• O que esperar do Brasil no Mundial de Doha?


    O Brasil chega em Doha bem melhor que no ano passado, quando foi representado por apenas quatro atletas. Dessa vez, temos duas equipes completas e, contando com os reservas, doze atletas. Uma incidência menor de lesões deixaram as escolhas um pouco mais livres. Apenas Daniele Hypólito, que estava entre o grupo que treinava para o Mundial, ficou fora de uma possível seleção por conta de um estiramento na perna que vai deixá-la em tratamento até o fim do ano.

    Intencionando levar a melhor equipe possível, tanto no masculino como no feminino, teoricamente o Brasil tem um objetivo muito simples de alcançar: terminar entre as 24 melhores equipes do mundo, classificando para o Mundial de Stuttgart no próximo ano com o intuito de finalizar a classificação olímpica. Só que as equipes que competem em Doha podem muito mais, e um objetivo simples pode trazer calma e confiança para resultados muito maiores.

    SELEÇÃO MASCULINA

    Uma final por equipes é praticamente certa para a seleção masculina, que desde 2014 não fica fora dessa final. Desde que foi implantado, o formato da final com contagem de notas 3 por 3 é o que sempre pode surpreender o resultado, já que as equipes não podem se dar o luxo de errar. As equipes que saírem de Doha já classificadas para Tóquio serão as que mais acertarem. Em nível técnico, o Brasil ainda continua atrás do Japão, China, Estados Unidos, Rússia e Grã-Bretanha, mantendo a briga contra Alemanha, Suíça, Ucrânia e Coréia do Sul.

    Em Arthur Zanetti está, novamente, a maior chance de medalha individual. Esse ano, pra ajudar um pouco, contamos com a ausência do campeão olímpico e mundial Eleftherios Petrounias, que se lesionou poucas semanas atrás. Zanetti está com a série firme e, de acordo com os últimos treinos no Centro de Treinamento, tem grandes chances de medalha. Com salto e solo fortes, tem notas para contar para a equipe nos três aparelhos que deve competir.

    Caio Souza competiu o ano passado e conseguiu apenas a final individual geral. Esse ano, continua com boas séries na paralela, barra fixa e salto, ajudando muito a equipe nesses aparelhos. Pode figurar entre os 10 melhores na final individual geral, o que seria o melhor resultado de sua carreira. Está saltando um dragulescu excelente que combinado com outro salto pode chegar á uma final nesse aparelho.

    Arthur Nory é uma incógnita se tratando de resultados individuais. Foi finalista de barra fixa em 2015 e medalhista olímpico no solo em 2016, resultados não esperados. No ano passado, ficou fora da final de barra fixa por um décimo e fora da final de solo por outros dois décimos. Como passou um tempo se recuperando de lesões esse ano, não se sabe ao certo quão seguro o ginasta se encontra. Entretanto, Nory é um ginasta muito limpo e suas séries cravadas pode figurar nas finais.

    Limpeza também é o ponto alto de Francisco Barreto na barra fixa. No Campeonato Brasileiro de especialistas, foi campeão com a nota 14.600, suficientes para uma final mundial nesse aparelho, onde foi finalista olímpico e terminou em 5° lugar. Essa pode ser a chance de uma primeira medalha mundial para Francisco, ginasta extremamente importante para a equipe. Ao lado de Lucas Bittencourt, compõe as notas necessárias para o bom funcionamento da equipe masculina, tanto nas classificatórias como nas finais.

    SELEÇÃO FEMININA

    Fora das finais por equipes desde os Jogos Olímpicos de Pequim em 2008, a seleção voltou a fazer parte dessa final apenas em 2016. Espera-se que a presença do Brasil continue esse ano, algo praticamente certo. Como otimismo aqui é a característica mais forte, pode printar esse comentário, seja para ridicularizar o dono do texto ou reafirmar as palavras aqui escritas posteriormente: existe um cenário possível para a equipe conseguir um bronze e se classificar para os Jogos de Tóquio.

    A inconstância reina na equipe russa e chinesa, que tecnicamente são as equipes donas da prata e bronze esse ano. Logo após, Japão, Grã-Bretanha, França e Canadá são as equipes concorrentes diretas do Brasil numa final. Como equipe, dentro de todos os Mundiais que o Brasil já participou, esse sem dúvidas é onde há chances de um melhor resultado. A equipe pode ser a segunda ou terceira melhor equipe em todos os aparelhos, exceto barras assimétricas. Uma Rebeca Andrade saudável, competindo em plena forma física, seria essencial e melhoraria ainda mais as chances. Lembrando que, com Rebeca, a equipe venceu a Rússia no Trofeo Jesolo de 2017.

    Nem tudo se resume ao otimismo, mas ele gera confiança, que gera boas apresentações, que gera bons resultados. O desafio é convencer as meninas, que por anos e anos ouviram o discurso de fazer uma boa participação nas competições, de que elas são e devem ser melhores e maiores do que simples participações. Agarrar as chances, por menores que sejam, e crescer em qualidade e consistência em cima delas. Uma equipe que mira o primeiro lugar e abandona o discurso de apenas participar tem muito mais chances de terminar entre as primeiras. O Pan foi um bom começo.

    Flávia Saraiva é a ginasta com mais chances de finais individuais: solo, trave e individual geral, com boas notas para terminar entre as primeiras. Com a volta de Simone Biles, prata e bronze nas especialidades de Flávia tem gosto de ouro. A disputa no geral vai ser acirrada com outras boas atletas, como Murakami Mai, Riley McCusker, Ellie Black e Melanie de Jesus.

    Jade Barbosa pode ser a segunda generalista da final, disputando essa vaga diretamente com Lorrane dos Santos. Lorrane surpreendeu e se recuperou a tempo de ajudar a equipe, especialmente nas barras assimétricas. Tanto Lorrane como Jade tem séries em todos os aparelhos e, ao lado de Flávia, são as generalistas, enquanto Thais dos Santos compete trave e solo completando as lacunas de Rebeca. Bem executado, o solo de Thais pode beliscar uma final, além de ajudar consideravelmente a equipe.

    Sabe-se que Rebeca andou treinando um segundo salto no CT após o Pan. Com um yurchencko com dupla e um lopez - e sem a americana Jade Carey no caminho -, pode ser que uma final aconteça. Em nível de dificuldade a russa Angelina Melnikova é a ginasta com maior chances de prata, já que recentemente começou a apresentar um bom cheng. Fora ela, Rebeca competiria de igual pra igual com as chinesas (geralmente muito sujas), Oksana Chusovitina, Shallon Olsen, Alexa Moreno e Yeo Seo-jeong.

    O Mundial começa amanhã, com o treino de pódio masculino. O Gym Blog Brazil chega na arena no dia 25, quando começam as classificatórias masculinas.

    Post de Cedrick Willian

    Foto: Reprodução Instagram
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