• Correndo riscos, Simone Biles consegue o tetra mundial


    Em uma final com várias quedas, duas delas inacreditavelmente foram de Simone Biles. Competindo com todos os elementos que tinha para oferecer, caiu no salto e na trave, sendo salva, dessa vez, pelo seu antigo pior aparelho: as barras assimétricas. O somatório final ainda foi suficiente para bater uma marca: ultrapassando Svetlana Khorkina (1997, 2001 e 2003), Simone sagrou-se tetracampeã mundial.

    No salto, executando o biles, Simone não teve rotação suficiente no mortal e acabou caindo sentada depois de tocar os pés no chão. Na barra, conseguiu uma excelente série graças às melhorias que teve, e essa nota foi crucial para a boa continuidade de sua competição. Na trave, teve uma queda e vários desequilíbrios grandes. Chegou a passar de 15 pontos no nacional americano e hoje conseguiu apenas 13,233. No solo também houve mais erros: salto largo com saída dos limites do solo no moors e também um passo largo e perda de conexão com salto de dança no biles.

    Ao passo que a dificuldade das séries salvaram Simone, a execução limpíssima de Nina Derwael não foi suficiente para deixá-la no pódio. Sua nota de execução mais baixa nessa final foi de 8,400 no solo, onde também tem um artístico muito bem trabalhado. As barras assimétricas, além de muito limpa, impressiona bastante pela sua estatura. Derwael é muito alta e vê-la fazendo barras ao vivo dá até um pouco de medo.

    A atuação dessas duas ginastas colocam em xeque uma questão: o código de pontuação ainda dá espaço para que haja medalhistas com quedas ou Simone tem talento e dificuldade exagerada com relação às ginastas "normais"? Acredito que seja a segunda opção.

    Ellie Black, vice-campeã mundial, teve uma queda e ficou fora da disputa. Flávia Saraiva a mesma coisa. E o mesmo teria acontecido com Hurd, Murakami, Nina e Melnikova. Nessa final, a única que realmente podia cair e continuar disputando um pódio, ainda mais o ouro, era Simone Biles.

    Morgan Hurd correu como pode atrás da prata. Fez salto e barra excelentes além do melhor solo da carreira. Na trave, com uma queda sobre o aparelho, pode ter deixado a prata escapar para Murakami, que fez muito bem o seu trabalho na arena.

    Murakami, Derwael e a chinesa Chen Yile foram uma das poucas ginastas que conseguiram o melhor de si hoje. Fizeram excelentes séries e, por isso, tiveram os resultados de acordo com o real potencial que possuem. É incrível ver Murakami, com 22 anos, conseguir um pódio individual geral pela primeira vez. Essa prata é, inclusive, o melhor resultado nessa final para ginástica feminina japonesa. Vale lembrar que ela lutou muito por isso, e a luta começou dentro do próprio Japão, quando ela poderia ter desistido ao não conseguir uma vaga olímpica na equipe de Londres em 2012.

    Flávia abriu bem sua final nas assimétricas, acertando a série dessa vez. Com 13 pontos, seguiu para a trave, onde tinha potencial pra mais de 14; acabou caindo e, mesmo assim, conseguiu outros 13 pontos, que é uma nota alta para ginastas com queda nesse aparelho. Fez o 4° melhor solo da final de hoje (13,833) e 5° melhor salto (14,533), fechando sua participação em 8° com 54,366.

    Jade, com 27 anos, ainda se mostra como uma generalista competente. Com Rebeca Andrade fazendo o individual geral ela fica fora dessa final, mas suas participações continuam sendo importantes em todos os aparelhos. Jade está empolgada com os treinamentos de Valeri Liukin e nunca se sentiu tão bem desde 2007. É provável que apresente upgrades em suas séries para o ano que vem.

    A impressão que a seleção feminina causou aqui em Doha continua muito boa. As pessoas comentaram o 8° lugar de Flávia como um bom resultado. Todos sabemos que ela pode mais, inclusive ela. A ginasta disse em entrevista: "Eu preciso melhorar em tudo. Na trave, se eu tivesse acertado, talvez tivesse ficado no pódio, mas é só talvez. Tenho que chegar e competir bem. Pra mim o mais importante é estar ali. Se a medalha vier, ótimo! Se não vier, tenho que voltar pra casa e trabalhar mais".

    Duas das cinco chances que o Brasil tinha de medalhas aqui em Doha já aconteceram: final por equipes feminina e individual geral feminino. Amanhã Arthur Zanetti entra na disputa nas argolas e sábado é a vez de Flávia no solo e Caio Souza no salto. A torcida não pode parar!

    Post de Cedrick Willian

    Foto: Aberlado Mendes Jr / rededoesporte.gov.br

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