individual geral para Jade e Flávia
    - Final de trave e solo para Flávia
    - Final de trave para Rebeca

    O cenário internacional se encontra assim: EUA de longe a melhor equipe; Rússia inconsistente no solo, fraca na trave, boa no salto e excelente na barra; China fraca de salto e solo, boa de trave, excelente na barra e contando com três ginastas sem experiência; Grã-Bretanha com "Downies" voltando de lesão, sem Fragapane e Amy Tinkler, boa no salt, solo com grandes acrobacias, excelente nas barras e trave inconsistente; Japão sem Sae Miyakawa, boa de solo, salto e barra, fraca na trave; França com barra excelente, boa de trave, salto e solo fracos.

    Diferente dos outros anos, a seleção brasileira, mesmo sem Rebeca pronta no individual geral e colocando suas dificuldades em todos os aparelhos, é muito forte. Não estamos contando com a sorte, nem com a estreia de novos elementos, nem com fraquezas remediadas de última hora: essa equipe está efetivamente pronta para competir o Mundial. As séries estão finalizadas, firmes e consistentes. Cada ginasta que subir nesse tablado sabe exatamente o que tem que fazer. É uma preparação diferente do que se viu nos Jogos do Rio de Janeiro, quando finalmente o Brasil voltou para uma final. Dessa vez, se algo der errado terá sido uma fatalidade e não falta de competência. É uma visão muito diferente sobre elas.

    No treino de pódio, os únicos erros foram de Jade (johnson com 1/2) e Flávia (sequência de layouts) na trave. No mais, Lorrane apresentou melhora nas barras; Rebeca voltou com o yurchenko com dupla; Flávia está melhor do que nunca no salto; Jade passou uma série de solo tão cravada que merecia uma final. A confiança está boa, o trabalho está bom, elas só precisam entrar no ginásio e repetir as séries mais uma vez, com a tranquilidade de um treino. Uma briga por medalhas é bem possível de acordo com o momento atual de todas as principais equipes aqui. Em entrevista, Liukin disse que não quer que a experiência das meninas seja estressante. Pelo contrário: quer vê-las sorrindo, uma ideologia que soa bem americana: cravar os quatro aparelhos e se divertir. Também espero que elas não estressem e acertem tudo que já demonstraram saber fazer!

    Com a barra e salto mais firmes, as melhores notas de Flávia Saraiva colocam ela como uma candidata séria ao top 5 individual geral. E todos também concordam que ela também tem grandes chances de medalha na trave e solo. Mesmo sem chances de terminar entre as 5 primeiras, Jade pode fazer uma excelente competição, mostrando todo seu talento e ginástica.

    Uma final que acredito que ninguém esteja esperando é a de Rebeca na trave, e aqui está a justificativa: a característica da série que Rebeca está apresentando nesse aparelho é muito parecida com o que os juízes procuram: série limpa, firme, dinâmica e sem ligações duvidosas. Ela entra e sai do aparelho da melhor forma possível; não fica "enrolando" lá em cima enquanto sua nota E vai diminuindo.

    Daqui três rotações é a vez da seleção masculina subir ao pódio, quando já vamos poder conferir se as previsões são realísticas ou apenas mais um pouco de otimismo. Realidade ou otimismo, só alcança o topo quem realmente acredita e trabalha para isso. Com o trabalho feito, o próximo passo é acreditar. Mudar a forma dos fãs, atletas, técnicos e dirigentes de pensar a ginástica brasileira já é um início excelente! Estou na torcida sempre.

    Post de Cedrick Willian
    Foto: Abelardo Mendes Jr / rededoesporte.gov.br
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